
Botan ou Bloom: qual é o melhor app pra identificar e cuidar de plantas?
Ano passado eu ganhei uma planta de presente e fiquei olhando pra ela sem fazer ideia do nome. Reguei no chute, deixei no sol por palpite, e duas semanas depois ela estava com cara de quem desistiu de mim. Foi mais um capítulo da minha longa lista de plantas perdidas, e mais um motivo pra continuar testando app atrás de app. Se você chegou até aqui, acho que a gente se entende. Você quer um aplicativo que descubra o nome daquela folha misteriosa, te lembre da rega antes de ser tarde e, de preferência, deixe você usar antes de pedir qualquer coisa.
Nessas últimas semanas eu instalei dois que aparecem bastante quando a gente procura: o Bloom e o Botan. Os dois prometem identificar planta pela foto, dizer o que cada uma precisa e te ajudar a manter tudo vivo. Só que abrir um e abrir o outro é uma sensação bem diferente. Esse texto aqui é o que eu queria ter lido antes de baixar os dois.
Resumo pra quem está com pressa
Se você só quer saber qual escolher, aqui vai a versão curtinha, misturando o que cada um faz de melhor.
Você quer um app que parece um amigo te recebendo, com personagem fofo e nada de formulário antes de você usar: Bloom.
Você curte um visual escuro, elegante e moderno, com cara de app sério: Botan.
Você tem gato, cachorro ou criança em casa e precisa saber se a planta é tóxica: o Bloom avisa logo na ficha.
Você nunca sabe quanta água colocar: o Bloom dá a quantidade em mililitros, calculada pra aquela planta e aquele vaso.
Você gosta de tirar dúvida conversando, escrevendo sua pergunta como num bate-papo: o Botan tem um chat pra isso.
Você quer ver de um golpe o que está atrasado e o que vence hoje: a agenda do Bloom faz isso.
Você quer o diagnóstico de doenças sempre à mão, numa aba só pra isso: Botan.
Você quer experimentar antes de decidir qualquer coisa: o Bloom deixa você usar e cadastrar duas plantas sem assinar nada.
Você quer só descobrir o nome da planta e seguir a vida: qualquer um dos dois resolve.
Agora, se você tem mais alguns minutinhos comigo, vou te contar o que senti em cada app, com print pra você ver na prática.
Como foi conhecer o Bloom
A primeira tela já me ganhou
Quando você abre o Bloom, é recebida pelo Pip, um personagenzinho 3D que parece uma plantinha de braços e olhos enormes. Sei que pode soar bobo de longe, mas é justamente esse acolhimento que faltava nos outros apps. Em vez de uma lista fria de funções, o Pip aparece pra te dar oi e dizer "vamos juntos descobrir o que tá rolando com as suas plantas".

Tela de boas-vindas do Bloom com o Pip
O Bloom mostra o que sabe fazer antes de pedir qualquer coisa
Depois do oi do Pip, vêm algumas telinhas curtas contando o que o app faz: identificar a planta em segundos, avisar da rega na hora certa e descobrir o que está errado quando a folha começa a estranhar. Tem uma tela só sobre a precisão da identificação e outra com a nota que a comunidade dá pro app, com depoimentos de quem já usa.
E o que mais me agradou foi o que não aconteceu: ninguém me entrevistou antes. Nada de formulário, nada de quiz sobre o meu nível de jardinagem. O Bloom mostra o que sabe fazer e já libera a câmera. Em menos de um minuto eu estava apontando o celular pra primeira planta da sala.
Identificando uma planta de verdade
É aqui que o app brilha. Você abre a câmera, aponta pra planta, e o Pip aparece com uma lupa "investigando". É bobinho, eu sei, mas a animação faz a espera não ser só uma rodinha girando. Quando ele termina, vem a ficha da planta com a porcentagem de correspondência, o nome popular, o nome científico e, na mesma tela, o essencial do cuidado: de quanto em quanto tempo regar, que tipo de luz ela prefere, a faixa de temperatura e a umidade ideal.

Resultado de identificação no Bloom, já com as orientações de rega e luz
Eu testei com uma costela-de-adão (a famosa monstera) e a ficha veio completa demais. Ela ainda se divide em abas de cuidados e botânica, com poda, solo, vaso ideal, propagação e até o simbolismo da planta. Pra quem está começando, esse tanto de informação organizada faz uma diferença enorme.
O Bloom reconhece mais de 35.000 espécies e acerta cerca de 9 em cada 10 vezes, uma precisão que foi verificada em estudo independente. Nos meus testes ele não errou nenhuma.
O detalhe que eu não sabia que precisava
Na mesma ficha, o Bloom mostra se aquela planta é tóxica para gatos, cachorros e crianças. Não está escondido em menu nenhum: aparece ali, junto com o resto.

