
PlantMe ou Bloom: qual é o melhor app de plantas pra você?
Esses dias eu estava fazendo aquela faxina de domingo no celular quando me dei conta de uma coisa: a pasta "Plantas" do meu iPhone já tem mais moradores do que a minha estante de vasos. Quem acompanha meus reviews sabe como essa história começou, com uma fileira de suculentas que não sobreviveram a mim e uma samambaia na janela da cozinha que virou meu projeto de redenção. Pois bem, o teste da vez nasceu de uma busca minha na loja de aplicativos por apps de planta que falassem português, e foi assim que o PlantMe entrou na roda pra encarar o Bloom, que vocês já conhecem bem das minhas outras resenhas.
Usei os dois com as minhas plantas de verdade, na minha rotina de verdade, e esse texto é o que eu te contaria se a gente estivesse conversando na varanda, com a costela-de-adão de testemunha.
Resumo pra quem está com pressa
A versão rapidinha, sem ordem de favoritismo:
Você quer fazer um tour pelo app antes de decidir se assina: com o Bloom, dá pra entrar, fuçar e identificar sem compromisso.
Você precisa saber se a planta nova é perigosa pro gato ou pra criança pequena que engatinha na sala: Bloom.
Você quer que tudo, da primeira tela à tela de assinatura, esteja em português: Bloom.
Você curte a ideia de uma comunidade de plantas dentro do app: PlantMe, que tem uma aba só pra isso.
Você quer identificar uma planta e sair com uma ficha completa, quase uma miniaula: Bloom.
Você gosta de receber dicas práticas de como fotografar a planta pra acertar de primeira: o PlantMe capricha nesse detalhe.
Você quer cuidado organizado por cômodo, com uma agenda que mostra o que ficou atrasado: Bloom.
Agora deixa eu te contar como foi a convivência com cada um, que é o que de fato pesa na hora de escolher.
Como foi conhecer o Bloom
A visita que começa com um "oi"
Pra quem está chegando agora: o Bloom abre com o Pip, um personagenzinho 3D que parece uma plantinha de olhos grandes e te recebe como visita esperada. Nas primeiras telas ele mostra o que o app faz: identificar planta em segundos, lembrar da rega, diagnosticar doença. Depois vem a taxa de acerto, confirmada em validação independente, e a nota que a comunidade deu, com depoimento de quem já usa. Aí ele libera e você entra usando. Nada de entrevista antes, nem pergunta sobre quantas plantas eu tenho ou qual é o meu nível de habilidade.

Tela de boas-vindas do Bloom com o Pip
O detalhe que eu sempre faço questão de registrar: o Bloom te deixa entrar e usar sem te prender em nada logo de cara. Dá pra explorar, identificar planta e ainda colocar as duas primeiras moradoras no jardim sem assinar. Pode parecer pouco, mas você vai entender daqui a pouco por que isso virou assunto nesse comparativo.
A ficha que vale por uma aula
Apontei a câmera pra costela-de-adão, o Pip apareceu com a lupinha investigando, e segundos depois veio a ficha: porcentagem de correspondência, nome popular, nome científico e três abas separando visão geral, cuidados e botânica. Na mesma tela já aparecem rega, luz, faixa de temperatura e umidade ideal, e logo abaixo a informação que eu passei a olhar antes de qualquer outra: toxicidade para gatos, cachorros e crianças. É o tipo de resposta que já sai da tela com o nome e com o que fazer a partir dali. Foi com essas fichas que eu aposentei de vez a rega no chute.

Ficha completa de uma planta no Bloom
Rega em mililitros e nota de saúde
Essa é a parte que mais mudou o meu dia a dia desde as primeiras resenhas. Quando a planta já está salva no jardim, o Bloom não diz só "regue hoje". Ele calcula a quantidade em mililitros considerando a espécie, o tamanho do vaso e o lugar onde ela mora, e ainda tem um botão pra recalcular se você mudar a planta de vaso ou de canto. No começo eu achei exagero. Depois de duas semanas medindo com o copo, entendi que meu problema nunca foi esquecer de regar, era regar demais.
Junto disso vem a pontuação de saúde, de 0 a 100, que sobe e desce conforme você mantém os cuidados em dia. A samambaia da cozinha começou com uma nota que eu não vou revelar aqui e hoje anda na casa dos noventa.

