Bloom
Guia

Adubo para palmeira: a proporção certa no vaso e no jardim

Adubo para palmeira de jardim leva mais potássio que nitrogênio, com magnésio e liberação lenta, espalhado sob a copa inteira a cada 3 meses. No vaso a conta é outra. Veja a fórmula, a dose, o que a folha diz e quando não adubar.

por Bloom 13 min de leitura
Adubo para palmeira: a proporção certa no vaso e no jardim

O adubo para palmeira de jardim tem mais potássio que nitrogênio, leva magnésio e solta os nutrientes devagar. A fórmula que a Universidade da Flórida (UF/IFAS) testou é 8-2-12 mais 4% de magnésio. Aplique esse adubo a cada 3 meses, espalhado por toda a área sob a copa. Palmeira de vaso segue outra conta: ali o nutriente que mais falta é o nitrogênio, e adubo demais queima a ponta das folhas.

Este guia vale para as palmeiras de vaso mais vendidas no Brasil: areca, ráfis, camedórea, kentia e fênix-anã. Vale também para as de quintal, como o coqueiro e a palmeira-imperial. Cada uma aparece com o nome científico na primeira vez que o texto fala dela.

Resumo rápido:

  • No jardim, potássio acima do nitrogênio. Adubo rico em nitrogênio força a palmeira a crescer sem potássio e magnésio suficientes, e isso provoca a falta dos dois.

  • No vaso, a falta mais comum é de nitrogênio. Falta de potássio é pouco comum em vaso. Use adubo de liberação lenta na dose do rótulo, só na primavera e no verão.

  • Espalhe o adubo sob a copa inteira. Adubo em espeto, em cova ou num círculo colado ao tronco chega a menos raízes e queima mais.

  • Ponta seca em folha velha de palmeira de vaso costuma ser sal de adubo. Lave a terra do vaso antes de pensar em adubar de novo.

  • Não corte as folhas de baixo amareladas. Na palmeira com falta de potássio, tirar essas folhas acelera o declínio.

Qual NPK usar em adubo para palmeira

Os três números do rótulo de qualquer adubo são o NPK: a porcentagem de nitrogênio (N), de fósforo (P) e de potássio (K), sempre nessa ordem. Um adubo 8-2-12 tem 8% de nitrogênio, 2% de fósforo e 12% de potássio. Para palmeira de jardim, a UF/IFAS recomenda o 8-2-12 com 4% de magnésio (Mg) e micronutrientes. Segundo a universidade, essa fórmula corrige deficiências leves e moderadas e impede que voltem (Broschat, UF/IFAS ENH1009).

A forma do nutriente decide se o adubo ajuda ou atrapalha. Segundo a mesma publicação, 100% do nitrogênio, do potássio e do magnésio precisam estar em liberação lenta. Liberação lenta é a forma em que o grânulo solta o nutriente aos poucos, durante semanas. A versão solúvel sai da terra com a primeira chuva forte. Cada nutriente solúvel lava num ritmo diferente, e a proporção entre eles muda dentro do solo. A palmeira precisa dessa proporção estável.

Adubo rico em nitrogênio provoca falta de potássio e de magnésio na palmeira de jardim. O nitrogênio alto faz a palmeira crescer rápido sem potássio e magnésio para sustentar esse crescimento, e ela passa a mostrar a falta dos dois. A UF/IFAS registra palmeiras mortas por falta de potássio depois de adubo de grama rico em nitrogênio. O adubo foi aplicado a 9 m (30 pés) de distância, de um lado só da planta. A raiz de uma palmeira grande se espalha por 15 m (50 pés) ou mais em volta do tronco.

Por isso, fórmula de proporções iguais, como o 10-10-10, não é a indicada para palmeira de jardim. Adubo com mais nitrogênio que potássio também não. Na embalagem, confira quatro coisas:

O que olhar no rótulo

O que a palmeira de jardim pede

Os três números (N-P-K)

Potássio maior que nitrogênio (como 8-2-12)

Magnésio (Mg)

Presente, perto de 4%

Forma do nutriente

"Liberação lenta" ou "liberação controlada" para N, K e Mg

Micronutrientes

Manganês, ferro e boro na lista

Sulfato de magnésio vendido em farmácia, o sal de Epsom, é magnésio solúvel. A UF/IFAS prefere a kieserita granulada, uma forma do mesmo sulfato que dissolve devagar.

