
Plantify ou Bloom: qual é o melhor app pra identificar e cuidar das suas plantas?
Quem já leu outros textos meus sabe que o Bloom é o app que mora no meu celular desde que eu cansei de ser a assassina oficial de suculentas da família. Mas nas últimas semanas o Plantify resolveu aparecer pra mim em todo canto, com aqueles 4 milhões de usuários no anúncio, e eu fiquei com a pulga atrás da orelha: será que estou perdendo alguma coisa? Fiz então o que eu sempre faço nessas horas: baixei, usei com as minhas plantas de verdade, fucei em cada cantinho durante duas semanas e voltei pra te contar como foi. Se você também está na dúvida entre os dois, senta que esse texto é pra você.
Resumo pra quem está com pressa
A versão curtinha, sem ordem de favoritismo:
Você quer identificar uma planta e receber uma ficha completa, que parece uma miniaula: Bloom.
Você também quer identificar cogumelo, e não só planta: Plantify, esse foi o recurso que mais me surpreendeu nele.
Você é iniciante e quer um app que te acolhe, com um personagem fofo te acompanhando: Bloom.
Você gosta da ideia de conversar com um assistente que responde suas dúvidas por escrito, como numa conversa: Plantify.
Você tem várias plantas e quer tudo organizado por cômodo da casa: Bloom.
Você tem gato, cachorro ou criança pequena em casa e precisa saber se a planta é tóxica: Bloom, ele avisa logo na ficha.
Você nunca sabe quanta água colocar: Bloom, que fala em mililitros em vez de "regue quando o solo secar".
Você quer um app em português: respira aliviada, os dois falam a nossa língua.
Agora deixa eu te contar como foi a convivência com cada um, porque resumo nenhum substitui o dia a dia.
Como foi voltar pro Bloom com olhar de comparação
O oi que continua me ganhando
Mesmo já conhecendo o Bloom, abrir o app de novo pra essa comparação me lembrou por que ele ficou. A primeira coisa que aparece é o Pip, um personagenzinho 3D que parece uma plantinha de olhos grandes, te recebendo como quem abre a porta de casa. Pode parecer detalhe, mas quando você chega nesse mundo se sentindo incapaz de manter um cacto vivo, ser recebida assim muda o clima da experiência inteira.

Tela de boas-vindas do Bloom com o Pip
E o começo continua gostoso porque ele não me pede nada: depois do oi do Pip vêm umas telas curtinhas contando o que o app faz, identificar planta em segundos, lembrar da hora de regar, descobrir o que a planta doente tem, mais a taxa de acerto e a nota 4,8 que a comunidade deu, com depoimentos de quem usa. Terminou, é só apontar a câmera. Já contei isso antes e sigo achando bom ser recebida por um app que se apresenta em vez de me entrevistar.
A identificação que vira aula
Apontei a câmera pra minha costela-de-adão, a cobaia oficial dos meus testes, e o Pip apareceu com a lupinha dele, investigando a foto. Segundos depois veio o resultado, com porcentagem de correspondência, nome popular e nome científico, e as abas de visão geral, cuidados e botânica logo abaixo. A lista de espécies passa de 35 mil e ele acerta cerca de nove em cada dez vezes, número que já foi conferido em teste independente, e nas duas semanas ele não escorregou comigo nenhuma vez.

Pip investigando a planta na tela de identificação do Bloom

Resultado da identificação da costela-de-adão no Bloom
Na mesma tela já vêm frequência de rega, tipo de luz, faixa de temperatura e umidade ideal. E tem duas coisas que eu passei a olhar antes de qualquer outra: o aviso de toxicidade para gatos, cachorros e crianças, que resolve na hora a dúvida de deixar ou não a planta ao alcance de quem mora com você, e a quantidade de água em mililitros, calculada pro tamanho do vaso e pro lugar onde a planta está. Tem até um botão pra recalcular quando você troca a planta de vaso. Foi lendo essas fichas que eu parei de regar no chute e que a samambaia da janela da cozinha, sobrevivente de tantas histórias minhas, segue firme até hoje.

Ficha da planta com pontuação de saúde e rega em mililitros
Meu jardim, do jeito que a minha cabeça funciona
Quando você salva uma planta, o Bloom pergunta em que cômodo ela mora e ajusta os cuidados pra luz daquele canto. A aba do jardim mostra todo mundo em lista, e o próprio cartão avisa quando a rega está atrasada. Cada planta ganha uma pontuação de saúde de 0 a 100, que sobe e desce conforme você mantém os cuidados em dia, e eu confesso que fico competindo comigo mesma pra ver a nota da costela-de-adão subir. Abrir essa tela de manhã virou hábito, junto com o café.