Tela da planta no Bloom com pontuação de saúde e quantidade de rega
Cada planta no seu cômodo
Quando você salva uma planta, o Bloom pergunta em qual cômodo ela mora e ajusta os lembretes pra luz daquele canto. A aba do jardim mostra todo mundo em fila, com aviso de rega atrasada no próprio cartão, e a agenda de cuidados separa o que passou do prazo, o que é pra hoje, o que vem pela frente e o que você já concluiu. Não é só rega: entram adubação, poda, rotação do vaso, replantio e até a foto de acompanhamento. O manjericão, que já quase me deixou na saudade uma vez, hoje é regado no dia certo porque o app cutuca.

Aba do jardim no Bloom com a lista de plantas
Leitura boa em português
O Bloom tem guias de cuidado detalhados pra cada espécie, escritos em linguagem de gente, no nosso idioma: rega, luz, solo, temperatura, vaso ideal e propagação. Depois ainda vem a parte botânica, com classificação, simbolismo e época de floração. O de alecrim continua sendo o meu preferido. É o tipo de conteúdo que transforma ferramenta em companhia.

Guia de cuidados essenciais no Bloom
Como foi conhecer o PlantMe
Um começo bonito de ver
O PlantMe abre com telas grandes e fotografias lindas: uma dália rosa preenchendo a tela inteira pra apresentar a identificação de plantas, depois uma suculenta sendo fotografada pra mostrar o diagnóstico de doenças, e uma prévia da comunidade, que funciona como um mural de fotos e perguntas de outros donos de planta. Visualmente, é um dos começos mais bonitos que eu já vi nessa categoria, e tudo em português até ali.

Tela de apresentação da identificação no PlantMe
A porta só abre pra quem assina
E aqui vem o capítulo que mudou o tom da minha visita. Logo depois dessas telas de apresentação, o PlantMe pede a assinatura e, por mais que eu procurasse, não achei um caminho pra entrar no app sem começar uma. É pegar ou largar antes mesmo de ver a primeira folha por dentro. E tem um detalhe que me incomodou de verdade: essa tela, justamente a mais importante da conversa, aparece toda em inglês. "Become a Plant Expert". O app me recebeu em português, me conquistou em português e, na hora de fechar o compromisso, trocou de idioma. Pra quem não lê inglês, é fácil aceitar uma condição sem entender direito o combinado.
Lá dentro, ele é simpático
Assinei pra poder te contar o resto, e admito que do lado de dentro a experiência melhora. Antes de liberar a câmera, o app explica por que precisa dela e ainda mostra uma tela de "Dicas de Captura" com exemplos do que funciona e do que atrapalha: foto muito de perto, muito de longe, várias espécies juntas, imagem tremida. Achei uma aula rápida e útil, do tipo que evita frustração na primeira tentativa.

Dicas de captura de foto no PlantMe
A tela inicial também agrada: "Tarefas para hoje" no topo, o "Meu jardim" logo abaixo e abas pra comunidade, identificação, diagnóstico e ferramentas. É limpa, organizada e volta a falar português. A comunidade é um diferencial simpático, dá pra ver fotos e dúvidas de outros usuários, embora boa parte das publicações que eu encontrei estivesse em inglês também.