Palmeira de vaso: outra fórmula, outra dose

Na palmeira de vaso, o nutriente que mais falta é o nitrogênio, e a falta de potássio é pouco comum. A terra de vaso é feita de casca de árvore e turfa, um material vegetal decomposto comum na terra vendida pronta. Os micro-organismos que decompõem esse material consomem nitrogênio e disputam esse nutriente com a raiz (Broschat, UF/IFAS ENH1010). Um adubo de folhagem com mais nitrogênio, de liberação lenta, funciona bem no vaso.

A areca (Dypsis lutescens) mostra essa falta com um sinal próprio: a base das folhas e o talo ficam dourados, e as folhas velhas ficam verde-claras por igual. A UF/IFAS atribui esse dourado à falta de nitrogênio. No vaso antigo, a falta é de magnésio. A mesma publicação diz que o magnésio do calcário misturado à terra acaba em cerca de 6 meses. A palmeira que passa anos no mesmo vaso começa a mostrar faixas amarelas nas bordas das folhas velhas.

Folha nova amarelada em palmeira de vaso quase nunca se resolve com adubo de ferro. A UF/IFAS explica que a terra velha se decompõe, fica compacta e sem ar, e a raiz sem ar não consegue absorver o ferro. O conserto é tirar a terra degradada e replantar em terra nova, sem trocar para um vaso muito maior.

A dose para dentro de casa ninguém mediu. A UF/IFAS usa a dose mais alta do rótulo em viveiro, onde a meta é a palmeira crescer rápido. Para a palmeira dentro de casa, a Universidade Estadual da Carolina do Norte (NC State) recomenda, espécie por espécie, adubar pouco:

  • Camedórea (Chamaedorea elegans): adubar de tempos em tempos na estação de crescimento e nada no inverno (NC State).

  • Kentia (Howea forsteriana): adubo de planta de interior com pouca frequência, e o de liberação lenta é o ideal (NC State).

  • Ráfis (Rhapis excelsa): adubo equilibrado de liberação lenta na estação de crescimento (NC State).

A instrução mais segura para a palmeira na sala segue a NC State. Use adubo de liberação lenta na menor dose do rótulo, na primavera e no verão. Reaplique só quando vencer o prazo escrito na embalagem, sem adubar no inverno. Outras plantas de folhagem de vaso também pedem dose baixa e pausa no frio: o guia de adubo para lírio da paz indica quatro aplicações por ano a um quarto da força.

As palmeiras de vaso deste guia, com rega, luz e porte de cada uma:

Palmeira no jardim ou no quintal: onde e quanto aplicar

Espalhe o adubo por igual em toda a área sob a copa, e não num círculo perto do tronco. A UF/IFAS explica que o nutriente desce na terra e quase não anda para os lados. Adubo concentrado em cova, em espeto ou numa faixa ao redor do tronco só alcança a pequena parte da raiz logo embaixo dele. E queima essas raízes com mais facilidade.

Adubo granulado espalhado por igual sobre a terra em todo o círculo sob a copa de um coqueiro no quintal, sem acúmulo junto ao tronco
O adubo cobre todo o chão que fica embaixo das folhas, com a mesma quantidade perto do tronco e na borda da sombra.

A dose da UF/IFAS para o sul da Flórida é de 1,5 libra do adubo 8-2-12 por 100 pés quadrados de copa. Isso dá cerca de 70 g por m², a cada 3 meses. Para medir a área, pense no círculo de chão que fica embaixo das folhas. Nas regiões mais frias da Flórida, a UF/IFAS diz que dá para pular a aplicação de inverno e usar doses menores. O número foi medido em solo arenoso, que perde nutriente rápido. Ninguém mediu a dose certa para terra argilosa, que segura mais nutriente: nesse caso, comece pela dose menor do rótulo.

No quintal, a primeira folha a mostrar falta de potássio é sempre a de baixo, a mais velha (Broschat, UF/IFAS ENH1017). No coqueiro (Cocos nucifera), o começo são pintas amarelas ou alaranjadas translúcidas nos folíolos, que são as tiras da folha. Depois a ponta e a borda secam. O sintoma é sempre mais forte na ponta da folha do que perto do tronco.

A falta de potássio é a primeira causa de morte das palmeiras-imperiais (gênero Roystonea) nos jardins do sul da Flórida, segundo a UF/IFAS. A veitchia e a palmeira-real-australiana (Archontophoenix) estão entre as mais resistentes a essa falta.

Não corte as folhas de baixo amareladas. A UF/IFAS cita um estudo em fênix-anã (Phoenix roebelenii): tirar as folhas velhas com falta de potássio acelerou o declínio da palmeira. Segundo a universidade, esse corte pode matar a palmeira antes da hora. Para a UF/IFAS, a gravidade da falta de potássio se mede pelo número de folhas vivas na copa, e não pelo número de folhas manchadas.

