Pragas da figueira: como identificar e tratar cada uma
As pragas da figueira se reconhecem pelo lugar do sinal. Ponta do ramo seca é broca, figo bichado é mosca, folha com teia é lagarta ou ácaro. Veja quais ameaçam a planta e o que fazer com cada uma.
As pragas da figueira se reconhecem pelo lugar onde aparece o sinal: na folha, no fruto, no ramo ou na raiz. As pragas de folha quase nunca matam uma figueira adulta. As que custam a planta ou a colheita estão no ramo (a broca), no figo (as moscas) e na raiz (o nematoide, um verme microscópico do solo).
Nenhuma praga de folha pede cortar a árvore inteira ou arrancar a figueira. Só dois problemas podem obrigar a arrancar a figueira: o nematoide na raiz e a seca-da-figueira, uma doença que mata a árvore.
Este guia trata da figueira de fruto (Ficus carica), plantada em vaso grande ou no quintal. Cada praga vem com o sinal que a separa das parecidas e com o tratamento que uma extensão agrícola ou um instituto de pesquisa recomenda.
Resumo rápido:
Ponta do ramo murcha e seca, com excremento preso por teia num furo: broca-da-figueira. Corte o ramo abaixo do furo e queime ou triture o pedaço.
Figo verde que amolece e apodrece com larvas brancas dentro: mosca-do-figo. Recolha os figos caídos e cole um adesivo na abertura da ponta dos figos verdes.
Folha enrolada com teia branca e partes raspadas até a nervura: lagarta-da-folha. Esmague as lagartas dentro do rolo; a árvore adulta aguenta o dano.
Folha com pontinhos claros e teia fina no verso: ácaro. Lave o verso das folhas com jato de água.
Folha grudenta com grãos brancos e escamas verdes nas nervuras, na primavera: psila, praga registrada na Europa. Lave com jato de água; ela vai embora no verão.
Carocinhos marrons ou tufos de algodão branco no caule e folha grudenta: cochonilha. Retire com escova e trate com óleo quando a figueira estiver sem folhas.
Figueira fraca, sem nada na folha, com caroços na raiz: nematoide. Não tem cura; a prevenção é a muda e a terra.
Tabela de triagem: onde está o sinal e qual praga ele indica
Onde olhar | O que você vê | Praga provável | Onde aparece | Ameaça a planta? |
|---|---|---|---|---|
Ponta do ramo novo | Folhas e figos da ponta murcham e secam; furo com excremento preso por teia | Broca-da-figueira | Quintal | Sim, derruba a colheita |
Tronco e galhos grossos | Casca rachada que seca e cai | Broca-do-tronco | Quintal | Sim |
Figo verde ou quase maduro | Fruto mole, podre, com larvas brancas dentro | Moscas do figo | Quintal | Não mata a planta; perde a colheita |
Folha nova | Folha enrolada com teia branca; partes raspadas até a nervura | Lagarta-da-folha | Quintal | Não, em árvore adulta |
Verso da folha | Pontinhos claros na face de cima; teia fina e bichinhos no verso | Ácaro | Vaso e quintal | Só em ataque forte |
Caule e verso da folha | Carocinhos marrons ou tufos de algodão branco; folha grudenta e mancha preta | Cochonilha | Vaso e quintal | Enfraquece aos poucos |
Nervuras do verso, na primavera | Escamas verdes paradas; folha com grãos brancos, como açúcar | Psila-da-figueira | Quintal | Não |
Raiz | Caroços e inchaços nas raízes; árvore fraca e que cresce pouco | Nematoide | Quintal e vaso com terra de horta | Sim, não tem cura |
A figueira-lira (Ficus lyrata) e a benjamina (Ficus benjamina) também são chamadas de figueira, mas são outras espécies, e as pragas deste guia são as da figueira de fruto. Se você herdou a árvore e não sabe qual é, o Bloom (disponível para iOS) identifica a espécie pela foto. No Premium, o app também compara a foto do sintoma com pragas e doenças conhecidas.
Ponta do ramo murcha e seca: broca-da-figueira
A broca-da-figueira é a lagarta de uma mariposa, Azochis gripusalis, e é uma das principais pragas da figueira no Brasil. Segundo a Circular Técnica 287 da EPAMIG, de 2018, ela ataca a ponta dos ramos novos. As maiores infestações, no Brasil, vão de novembro a abril.
A ponta do ramo murcha e seca a partir do ponto atacado, e as folhas e os figos acima desse ponto secam junto. No furo de entrada ficam excremento e fiapos de madeira seca presos por uma teia, que fecha o túnel (a galeria) onde a lagarta vive. A lagarta é rosada, com pontos no dorso e cabeça marrom, e chega a 25 mm.