Jardim do Bloom com aviso de rega atrasada
Do lado de fora do jardim tem a agenda de cuidados, que separa o que está atrasado, o que é de hoje e o que vem pela frente, e guarda o que já foi feito. Não é só rega: entram adubação, poda, rotação do vaso, replantio e até a foto de acompanhamento, que vai montando um histórico visual de cada planta. Rever as fotos da minha zamioculca de três meses atrás foi a coisa mais satisfatória do mês.

Agenda de cuidados do Bloom
E os guias continuam sendo o meu mimo favorito: textos detalhados sobre rega, luz, solo, temperatura, vaso ideal e propagação de cada espécie, mais uma parte botânica com classificação, simbolismo e floração. O guia do alecrim, que me fisgou lá atrás, segue sendo o exemplo que eu dou pra todo mundo.
Como foi conhecer o Plantify
Uma chegada que impressiona pelos números
A primeira tela do Plantify é bonita e direta: "Bem-vindo ao Plantify", uma foto linda de costela-de-adão (coincidência que me fez sorrir) e um selo dizendo que mais de 4 milhões de pessoas usam o app. Esse tanto de gente junto passa confiança logo de cara, e o app inteiro é em português, o que já o coloca na frente de muito concorrente famoso.

Tela de boas-vindas do Plantify
Dois avisos sinceros sobre o começo. Primeiro: antes mesmo do oi, aparece uma janelinha do iPhone pedindo permissão pra acompanhar sua atividade em outros aplicativos. Você pode recusar numa boa, mas confesso que ser recebida com essa pergunta me deixou com um pé atrás que o app precisou desfazer depois. Segundo: o questionário inicial é comprido. Ele pergunta seu objetivo, sua maior dificuldade, seu nível de experiência, que avisos você quer receber e até onde você ouviu falar do app, e fecha com uma tela de "analisando suas respostas" com porcentagem subindo. Nada disso é difícil, só achei que demorou um tiquinho a mais pra me deixar entrar e brincar.
A tela inicial é um canivete suíço
Passada a chegada, o Plantify começou a me conquistar. A tela principal é limpa e organizada: identificar planta, diagnosticar planta doente e, olha que curioso, identificar cogumelo. Eu nunca tinha visto isso em app de planta. Testei com um cogumelinho atrevido que apareceu no vaso da samambaia depois de uma semana chuvosa e ele identificou na hora. Não muda a minha vida, mas é o tipo de recurso que diverte e pode ser útil pra quem faz trilha ou tem quintal.

Tela inicial do Plantify com as ferramentas de identificação
Mais embaixo ficam as ferramentas de cuidado: lembrete de rega, medidor de luz pra saber se aquele canto da sala é claro o suficiente, e por aí vai. É um conjunto generoso de funções num lugar só.
O botânico que conversa com você
O recurso mais simpático do Plantify é o Botânico AI, uma janela de mensagens em que você descreve o problema da sua planta e ele responde como numa conversa mesmo. Contei pra ele do meu manjericão dramático e ele foi perguntando o nome da planta, os sintomas, com direito a elogiar o nome que eu inventei. É útil quando a sua dúvida não cabe numa foto, tipo "posso deixar essa planta na varanda no inverno?".

Chat com o Botânico AI no Plantify
A observação sincera: é ótimo pra tirar dúvida, mas a resposta vem no ritmo de conversa, pergunta daqui, resposta dali. No Bloom, quando a planta está doente, você mostra a foto e recebe o diagnóstico com o passo a passo do que fazer, e a ficha da espécie ainda lista os riscos de doença separados em alto, moderado e baixo, então dá pra saber o que vigiar antes de o problema aparecer. São dois jeitos diferentes de pedir socorro, e eu me sinto mais amparada no segundo.
Comparando ponto a ponto
Identificação pela foto
Os dois identificam bem. Coloquei costela-de-adão, samambaia, manjericão e zamioculca na frente dos dois e ninguém errou. A diferença está no que vem depois do nome: o Bloom entrega aquela ficha recheada, com porcentagem de correspondência, cuidados, botânica e o alerta de toxicidade pra pet e criança, enquanto o Plantify entrega uma resposta mais direta ao ponto. E o Plantify tem o trunfo dos cogumelos, que o Bloom não tem. Se você quer aprender sobre cada planta que descobre, o Bloom é mais generoso. Se você quer velocidade e variedade de coisas pra identificar, o Plantify se defende bem.
Cuidado no dia a dia
Aqui pesa o jeito de cada um organizar a casa. O Bloom pergunta em que cômodo cada planta mora, ajusta os cuidados pra aquela luz, avisa a rega atrasada no cartão da planta e junta tudo numa agenda com o que está atrasado, o que é de hoje e o que vem depois. O Plantify tem os lembretes e o medidor de luz, que é uma graça pra decidir onde colocar a planta nova, mas a organização das plantas é mais simples. Vale dizer que o Bloom também mede luz, num menu de ações rápidas que ainda traz diagnóstico de doença, identificação de erva daninha, checagem de toxicidade e necessidade de água. Com muitas plantas espalhadas pela casa, foi o Bloom que não me deixou esquecer ninguém.