Quando e quanto adubar: vaso e jardim lado a lado

Palmeira de vaso (dentro de casa)

Palmeira de jardim

Fórmula

Adubo de folhagem, nitrogênio pode ser o maior número

Potássio maior que nitrogênio, com magnésio (8-2-12 + 4 Mg)

Forma

Liberação lenta

Liberação lenta para N, K e Mg

Dose

A menor do rótulo

Cerca de 70 g por m² de copa (medido na Flórida)

Frequência

Quando vencer o prazo do rótulo, só na primavera e no verão

A cada 3 meses

Inverno

Não adubar

Pode pular onde o inverno esfria

Onde aplicar

Sobre a terra, longe da base

Espalhado por toda a área sob a copa

O que a folha diz sobre o adubo da palmeira

A folha mais velha e a folha mais nova mostram faltas diferentes. Potássio, magnésio e nitrogênio aparecem primeiro nas folhas de baixo, porque a palmeira tira esses nutrientes da folha velha para mandar à nova. Ferro e manganês aparecem primeiro na folha nova, do centro da copa.

Onde aparece

Como é

Provável causa

O que fazer

Folhas velhas

Pintas amarelas ou laranja translúcidas, ponta seca e enrolada, pior na ponta da folha

Falta de potássio

Adubo com mais potássio, com magnésio; não cortar a folha

Folhas velhas

Faixa amarelo-limão larga na borda, centro da folha bem verde, sem parte seca

Falta de magnésio

Adubo com magnésio de liberação lenta

Folhas velhas, depois a copa toda

Verde-claro por igual; talo dourado na areca

Falta de nitrogênio

Adubo com nitrogênio

Folha nova

Amarela por igual, às vezes com nervuras mais verdes

Raiz sem ar, terra velha ou encharcada

Corrigir a terra e a rega; ferro raramente resolve

Folha nova

Amarela com estrias secas, pior na base da folha

Falta de manganês

Sulfato de manganês na terra

Folhas velhas de palmeira de vaso

Ponta seca, às vezes crosta branca na terra

Sal de adubo acumulado

Lavar a terra do vaso

A diferença entre magnésio e potássio está em onde o amarelo fica. No magnésio, a faixa amarela é igual da base à ponta da folha e nunca vem com parte seca (Broschat, UF/IFAS ENH1014). No potássio, o amarelo vai piorando em direção à ponta. A folha amarela na palmeira tem outras causas além do adubo, e o guia de folhas amarelas na palmeira separa cada padrão por espécie.

O resultado demora. Na falta de nitrogênio, a UF/IFAS espera a folhagem voltar a ficar verde em 1 ou 2 meses. Na falta de potássio, a recuperação leva de 1 a 3 anos, porque a copa inteira precisa ser trocada por folhas novas sem sintoma.

Ponta seca na palmeira de vaso: excesso de adubo

A palmeira com excesso de sal na terra mostra a ponta dos folíolos das folhas velhas seca e marrom (Broschat, UF/IFAS ENH1011). O sal vem do adubo em excesso ou da água de rega, e a raiz queimada também faz as folhas novas amarelarem ou murcharem. Quando a ponta seca vem do sal, adubar mais aumenta o sal na terra e piora a queimadura.

Para lavar a terra, leve o vaso para o tanque ou o chuveiro e regue devagar até a água escorrer pelo furo. Repita a lavagem algumas vezes seguidas, como indica a UF/IFAS quando o sal já se acumulou. Depois, deixe a água escorrer toda e não devolva o vaso ao pratinho cheio.

Para o sal não voltar, a UF/IFAS recomenda adubo de baixo teor de sal, só na dose do rótulo. Em toda rega, um pouco de água deve escorrer pelo furo. A crosta branca na superfície da terra ou na borda do vaso é o sinal visível desse acúmulo:

Quando não adubar a palmeira

Não adube palmeira doente, murcha ou com a terra sempre molhada. Adubo não recupera raiz: raiz podre ou queimada absorve pouco, e o sal do adubo piora a queimadura. A UF/IFAS registra que podridão de raiz e excesso de sal aparecem em cima como folha nova amarelada, que é fácil de confundir com fome.

As mosquinhas pretas que voam em volta do vaso são mosquinhas-do-fungo. Segundo a Universidade Estadual do Colorado, elas vivem na terra úmida. O principal controle é deixar secar os 2,5 a 5 cm de cima da terra entre as regas (CSU Extension). Corrija a rega primeiro e só volte a adubar quando a palmeira soltar uma folha nova saudável.