O tratamento, segundo a EPAMIG, é cortar os ramos atacados abaixo da galeria e queimar ou triturar esses pedaços. Não deixe os ramos cortados no chão: a lagarta continua viva dentro deles. A Circular Técnica 35 da Embrapa Clima Temperado acrescenta esmagar a lagarta dentro da galeria e manter o chão sob a figueira limpo de mato.
Nos pomares do Sul de Minas Gerais, a EPAMIG notou que as plantas com a ponta dos ramos cortada a cada 30–35 dias não tiveram ataque da broca. A EPAMIG recomenda conferir os ramos a partir de novembro, quando a mariposa começa a pôr ovos. Na figueira de quintal, olhar as pontas nessa época ajuda a achar o ataque cedo.
Casca rachada no tronco: broca-do-tronco
A broca-do-tronco (Colobogaster cyanitarsis) é um besouro cuja larva abre galerias logo abaixo da casca dos galhos grossos e do tronco. Ela não deixa serragem do lado de fora. Segundo a Embrapa, a serragem fica presa na galeria, incha com a seiva e racha a casca, que seca e cai. A larva pode chegar a 60 mm.
O controle caseiro indicado pela Embrapa é destruir a larva dentro da galeria com um arame.
Uma figueira que definha e seca por inteiro pode ter a seca-da-figueira. A seca-da-figueira é causada por um fungo que um besouro pequeno leva de planta em planta. A Embrapa manda arrancar a planta doente e esperar 1 ano antes de plantar outra figueira no mesmo lugar.
Figo com larvas ou podre antes de amadurecer: moscas do figo
No Brasil, a mosca-do-figo (Zaprionus indianus) é a praga do fruto. Segundo um informativo técnico da Epagri, de 2002, a fêmea põe os ovos no ostíolo do figo ainda verde. O ostíolo é o "olho" do figo, a pequena abertura na ponta oposta ao cabinho. As larvas entram no fruto e ele apodrece em poucos dias.
O dano pode chegar a 80% da produção, e o ciclo de ovo a adulto leva menos de 20 dias. A mosca adulta tem 2,5–3 mm, olhos vermelhos e faixas prateadas no dorso. Ela é atraída por fruta passada ou machucada.
A Epagri recomenda quatro medidas, todas caseiras:
recolher do chão e do pé os figos maduros demais, machucados ou bicados por pássaros;
enterrar ou queimar fruta e legume em decomposição perto da figueira;
colar um adesivo no "olho" do figo ainda verde, o que impede a postura sem atrapalhar o crescimento do fruto;
ensacar os figos com saco de papel parafinado.
Na Europa, outras moscas atacam o figo. A RHS, sociedade britânica de horticultura, inclui o figo entre as frutas atacadas pela Drosophila suzukii. Essa mosca põe os ovos sob a casca do fruto perto de maduro. A RHS indica armadilha, rede de malha menor que 0,98 mm e recolher frutas passadas. Em Portugal, o manual de boas práticas da figueira do INIAV cita a mosca-preta-do-figo (Silba adipata), que destrói figos verdes. O manual cita também a mosca-do-mediterrâneo, que ataca o figo 2–3 semanas antes de amadurecer.
Folha enrolada com teia e partes transparentes: lagarta-da-folha
A lagarta-da-folha da figueira (Choreutis nemorana) é a lagarta de uma mariposa pequena, de origem mediterrânea. A RHS registra a espécie no Reino Unido desde 2014, e a figueira é a planta que ela ataca. A lagarta é verde-clara com pontinhos pretos e chega a 15 mm.

No começo, a lagarta raspa a face de cima da folha e deixa manchas claras. Depois ela come a folha inteira entre as nervuras, e deixa só as nervuras. A lagarta vive sob uma teia branca e, no fim, dobra a borda da folha para formar um casulo. Há duas gerações por ano, e o figo encostado numa folha atacada também pode ser raspado.
Segundo a RHS, o dano da lagarta-da-folha não afeta a saúde nem o vigor de uma figueira já estabelecida. O INIAV, em Portugal, registra que a praga ganhou importância nos últimos anos e que não foi preciso tratar. Para reduzir o número de lagartas, a RHS indica:
abrir as folhas enroladas e as teias e esmagar as lagartas e os casulos;
olhar a figueira com frequência, para agir antes de a população crescer;
proteger os figos com saquinhos de rede leve.
Folha enrolada sem teia e sem excremento dentro não é lagarta. Nesse caso, confira a rega e o calor antes de procurar praga.