Menu de ações rápidas do Bloom
Aprender enquanto cuida
O Bloom leva esse ponto com tranquilidade: os guias de cuidado e a parte botânica são o tipo de conteúdo que você lê até o fim sem perceber. O Plantify compensa com o Botânico AI, que responde dúvidas pontuais na hora. Eu diria que o Bloom é o professor que prepara a aula e o Plantify é o colega que responde mensagem rápido. Os dois têm valor, mas aula bem dada fica na memória.
Clima e personalidade
O Plantify é limpo, verdinho, organizado, com cara de assistente eficiente. O Bloom é colorido e afetivo, com o Pip te acompanhando como mascote e cúmplice. Nenhum dos dois erra aqui, é questão de combinar com você. Eu, que cheguei nesse mundo precisando mais de incentivo do que de eficiência, continuo me encontrando no Bloom.
Como cada um libera o acesso
Essa parte me chamou atenção na comparação. No Bloom você entra, vê o que ele sabe fazer, identifica planta e ainda adiciona duas plantas ao seu jardim sem assinar nada, então dá pra sentir o app funcionando com as suas plantas de verdade antes de decidir qualquer coisa.
O Plantify segue outro caminho: depois daquele questionário comprido, ele mostra a tela de planos e pede que você assine antes de abrir o que sabe fazer. Não é nenhum crime, muito app faz isso, só me incomodou ter que decidir sobre um app que eu ainda não tinha visto por dentro.
Pra quem é cada app?
O Bloom é pra você se...
Você está começando e quer um app que te acolhe em vez de te avaliar. Você quer que cada identificação venha com ficha completa, aviso de toxicidade pra gato, cachorro e criança e a rega em mililitros, sem chute. Você tem plantas espalhadas pela casa e quer tudo organizado por cômodo, com agenda de cuidados e pontuação de saúde. Você gosta de acompanhar a evolução das suas plantas por fotos.
O Plantify é pra você se...
Você quer um canivete suíço: identificar plantas, cogumelos, medir luz e conversar com um assistente, tudo num app só. Você gosta de tirar dúvidas escrevendo, como quem manda mensagem. Você prefere um visual mais neutro e direto, sem mascote.
Minha conclusão honesta
No fim das duas semanas, a minha resposta pra aquela pulga atrás da orelha é essa: o Plantify é um bom app, melhor do que eu esperava quando o anúncio dele começou a me perseguir. O Botânico AI é simpático, o medidor de luz é útil e a identificação de cogumelo me arrancou um "olha que chique". Se ele tivesse aparecido na minha vida antes, talvez a história fosse outra.
Mas ele apareceu depois, e o lugar já estava ocupado. O Bloom continua sendo o app que eu abro de manhã junto com o café, porque ele faz as coisas do jeito que me prende: a identificação que vira aula, o jardim organizado por cômodo, a agenda que não me deixa esquecer ninguém, a água contada em mililitros e as fotos que mostram a planta melhorando com o tempo. O Plantify me visitou por duas semanas e foi uma visita agradável. O Bloom mora aqui.
Se você ainda está em dúvida, comece pelo que dá pra experimentar sem compromisso: baixa o Bloom, identifica uma planta, coloca ela no jardim e sente se aquele jeito de cuidar combina com o seu.
E se um dia a sua samambaia voltar a parecer feliz, eu fico feliz junto.
Este review foi escrito depois de usar os dois apps na prática, em um iPhone. Recursos e telas podem mudar conforme a região e a época em que você baixar.