Tela inicial do PlantMe
Comparando ponto a ponto
Identificação de planta pela foto
Os dois identificam bem, e o PlantMe ainda ganha pontos pelas dicas de foto antes da câmera. A diferença está no que vem depois do clique. O PlantMe entrega o nome e as informações de cuidado; o Bloom entrega aquela ficha generosa, com porcentagem de correspondência, propagação, riscos de doença separados por gravidade, toxicidade e contexto que dá gosto de ler. Se a sua pergunta é só "que planta é essa?", os dois resolvem. Se a pergunta é "e como eu cuido dela a partir de hoje?", o Bloom responde com mais capricho.
Cuidado no dia a dia
Os dois têm lembretes e lista de tarefas do dia, e isso é ótimo. O que pesou pra mim foi a organização: o Bloom separa as plantas por cômodo, ajusta o cuidado pra luz de cada canto da casa e ainda me diz quanta água colocar, em mililitros. No PlantMe, o jardim é uma lista única, funcional, mas sem essa camada de contexto. Pra quem tem três vasos, tanto faz. Pra quem tem planta na sala, no quarto e na cozinha, faz diferença no fim da semana.
Idioma e clareza
Esse ponto eu preciso tratar com a seriedade de quem já viu gente assinando coisa sem querer. O Bloom é em português do começo ao fim, das telas de boas-vindas do Pip aos guias de botânica. O PlantMe mistura: a apresentação e o uso diário em português, a tela de assinatura e parte da comunidade em inglês. Não é detalhe, porque é justamente na hora de assumir um compromisso que a gente mais precisa entender tudo.
Diagnóstico e extras
Os dois diagnosticam doença pela foto, e nos dois isso funcionou bem nos meus testes com folhas suspeitas. O PlantMe soma a comunidade, que o Bloom não tem nesse formato. O Bloom soma um menu de ações rápidas que eu uso mais do que imaginava: medir a luz de um canto da casa, identificar uma erva daninha que apareceu no vaso, checar toxicidade e conferir necessidade de água. E soma também o histórico de cuidados com fotos de progresso, que é onde eu vejo a samambaia de três meses atrás e a de hoje lado a lado.
Como cada um libera o acesso
Esse foi o ponto que mais mexeu comigo nesse comparativo, então vale uma seção só.
O PlantMe pede que você inicie uma assinatura antes de ver o app por dentro. Não achei caminho pra contornar isso: ou você aceita, ou fica na porta olhando as fotos bonitas da apresentação.
O Bloom faz o contrário. Dá pra entrar, conversar com o Pip, identificar planta e colocar duas plantas no jardim sem assinar nada. É pouco? Depende de você. Pra mim foi o suficiente pra descobrir se o app combinava com a minha rotina antes de decidir qualquer coisa, e é assim que eu gosto de ser tratada por um aplicativo.
Pra quem é cada app?
O Bloom é pra você se...
Você quer experimentar antes de assinar, sem pressa e sem pegadinha. Você quer tudo em português, das primeiras telas aos guias de cuidado. Você tem plantas espalhadas pela casa e quer cada uma no seu cômodo, com lembrete certeiro, quantidade de água na medida e fichas que ensinam de verdade. E você quer saber, antes de comprar, se aquela folha bonita é perigosa pro seu gato.
O PlantMe é pra você se...
Você gosta da ideia de uma comunidade de plantas no mesmo app, com fotos e dúvidas de outros usuários. Você aprecia as dicas de foto antes de apontar a câmera. Você lê inglês sem sofrimento e não se importa de assinar antes de explorar.
Minha conclusão honesta
O PlantMe me surpreendeu em vários momentos: as telas de abertura são lindas, as dicas de foto são uma gentileza rara e a comunidade tem um clima gostoso de vizinhança. Dá pra ver que existe um bom app ali dentro.
O problema é que ele guarda esse bom app atrás de uma decisão que você precisa tomar no escuro, e em outro idioma. E quando eu comparo com a experiência de chegar no Bloom, ser recebida pelo Pip, identificar a costela-de-adão, ver na hora que ela é tóxica pro gato da minha irmã, fuçar tudo com calma e só então decidir se valia assinar, a diferença de respeito pelo meu tempo fica difícil de ignorar. No fim das contas, foi o Bloom que continuou no meu celular, me lembrando da rega da samambaia com a medida certa e me fazendo ler sobre alecrim sem perceber a hora passar.
Se você quer a comunidade, lê inglês numa boa e topa assinar antes de espiar, o PlantMe cumpre o combinado. Se você quer um app que primeiro conquista e depois pede, que fala a sua língua do oi ao último guia de cuidado, o Bloom é a minha indicação. As plantas da cozinha, mais uma vez, assinam embaixo.
E se um dia a sua samambaia voltar a parecer feliz, eu fico feliz junto.
Este review foi escrito depois de usar os dois apps na prática, em um iPhone. Recursos, telas e idiomas podem mudar conforme a região e a época em que você baixar.