Pontinhos claros e teia fina no verso: ácaro na figueira
O ácaro mais comum na figueira é o ácaro-rajado (Tetranychus urticae), um bichinho de menos de 1 mm que suga a seiva da folha. Segundo a RHS, a face de cima da folha fica com pontinhos claros. No verso aparecem os ácaros amarelo-esverdeados, com duas manchas escuras, e as peles brancas que eles largam ao crescer. Uma lupa de 10 vezes ajuda a ver.
O ácaro gosta de tempo quente e seco. Em ataque forte aparece uma teia fina, e as folhas perdem a cor, secam e caem. O programa de manejo de pragas da Universidade da Califórnia registra que o ataque começa pelas folhas de baixo e que a árvore regada e adubada na medida certa tolera muito melhor o ácaro.
O primeiro tratamento é água. Lave o verso das folhas com jato de água e repita quando os pontinhos e a teia voltarem. Além disso, na figueira de vaso dentro de casa, borrife as folhas para manter o ar úmido em volta da planta. A RHS cita esses dois cuidados contra o ácaro-rajado.
Existe outro ácaro, o ácaro-da-figueira (Aceria ficus). Segundo o manual de doenças de plantas do Noroeste dos EUA, ele transmite o vírus do mosaico da figueira e passa o inverno nos brotos fechados (as gemas). O sinal dele é o do mosaico: manchas amarelas e folhas deformadas.
Carocinhos no caule e folha grudenta: cochonilha na figueira
A cochonilha é um inseto sugador que fica parado no caule e no verso da folha, coberto por uma casca de cera. Segundo a RHS, muitas espécies soltam melada, um líquido açucarado e grudento. Sobre a melada cresce a fumagina, um fungo preto que suja a folha. Formigas subindo e descendo a figueira costumam ser sinal de cochonilha. Segundo a RHS, as formigas recolhem a melada dos insetos sugadores e chegam a protegê-los dos predadores.
Na figueira de pomar, a Embrapa cita a cochonilha Morganella longispina como praga importante nos municípios produtores de São Paulo. Em Portugal, o INIAV cita a Ceroplastes rusci, comum perto de olivais. As duas fontes indicam pulverizar óleo mineral (o INIAV indica o parafínico, um tipo de óleo mineral) quando a figueira está sem folhas, depois da poda e antes da brotação. Siga a diluição do rótulo. Com a figueira em folha, a Embrapa considera o controle difícil.
A cochonilha-farinhenta é a que parece algodão. Segundo a RHS, ela aparece primeiro como tufos de cera branca nas axilas das folhas, e cada inseto tem até 4 mm. A UF/IFAS, da Universidade da Flórida, cita a cochonilha-farinhenta e as formigas entre os insetos mais comuns na figueira.
A RHS registra cochonilha e ácaro como os problemas da figueira cultivada em estufa. A RHS também recomenda tolerar uma infestação pequena numa planta bem cuidada. Quando os carocinhos se espalham, retire as cochonilhas com uma escova macia ou um pano úmido e lave a folha grudenta com água.
Escamas verdes nas nervuras na primavera: psila-da-figueira
A psila-da-figueira (Homotoma ficus) é um inseto pequeno, de origem mediterrânea, que se confunde com cochonilha. Segundo a Academia de Jardinagem do estado da Renânia-Palatinado, na Alemanha, as larvas formam escamas verdes paradas ao longo das nervuras, no verso da folha. A face de cima fica com grãos brancos, como se a folha tivesse açúcar.
A psila tem uma geração por ano. No meio do verão os adultos trocam a figueira por outras árvores, como carvalho e castanheira, e o dano na figueira para. Os figos crescem normalmente. O tratamento é jato forte de água no verso das folhas, que derruba as larvas e lava a melada. A mesma fonte diz que, na Alemanha, não há produto registrado contra a psila em jardim doméstico.
Trips na figueira
Os trips são insetos finos e pequenos que raspam a folha. Existe um trips quase exclusivo da figueira, o Pseudodendrothrips stuardoi, registrado no Brasil, na Argentina e no Chile. Segundo uma avaliação do Departamento de Agricultura da Califórnia, o único relato de dano grande é de 1930, no norte do Chile. A avaliação não achou outro relato de dano em figueira desde então, nem descreve um sinal próprio desse trips. Sem tratamento estudado, a opção mais segura para a planta é a mesma do ácaro: jato de água no verso das folhas.
Figueira fraca sem nada na folha: nematoide na raiz
O nematoide-das-galhas é um verme microscópico que vive no solo e forma caroços nas raízes. Segundo a extensão da Universidade da Geórgia, ele é a principal causa de morte de figueira no sul da Geórgia, nos EUA. Para confirmar, afaste a terra e olhe algumas raízes finas. Segundo a mesma fonte, os caroços e inchaços não se confundem com outro problema da figueira.