Palmeira recém-comprada também não precisa de adubo. No viveiro, a palmeira de vaso recebe adubo de liberação lenta na dose alta do rótulo, segundo a UF/IFAS. As bolinhas coloridas na terra de muitas palmeiras compradas são esse adubo: enquanto elas estiverem ali, não adube.

Adubo caseiro e orgânico para palmeira

Nenhuma receita caseira entrega a proporção de potássio e magnésio que a palmeira de jardim precisa. Duas delas, o esterco e a borra de café crua, atrapalham. O que decide o resultado é a proporção entre os nutrientes e a liberação lenta, não se o adubo é orgânico ou mineral. As fontes que a UF/IFAS testou em palmeira são minerais de liberação lenta. Nenhuma das publicações dela usadas neste guia mediu adubo orgânico em palmeira.

Esterco. A UF/IFAS manda evitar esterco e lodo de esgoto compostado perto de palmeiras, no trecho sobre falta de manganês. A universidade cita um estudo próprio sobre composto que prende esse nutriente. Esterco curtido aparece muito como adubo orgânico de palmeira, mas este guia segue a UF/IFAS nesse ponto: é a única das fontes consultadas que mediu adubação em palmeira.

Borra de café. A borra tem potássio: é o mineral que aparece em maior quantidade nela, segundo a Universidade Estadual de Washington (WSU). O problema é físico: a borra é fina, compacta com facilidade e atrapalha a passagem de água e de ar na terra. A WSU recomenda compostar a borra antes de usar, em no máximo 20% do volume da composteira (WSU Extension FS207E).

Casca de ovo. A casca é quase só cálcio, e em pedaços grandes leva pelo menos um ano para liberar esse cálcio. Um estudo citado pela Universidade de Illinois achou a casca triturada à mão "pouco melhor que nada", e só o pó fino funcionou (Illinois Extension). Na palmeira há um motivo a mais para não insistir. A UF/IFAS lista o excesso de cálcio em relação ao potássio entre as causas da falta de potássio.

Casca de banana. A casca de banana tem potássio, mas ninguém mediu quanto dele chega à palmeira. A opção mais segura é levar a casca para a composteira em vez de enterrar crua junto ao tronco.

A fórmula, a dose e até o sintoma mudam de uma palmeira para outra. Muita palmeira de vaso chega à casa sem nome na etiqueta. O Bloom identifica a espécie por uma foto da folha no iPhone. Com o nome certo, você sabe se tem uma areca, que mostra a falta de nitrogênio no talo, ou uma kentia, que pede pouco adubo.

Perguntas frequentes

Posso usar adubo NPK 10-10-10 em palmeira?

Em palmeira de vaso, um adubo equilibrado de liberação lenta funciona, porque ali a falta mais comum é de nitrogênio. Em palmeira de jardim, a UF/IFAS recomenda mais potássio que nitrogênio (8-2-12), com 4% de magnésio. Adubo com nitrogênio igual ou maior que o potássio pode provocar falta de potássio e de magnésio no solo que perde nutriente com a chuva.

Sal de Epsom sozinho resolve a palmeira amarelada?

Só se o problema for falta de magnésio, com faixa amarela larga na borda da folha velha e centro verde. O sal de Epsom é sulfato de magnésio solúvel e sai da terra com a chuva, e a UF/IFAS prefere a kieserita, de dissolução lenta. Magnésio sozinho não corrige falta de potássio, que é a mais comum em palmeira de jardim.

Quanto tempo a palmeira leva para responder ao adubo?

Depende do nutriente que faltava. Na falta de nitrogênio, a UF/IFAS espera a folhagem voltar a ficar verde em 1 ou 2 meses. Na falta de potássio, leva de 1 a 3 anos, porque as folhas manchadas não voltam a ficar verdes: a copa precisa ser trocada por folhas novas. Não corte as velhas nesse período.

Adubo em espeto (spike) funciona em palmeira?

Funciona pior que o adubo espalhado. Segundo a UF/IFAS, o nutriente desce na terra e quase não se espalha para os lados. O espeto só alimenta a raiz logo abaixo dele e queima essa raiz com mais facilidade. A mesma quantidade espalhada por toda a área sob a copa chega a muito mais raízes.

A conta certa em cada caso

Na palmeira de jardim, o adubo certo tem mais potássio que nitrogênio, leva magnésio e solta tudo devagar, espalhado sob a copa a cada 3 meses. Na palmeira de vaso, use a menor dose do rótulo na primavera e no verão. Ponta seca pede lavar a terra antes de adubar mais. Rega, luz e escolha de vaso estão no guia de como cuidar de palmeira. A suculenta de vaso também sofre com adubo demais: o guia de adubo para suculentas mostra por que dose alta com frequência curta estraga a planta.

Artigos relacionados