Dália com folhas amarelas: causas e o que fazer
Dália com folhas amarelas pode ser só o fim do ciclo ou um tubérculo apodrecendo na terra molhada. Veja como separar as causas pela fase da planta e pelo desenho do amarelo, e quando cortar, tratar ou jogar fora.
Dália com folhas amarelas pode estar só no fim normal do ciclo ou com o tubérculo apodrecendo na terra molhada. No fim da florada, quando a temperatura cai, a dália seca até o chão. A UC ANR manda deixar as folhas amarelarem antes de cortar. Na terra encharcada, o tubérculo (a raiz grossa de onde a dália brota) apodrece, avisa a Oregon State. As outras causas são ácaro, cigarrinha, falta de água ou de adubo, manchas de fungo, vírus e murcha.
Não corte a planta inteira nem arranque o tubérculo antes de responder duas perguntas. A primeira: em que fase a dália está? Ela pode estar brotando, em plena flor ou terminando a florada. A segunda: onde está o amarelo? Ele pode estar só nas folhas de baixo, em pontinhos, em manchas, em desenho de mosaico ou num lado só da planta.
O vírus e a murcha obrigam a jogar fora a planta e os tubérculos. O tubérculo todo mole também vai para o lixo. Nas outras causas, a dália se recupera ou volta a brotar no ano seguinte. A página de folhas amarelas na dália lista as pragas e doenças uma a uma. Para outras plantas, o guia de folhas amarelas explica como ler o amarelo em qualquer espécie.
As fontes deste guia são extensões universitárias dos Estados Unidos, serviços de universidades que orientam quem cultiva plantas. Entra também a Royal Horticultural Society (RHS), do Reino Unido. Quando a fonte fala de plantas de flor em geral, e não da dália, o texto avisa.
Folhas amarelas na dália: a causa pela fase e pelo desenho do amarelo
Onde está o amarelo | Quando aparece | O que acompanha | Causa provável | O que fazer |
|---|---|---|---|---|
Planta inteira, aos poucos, de baixo para cima | Fim da florada, com o tempo esfriando | Menos flores, hastes secando | Fim do ciclo | Deixar secar e cortar a 10 cm do chão (15 cm onde gela, depois da geada) |
Folhas de baixo e de dentro | Brotação ou depois de muita chuva | Terra molhada há dias, base do caule mole | Tubérculo apodrecendo | Parar de regar e conferir o tubérculo |
Folhas de baixo, sem mancha | Em plena florada | Terra seca ou vaso pequeno | Falta de água ou de nitrogênio | Regar pela terra e adubar |
Pontinhos claros na folha toda | Calor e tempo seco | Teia fina no verso | Ácaro | Jato de água no verso e sabão inseticida |
Borda da folha, avançando para o meio | Verão | Borda seca e quebradiça | Cigarrinha | Tirar as folhas mais atacadas |
Manchas amarelas redondas que ficam marrons | Tempo úmido (carvão) ou seco (oídio) | Pó branco, no oídio | Carvão ou oídio | Tirar as folhas e arejar |
Mosaico, faixas ou anéis amarelos | Qualquer fase | Folha deformada, planta baixa | Vírus | Descartar planta e tubérculos |
Um lado da planta, com murcha | Qualquer fase | Risco marrom dentro do caule | Murcha de verticílio ou de fusário | Descartar e não replantar no lugar |
Folhas amarelas no fim da florada: a dália se preparando para descansar
A dália floresce do verão ao outono e seca até o chão quando a temperatura cai, segundo a UC ANR. O amarelo dessa fase não é doença. A parte de cima da planta morre, e o tubérculo fica vivo debaixo da terra para brotar na primavera seguinte. No Brasil, o outono vai de março a junho.
O amarelo do fim do ciclo costuma vir depois de semanas de flores, com os botões novos rareando. Ele sobe devagar pela planta, sem manchas nem pontinhos. Se o amarelo aparece com a planta ainda cheia de botões, a causa é outra: siga a tabela acima.
A UC ANR manda deixar as folhas amarelarem e então cortar a planta a cerca de 10 cm (4 polegadas) do chão. Onde gela, a Washington State espera a geada queimar a planta, corta a 15 cm (6 polegadas) e só então desenterra. Onde não gela, siga a UC ANR, que escreve para um lugar de inverno ameno. A Universidade de Kentucky explica o motivo da espera: a geada leve queima folhas e flores, mas o tubérculo continua a amadurecer. Por isso, não arranque a dália que amarela no fim do ciclo, no outono.