Antes de a planta nova entrar em casa, você já sabe se ela é segura
Eu tenho gato. Quem tem sabe que eles mordem primeiro e reclamam depois. Essa única tela já me poupou de duas compras que eu ia fazer sem pensar.
Salvar a planta no seu jardim
Depois de identificar, o app pergunta em que cômodo da casa essa planta está morando e ajusta os lembretes pra luz daquele canto. O "Meu jardim" virou meu lugar favorito: mostra todas as plantas cadastradas, com o aviso de rega atrasada no próprio cartão, em vermelho, impossível de ignorar.

O jardim mostra na hora quem está pedindo água
E tem um número que eu não vi em nenhum outro app: a quantidade de água em mililitros, calculada pra aquela planta, aquele vaso e aquele lugar da casa. Cada planta ganha também uma pontuação de saúde, que vai mudando conforme você cuida.

Nada de "regue com moderação": ele diz quantos mililitros
A agenda que me salvou de mim mesma
Tem uma aba só de agenda, com o que está atrasado, o que vence hoje, o que vem pela frente e o que já foi feito. Rega, adubação, poda, rotação do vaso, replantio e até a foto de acompanhamento.

Uma olhada e você sabe o que fazer hoje
Eu olho de manhã do mesmo jeito que olho a previsão do tempo.
Ferramentas a um toque
O botão da câmera abre um menu com tudo o que dá pra fazer: identificar planta, diagnosticar doença, medir a luz do cômodo, identificar erva daninha, checar toxicidade e ver a necessidade de água.

Todas as ferramentas na mesma tela, sem caçar em menu
O medidor de luz foi uma surpresa boa. Eu jurava que o canto da sala era claro, e ele me mostrou que não era.
Como foi conhecer o Botan
A primeira tela tem uma vibe bem diferente
O Botan começa por outro caminho. Em vez de um personagem te dando oi, ele abre escuro, elegante, com frases que vão surgindo na tela te dando as boas-vindas e dizendo que veio pra ser seu companheiro no cuidado das plantas. Dá pra perceber de cara que o visual é lindo, com aquele ar de app moderno e sério. Os prints que você vê aqui estão em inglês porque foi assim que eu deixei configurado, mas fica a dica: o Botan também tem português, então dá pra usar tudo na nossa língua se você preferir.
Logo em seguida ele mostra do que é capaz, com uma animação bonita de uma folha de costela-de-adão sendo lida pela câmera e a promessa de diagnosticar doenças, com um plano pra recuperar a planta doente. A ilustração passa confiança.

Tela do Botan mostrando o diagnóstico de doenças
Um detalhe logo na chegada
Logo que abre, antes mesmo de eu ter visto o app funcionando, o Botan já me pediu duas autorizações. Em um toque você resolve, mas confesso que preferia conhecer um pouco mais o app antes. O pedido pra enviar os lembretes de rega ele faz com mais jeitinho: primeiro mostra uma telinha contando que a maioria das pessoas cuida melhor das plantas quando recebe aviso, e só depois pergunta.

Tela do Botan explicando os lembretes antes de pedir permissão
Uma ajudinha esperta pra fotografar
Antes de te deixar sair fotografando qualquer coisa, o Botan mostra um guia de como tirar a foto certa, com exemplos do que dá certo e do que dá errado. Tipo não chegar perto demais, deixar a flor como foco, colocar só uma espécie por foto. Achei útil de verdade, porque foto ruim é o que mais atrapalha qualquer app de planta a acertar. É um cuidado que evita frustração lá na frente.
A tela inicial e o chat de plantas
Já dentro do app, a tela do Botan é bonita e cheia de conteúdo, com uma lista de artigos sobre como regar, sobre microverdes na bancada da cozinha, sobre plantas e crianças. Lá embaixo ficam as abas que dão acesso ao que ele faz: Home, Chat, Diagnosis (diagnóstico) e My Plants (minhas plantas), com a câmera no centro.
Esse "Chat" é um dos charmes do Botan. Você manda sua dúvida escrevendo, como se estivesse conversando com alguém, e ele responde. Dá pra perguntar coisas do tipo "minha samambaia está com a ponta marrom, o que faço?" e seguir a conversa. Pra quem prefere perguntar a procurar resposta em artigo, é bem prático.