A figueira com nematoide não tem cura com produto químico. A Universidade da Geórgia indica podar o topo da árvore para ficar proporcional à raiz fraca e regar e adubar com cuidado, o que prolonga a vida dela. A fonte não dá medida para essa poda. A UF/IFAS, da Universidade da Flórida, registra que o problema é maior em solo arenoso e que cobertura morta reduz o dano.
A prevenção está na muda e na terra. A Embrapa recomenda comprar muda de viveiro de confiança e não usar os brotos que nascem da raiz de figueira velha, pelo risco de nematoide. Na figueira de vaso, use terra nova de saco, e não terra tirada de horta ou de canteiro antigo.
Pó cor de ferrugem no verso da folha: ferrugem da figueira
A ferrugem da figueira causa pontinhos amarelos na face de cima da folha e um pó cor de ferrugem no verso. Ela é um fungo, e não um inseto, por isso inseticida não resolve. Como reconhecer e tratar está no guia de folhas amarelas da figueira.
Pragas da figueira em vaso dentro de casa e no quintal
Na figueira de vaso dentro de casa ou em estufa, as pragas comuns são a cochonilha, a cochonilha-farinhenta e o ácaro. O ar quente e seco favorece o ácaro, segundo a RHS. A figueira de vaso também pode pegar nematoide quando o vaso recebe terra de horta.
Na figueira de quintal aparecem também a broca, as moscas do figo, a lagarta-da-folha, a psila e o nematoide. Uma figueira regada e adubada na medida certa tolera melhor o ácaro, segundo a UC IPM. Regar, adubar e podar a planta toda está no guia de como cuidar da figueira.
Inseticida na figueira de casa: quando vale a pena
Quase nunca vale a pena. A Embrapa e a EPAMIG citam inseticidas, mas para pomar comercial, com produto registrado e prazo de carência. O prazo de carência é o tempo mínimo entre a aplicação e a colheita. Na figueira de casa, o figo é comido logo, e as medidas físicas deste guia resolvem a maior parte dos casos. O óleo contra a cochonilha, com a figueira sem folhas, é a exceção.
Perguntas frequentes
Que praga faz furos nas folhas da figueira?
Na Europa, a lagarta-da-folha (Choreutis nemorana) é uma das pragas de folha mais citadas pelas fontes de jardinagem. Ela raspa a folha até deixar só as nervuras e vive sob uma teia branca. A árvore adulta aguenta o dano sem tratamento. Abra as folhas enroladas e esmague as lagartas para reduzir o ataque.
Tem vespa dentro do figo?
Não, na figueira do tipo comum. Segundo a UF/IFAS, as variedades do tipo comum formam o figo sem polinização e não precisam da vespa polinizadora. A Embrapa classifica a Roxo de Valinhos, a variedade mais plantada no Brasil, como do tipo comum.
Óleo de neem resolve praga na figueira?
Nenhuma das fontes deste guia (Embrapa, EPAMIG, Epagri, INIAV, RHS) indica óleo de neem para a figueira, então não dá para dizer que resolve. A opção com respaldo é o óleo mineral contra a cochonilha, com a figueira sem folhas. Folha amarela com bichos que não saem pode ser cochonilha coberta por casca de cera. A ferrugem e a rega errada também amarelam a folha.
A praga da figueira passa para as outras plantas do jardim?
Depende da praga. O ácaro-rajado ataca tantas plantas que, segundo a RHS, poucas estão livres dele. Cada espécie de cochonilha tem as suas plantas preferidas. A lagarta-da-folha ataca a figueira. Arrancar a figueira não protege o canteiro: trate a praga onde ela está.
A figueira tem um bicho no tronco. O que fazer?
Casca rachada que seca e cai indica a broca-do-tronco, cuja larva vive sob a casca. A Embrapa indica destruir a larva dentro da galeria com um arame. Se a figueira definha e seca por inteiro, pode ser a seca-da-figueira. Nesse caso, a Embrapa manda arrancar a planta e esperar 1 ano para plantar outra figueira no local.
O que fazer hoje com a figueira atacada
Olhe a figueira em quatro lugares, nesta ordem: as pontas dos ramos, os figos, o verso das folhas e o tronco. Ponta murcha com excremento preso por teia é broca: corte abaixo do furo e queime o pedaço. Figo verde mole e bichado é mosca: recolha os figos caídos e cole um adesivo na abertura da ponta dos figos novos.
Folha com teia, pontinhos ou carocinhos pede primeiro água, escova e as mãos. O óleo só entra contra a cochonilha, com a figueira sem folhas. Se a figueira enfraquece sem sinal nenhum na folha, cave e olhe a raiz atrás de caroços.
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