Desenterrar o tubérculo não é regra para o Brasil inteiro. A Oregon State e a Washington State escrevem para lugares onde a terra congela no inverno. A biblioteca da Universidade de Washington diz que a umidade mata o tubérculo mais que o frio. Onde a terra não congela, deixe o tubérculo no canteiro só se ela escoar bem a água.
Dália brotando com folhas amarelas e a terra molhada: o tubérculo apodrecendo
Na brotação, água demais é o maior risco para a dália. A Oregon State manda não regar depois do plantio até aparecerem as duas primeiras folhas, porque o tubérculo apodrece com facilidade nessa fase. No Brasil, a dália se planta na primavera, de setembro a dezembro.
Segundo a Universidade de Maryland, o sintoma principal de excesso de água em plantas de flor é a folha amarela ou murcha embaixo e no centro da planta. A água em excesso tira o oxigênio da terra e mata as raízes finas, e a planta deixa de absorver água. Por isso, a dália com o tubérculo apodrecendo murcha mesmo com a terra molhada. A Iowa State resume: a dália costuma apodrecer em terra encharcada e mal drenada.
Para conferir, siga esta ordem:
Enfie o dedo na terra até a segunda junta. Terra ainda molhada 3 dias depois da última rega indica que a água não escoa.
Aperte a base do caule, rente ao chão. Caule mole e escuro nesse ponto é podridão.
Cave com a mão ao lado do caule até ver o tubérculo. Tubérculo firme é sinal bom. Tubérculo ou raiz escura, mole ou se desfazendo é podridão, descreve a Utah State.
Se o tubérculo está firme, pare de regar até a terra secar na altura da segunda junta do dedo. Se o tubérculo inteiro está mole, a planta não se recupera: tire-a do canteiro e plante a próxima num lugar onde a água da chuva não fica parada.
Folhas de baixo amarelas no meio da florada, sem mancha: falta de água ou de nitrogênio
Na dália em plena florada, o amarelo das folhas de baixo sem mancha nenhuma costuma ser falta de água ou de adubo. A Iowa State pede rega constante para a dália, ainda mais no vaso, que seca mais rápido. A seca longa deixa as folhas amarelas, com a borda seca, e faz as folhas caírem, segundo a Universidade de Maryland, em plantas de flor em geral.
Regue pelo teste da terra, e não por um número fixo de dias. As fontes não concordam no número: a UC ANR indica 1 ou 2 regas por semana, e a Washington State indica 2 ou 3 regas profundas por semana no verão. A diferença vem do clima e da terra de cada lugar. A regra que vale para as duas é a da Oregon State: a terra sempre úmida, nunca encharcada e nunca seca.
Se a rega está certa e o amarelo continua subindo pelas folhas de baixo, a causa provável é falta de nitrogênio. O nitrogênio é o nutriente do adubo que a planta usa para fazer folha. O nitrogênio se move dentro da planta, e por isso a falta aparece primeiro nas folhas velhas de baixo. Isso vale para plantas em geral, explica a Iowa State.
Adube na dose indicada na embalagem. Para a dália, a Oregon State indica um adubo com pouco nitrogênio, como o 5-10-10 (os três números são nitrogênio, fósforo e potássio). A mesma extensão avisa que nitrogênio demais deixa a haste fraca, dá menos flores e faz o tubérculo apodrecer ou murchar depois de colhido.
Quando o amarelo fica entre as nervuras (as linhas finas que desenham a folha) e as nervuras continuam verdes, a causa pode ser falta de magnésio ou de ferro. A biblioteca de horticultura da Universidade de Washington cita esses dois nutrientes para a dália adulta que amarela. Sem uma análise da terra, não dá para saber qual dos dois falta.
Pontinhos amarelos e teia fina no verso da folha: ácaro
Pontinhos claros espalhados deixam a folha desbotada vista de longe e são o sinal do ácaro. O ácaro é um bicho quase invisível, parente da aranha, que suga a folha. Com muitos ácaros, a planta fica amarelada ou acinzentada e aparece uma teia fina, descreve a Clemson, em plantas em geral. A Washington State diz que o ácaro costuma atacar a dália no calor.
Em plantas em geral, o ataque começa nas folhas de baixo e sobe, e a folha muito atacada amarela, fica marrom e cai, segundo a Iowa State. Para conferir, vire uma folha com pontinhos e olhe o verso contra a luz. A Clemson sugere bater a folha algumas vezes sobre um papel branco: os ácaros aparecem como pontinhos que andam.