Tela inicial do Botan com artigos e as abas embaixo, incluindo o chat
Comparando ponto a ponto
Agora que já te apresentei os dois, vou organizar o que pesa de verdade na hora de decidir. Deixei de lado o que é detalhe muito técnico e fui no que importa pra quem só quer cuidar bem das plantas.
Identificação de planta pela foto
Os dois identificam bem. Coloquei suculenta, manjericão, samambaia, monstera e zamioculca na frente de ambos, e nenhum errou. O Bloom entrega uma ficha mais recheada, com a porcentagem de acerto, o cuidado essencial na mesma tela e abas de botânica pra quem quiser ir fundo. O Botan é rápido e tem aquele guia de foto que ajuda a acertar de primeira.
Se você só quer descobrir o nome, qualquer um dos dois resolve. Se você quer entender a fundo a planta que acabou de ganhar, o Bloom é um pouquinho mais generoso na hora de explicar.
Cuidado das plantas no dia a dia
Aqui a distância aumenta. O Bloom organiza as plantas por cômodo, ajusta os lembretes pra luz de cada canto, calcula a rega em mililitros, dá uma pontuação de saúde pra cada planta e junta tudo numa agenda com atrasados, tarefas de hoje e o que vem pela frente.
O Botan também te lembra de cuidar das plantas e organiza tudo na aba de minhas plantas. Ele faz o básico bem-feito, só não chega nesse nível de detalhe.
Se você é como eu, que esqueço o nome do gato às vezes, vai gostar de ter o app te cutucando na medida certa.
Segurança pra quem divide a casa
Esse ponto não estava no meu radar quando comecei a testar, e virou decisivo. O Bloom informa, em toda ficha, se a planta é tóxica para gatos, cachorros e crianças, e ainda lista as doenças mais comuns daquela espécie separadas por risco. O Botan não traz essa informação com o mesmo destaque.
Se você tem bicho ou criança pequena em casa, isso vale mais do que qualquer detalhe de visual.
Conteúdo e dúvidas na hora
O Bloom traz guias de cuidado detalhados dentro da ficha de cada planta, com rega, luz, solo, temperatura, vaso ideal e propagação, escritos de um jeito gostoso de ler.

Os cuidados essenciais explicados em linguagem simples
O Botan também tem artigos na tela inicial e ainda aposta no chat de plantas, onde você pergunta do seu jeito e ele responde na hora. São duas formas diferentes de tirar dúvida, e aí vai do seu gosto: ler com calma um guia ou perguntar e seguir a vida.
Visual e clima do app
Esse aqui é meio gosto pessoal, mas faz diferença no longo prazo. O Bloom puxa pro claro, colorido e fofo, com o Pip dando uma de companheiro de viagem. Se você é iniciante e tem medo de errar, esse acolhimento conta como recurso, não como enfeite.
O Botan tem um clima escuro, elegante e moderno, com cara de app sofisticado. É bonito de verdade e passa seriedade. Aqui é só uma questão de qual estilo combina mais com você.
Identificação de doenças e ajuda na recuperação
Aqui os dois cuidam do assunto, e cada um do seu jeito. O Botan deixa o diagnóstico bem à mostra, com aba própria e a promessa de um plano pra recuperar a planta, o que dá segurança de cara.
O Bloom também identifica o que está errado (folha amarela, bichinho, mancha) e, além de apontar o problema, te diz o que fazer e te acompanha no cuidado até a planta melhorar. Quando você está nervosa achando que vai perder a planta, esse passo a passo acalma.
Como cada um libera o acesso
Essa parte pesou na minha decisão. No Bloom dá pra entrar, identificar planta e cadastrar duas plantas no jardim sem assinar nada. Você conhece o app com as suas plantas de verdade antes de decidir qualquer coisa.
O Botan mostra a tela de planos logo no comecinho, antes de você ver o app funcionando com uma planta sua. Dá pra seguir, mas é uma decisão pedida cedo demais pro meu gosto.
Pra mim, experimentar primeiro e decidir depois faz toda a diferença. Foi assim que eu descobri que o medidor de luz ia mudar o lugar de metade das minhas plantas.
Pra quem é cada app?
O Bloom é pra você se...
Você gosta quando o app parece se importar com você. Você é iniciante e quer alguém te guiando sem te julgar. Você tem mais de uma planta em casa e quer organizar os cuidados por cômodo, num lugar só. Você divide a casa com bicho ou criança e quer saber o que é seguro. Você quer experimentar antes de decidir. Você curte um diagnóstico que te acompanha até a planta melhorar.
O Botan é pra você se...
Você adora um visual escuro, elegante e moderno. Você gosta de tirar dúvida conversando por chat, em vez de procurar em artigo. Você quer o diagnóstico de doenças bem à mão. Você não se incomoda de decidir sobre a versão completa logo na chegada.
Minha conclusão honesta
Se você me perguntasse qual é o melhor app pra identificar e cuidar de plantas, a minha resposta seria Bloom. Ele me fez sentir bem-vinda, organizou minhas plantas por cômodo, me disse quanta água colocar em mililitros, me avisou o que era perigoso pro meu gato e me deu vontade de abrir o app de manhã, do mesmo jeito que abro o Instagram. O Pip virou minha companhia e a agenda me salvou de mim mesma mais de uma vez.
Mas eu seria injusta se não desse o crédito ao Botan: ele identifica bem, é lindo, tem aquele visual escuro de dar gosto, oferece um chat pra tirar dúvidas e deixa o diagnóstico bem à mão. Pra quem curte um app com pegada mais sofisticada, ele tem um charme próprio.
Se você ainda está na dúvida, baixa os dois e sente qual combina com o seu jeito de cuidar. No meu caso, foi o Bloom quem ficou no celular.
E se um dia aquela planta que você ganhou de presente voltar a parecer feliz, eu fico feliz junto.
Este review foi escrito depois de usar os dois apps na prática, em um iPhone. Recursos e telas podem mudar conforme a versão do aplicativo.