Para controlar, a Utah State usa um jato forte de água direto nos ácaros, no verso das folhas. Se não bastar, a Clemson indica sabão inseticida ou óleo hortícola. Aplique no fim da tarde, com o tempo mais fresco, para não queimar a folha. A planta com sede sofre mais com o ácaro, por isso mantenha a rega em dia no tempo seco.
Borda amarela que avança para o meio e seca: cigarrinha
A cigarrinha é um inseto fino e verde-claro, de cerca de 3 mm, que suga a seiva da folha. A descrição é da Estação Experimental Agrícola de Connecticut. Na dália, ela deixa a borda da folha amarelada, e o amarelo avança em direção à nervura do meio, segundo a UF/IFAS. Depois, a área amarela fica marrom e quebradiça. Sem controle, a planta para de crescer.
A biblioteca da Universidade de Washington descreve outro sinal da cigarrinha: a folha fica pontilhada, depois seca e cai. O pontilhado parece o do ácaro, mas a cigarrinha não faz teia, e o próprio inseto aparece no verso da folha.
Manchas amarelas que ficam marrons: carvão, oídio e o que o óleo de neem não resolve
Manchas amarelas, redondas ou irregulares, que depois ficam marrons e secas são o sinal do carvão da dália, um fungo das folhas. O manual de doenças de plantas do Noroeste dos Estados Unidos diz que a umidade alta e a folha molhada favorecem o carvão. O fungo passa o inverno nos restos de planta caídos na terra.

O oídio é outro fungo comum da dália. Ele cobre a folha com um pó branco ou acinzentado. Segundo a UF/IFAS, o oídio piora no fim da estação, e as folhas muito atacadas se deformam e caem. A RHS diz que o oídio pode surgir em tempo seco e manda manter a rega em dia.
Nos dois casos, o conserto é o mesmo:
Tire as folhas manchadas e jogue no lixo, não na composteira.
Recolha as folhas caídas no chão em volta da planta.
Regue a terra, e não as folhas, como orienta a Oregon State.
Tire os 2 ou 3 pares de folhas mais baixos da planta adulta, para o ar circular, como recomenda a Oregon State.
A Washington State cita o óleo de neem entre os produtos orgânicos para ácaro e oídio. Contra o vírus, nenhum produto resolve: a Oregon State diz que não há tratamento para vírus da dália. Contra a murcha, a Estação Experimental de Connecticut diz que o controle é difícil. Quando o oídio aparece só no fim da estação, a Utah State diz que pode nem valer a pena aplicar produto. A planta já está perto do fim do ciclo.
Mosaico, faixas ou anéis amarelos e folha deformada: vírus
Folha com desenho de mosaico, misturando verde-claro e verde-escuro, é sinal de vírus. Outros sinais são faixas claras ao longo das nervuras, anéis amarelos, folha pequena ou torta e planta mais baixa que as outras. Riscos ou manchas amarelas com a planta baixa costumam indicar vírus, segundo a Oregon State. Um deles é o vírus do mosaico da dália, que é passado pelo pulgão, segundo a Utah State.
O vírus não tem cura e mora dentro do tubérculo. Todo broto e todo tubérculo novo da planta doente nascem infectados, explica a Universidade do Maine. Por isso, guardar o tubérculo para o ano seguinte leva o vírus junto. Algumas plantas com vírus não mostram sinal nenhum e mesmo assim passam a doença adiante.
Se a dália tem mosaico ou anéis amarelos, faça assim:
Arranque a planta inteira, com todos os tubérculos.
Jogue no lixo ou enterre. A Oregon State e a Universidade do Maine mandam não pôr na composteira.
Mergulhe a tesoura em água sanitária antes de cortar outra dália, como manda a Oregon State.
Procure pulgão nos brotos novos das outras dálias.
A Universidade do Maine diz que a terra não fica contaminada se todo o material da planta sair. Um tubérculo de outra origem, sem sinal de vírus, pode ser plantado no mesmo lugar. Para ter certeza do vírus, só o exame em laboratório resolve, diz a Utah State.
Amarelo e murcha de um lado só da planta: murcha de verticílio ou de fusário
Quando o amarelo e a murcha começam por um lado da dália, a causa pode ser a murcha de verticílio ou a de fusário. São fungos da terra que entopem os vasos por onde a água sobe na planta. Na planta adulta, a folhagem fica verde-clara e as folhas de baixo murcham, muitas vezes primeiro de um lado, descreve a Estação Experimental de Connecticut. Depois, a planta inteira murcha e morre.
Para conferir, corte um galho murcho e olhe a parte de dentro. Uma mancha ou um risco marrom dentro do caule é o sinal dessa murcha, segundo a mesma fonte.
Esses fungos vivem na terra, e por isso o controle é difícil. Arranque a planta com os tubérculos e jogue no lixo. Não plante dália de novo nesse canteiro: a Estação Experimental de Connecticut manda evitar a terra onde o fungo está.
Dália de vaso comprada florida com folhas amarelas
A dália vendida florida no vaso pode amarelar por vaso pequeno, falta de sol ou rega errada. A Oregon State recomenda um vaso de 30 a 45 cm (12 a 18 polegadas) de largura e de profundidade. A RHS sugere 50 cm (20 polegadas) e diz que as dálias baixas, de até 60 cm, são as melhores para vaso. Se o vaso da loja tem menos de 30 cm, passe a dália para um vaso de 30 a 50 cm.
A dália precisa de pelo menos 6 horas de sol direto por dia, segundo a NC State. Dentro de casa, longe da janela com sol direto, ela não recebe essa luz. Leve a dália para a varanda ou para o quintal, num lugar de sol pleno.
Regar menos e depois mais, sem olhar a terra, piora o problema. A UC ANR rega a dália de vaso com mais frequência do que a de canteiro. A Iowa State também pede rega constante para a dália de vaso. Confira a terra com o dedo todo dia: regue até escorrer pelo furo quando a terra estiver seca na altura da segunda junta, e esvazie o pratinho depois.
Quando nada disso explica o amarelo, uma foto ajuda. Sem diagnóstico, não dá para recomendar o tratamento, diz a biblioteca da Universidade de Washington. O Bloom (disponível para iOS) identifica a planta e, na versão Premium, aponta a doença pela foto da folha.
Corto as folhas amarelas, arranco a dália ou espero?
O que fazer com a folha, com a planta e com o tubérculo muda com a causa do amarelo.
Causa | Folhas amarelas | Planta | Tubérculo |
|---|---|---|---|
Fim do ciclo | Deixe secar | Corte a 10 cm do chão quando secar | Fica no chão onde a terra não congela nem encharca |
Tubérculo apodrecendo | Tire as secas | Pare de regar até a terra secar | Descarte se estiver todo mole |
Falta de água ou de nitrogênio | Tire as secas | Corrija a rega e o adubo | Fica |
Ácaro ou cigarrinha | Tire as mais atacadas | No ácaro, jato de água no verso das folhas | Fica |
Carvão ou oídio | Tire e jogue no lixo | Melhore a circulação de ar | Fica |
Vírus | Arranque tudo | Lixo ou enterrar, nunca composteira | Descarte todos |
Murcha de verticílio ou de fusário | Arranque tudo | Lixo | Descarte e não replante no lugar |
Perguntas frequentes sobre dália com folhas amarelas
A folha amarela da dália volta a ficar verde?
Não conte com isso. Se a causa continua, a folha amarela fica marrom, segundo a Universidade de Maryland, em plantas de flor em geral. A biblioteca da Universidade de Washington diz que talvez baste ir tirando as folhas amarelas da dália. Para saber se a correção funcionou, olhe as folhas novas: se saem verdes, a correção está funcionando.
Como fica uma dália com excesso de água?
A dália com excesso de água amarela primeiro as folhas de baixo e de dentro e murcha com a terra molhada. A base do caule fica mole e escura, e o tubérculo fica mole. A Oregon State lembra que a dália não gosta de terra encharcada. Pare de regar até a terra secar na altura da segunda junta do dedo e confira se a água escoa.
Borra de café ajuda a dália com folhas amarelas?
Nenhuma das fontes deste guia testou borra de café na dália. Para jardins em geral, a Washington State diz que não existe prova de que a borra afaste pragas. Nos testes, a borra também não se mostrou ácida, ao contrário do que muita gente pensa. Nenhuma fonte indica a borra como solução para as causas deste guia. Se quiser usar, misture na composteira, até 20% do volume.
A dália é tóxica para cães e gatos?
Sim, mas a intoxicação é leve. A ASPCA, centro de controle de intoxicações animais dos Estados Unidos, lista a dália como tóxica para cães, gatos e cavalos. Os sinais são problemas leves de estômago e intestino e irritação leve da pele. Se o animal comeu folhas e vomita ou fica abatido, ligue para o veterinário.
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