Bloom
Guia

Como regar espada-de-são-jorge: quanta água, por onde e o que fazer com o prato

A espada-de-são-jorge leva água na terra, perto da borda do vaso, até a água começar a sair pelo furo. O centro das folhas fica seco e o prato fica vazio depois de 15 minutos. Veja quanto isso dá no seu vaso e o que fazer com cachepô, rega por baixo e terra seca demais.

por Bloom 13 min de leitura
Como regar espada-de-são-jorge: quanta água, por onde e o que fazer com o prato

Para regar a espada-de-são-jorge, despeje a água devagar na terra, perto da borda do vaso, e pare quando ela começar a sair pelo furo. Deixe o centro das folhas seco. Depois de 15 minutos, jogue fora a água que ficou no prato. A planta tem dois nomes científicos, Dracaena trifasciata e Sansevieria trifasciata, e os dois são a mesma espécie.

Muita espada chega de herança ou fica para trás numa mudança de casa, com a terra seca como pedra. Quem a recebe não sabe se encharca ou se dá um copinho. A resposta é molhar a terra toda, uma vez, até a água atravessar o vaso. O dia de regar sai de um teste na terra, e este guia trata do que acontece na hora da rega.

Resumo rápido:

  • Quantidade: regue até a água começar a sair pelo furo do vaso e pare ali. Um copinho molha só a parte de cima da terra.

  • Por onde: na terra, perto da borda. Água parada no centro das folhas favorece mancha de fungo nas folhas novas.

  • Prato: esvazie 15 minutos depois da rega. Vaso pesado demais para levantar fica sobre um pé de vaso, um suporte baixo acima do prato.

  • Rega por baixo: serve para resgatar terra seca demais e para a espada baixinha, de folhas fechadas em copo. Nas outras regas, regue por cima.

Quanta água a espada-de-são-jorge precisa numa rega

A espada-de-são-jorge precisa, em cada rega, de água suficiente para molhar toda a terra do vaso e começar a sair pelo furo do fundo. Não existe um número de copos que valha para todo vaso. A dose certa depende do tamanho do vaso e de quanto a terra secou desde a última rega.

A extensão da Universidade de Wisconsin dá o ponto de parada: regue até a água começar a escorrer pelos furos de drenagem. A Clemson Cooperative Extension, na ficha HGIC 1459, explica o motivo em duas partes. A água que atravessa o vaso leva embora o excesso de sal da terra. E ela garante que a parte de baixo do vaso também receba água.

A Extensão da Universidade do Missouri, na ficha G6510, pede o mesmo: molhe a terra inteira, não só os 2,5 cm (1 polegada) de cima. A espada é uma suculenta, e a folha grossa guarda água para as semanas entre uma rega e outra. Por isso a regra é a mesma do guia de como regar suculentas.

Encharcar ou dar pouca água: as duas orientações

Nem todo mundo concorda com o encharcar, e quem discorda escreve sobre a espada. A extensão do condado de Arapahoe, no Colorado, respondeu a um leitor no serviço Ask Extension. Segundo ela, a raiz e o rizoma da espada ficam nos 7,5 cm (3 polegadas) de cima da terra. O rizoma é o caule que corre por baixo da terra e solta raízes e folhas novas.

Para essa extensão, o vaso fundo serve só para a planta alta não tombar. A recomendação dela é molhar a raiz sem molhar a terra do fundo. O cultivador inglês Tom Knight, do site OurHouseplants, rega a espada dele há mais de 20 anos com pouca água por vez. A Royal Horticultural Society, a sociedade de horticultura do Reino Unido, pede para não exagerar no regador.

Ninguém comparou as duas regas na espada. Este guia segue a das extensões universitárias, porque é a rega que tira o sal da terra e molha o vaso inteiro.

O risco que o lado da pouca água aponta é a terra úmida por muito tempo no fundo de um vaso grande demais. A RHS descreve o mecanismo. Um vaso muito maior que a planta tem terra sobrando, e essa terra fica úmida depois da rega e favorece a podridão da raiz. Por isso, quando for trocar a espada de vaso, a RHS recomenda um vaso novo só um pouco maior que o atual. A estabilidade vem da largura. O Missouri Botanical Garden registra que se usa vaso de barro mais largo do que alto para a espada não tombar.

Como descobrir a dose do seu vaso

A extensão de Arapahoe escreveu ao leitor que não dava para saber, de longe, se um copo de água era a medida certa. A dose do seu vaso se descobre em uma rega. Faça assim no próximo dia em que a terra estiver seca:

  1. Encha uma jarra ou um copo medidor com 250 ml de água.

  2. Despeje devagar, na terra, dando a volta perto da borda do vaso.

  3. Quando a jarra acabar, encha de novo e continue, contando as jarras.

  4. Pare no momento em que a água começar a sair pelo furo.

  5. Anote o total. Essa é a dose do seu vaso, com a terra seca.

Na rega seguinte, com a terra seca de novo, a mesma dose deve fazer a água aparecer no furo. Se a água sair pelo furo logo no primeiro copo e a terra continuar clara, a terra secou demais e não está absorvendo. A seção sobre terra seca como pedra mostra o que fazer nesse caso.

Por onde a água entra: na terra, longe do centro da roseta

A água da rega vai na terra, e o centro da roseta fica seco. Roseta é o círculo de folhas que nasce do mesmo ponto, rente à terra. O Missouri Botanical Garden pede para não despejar água no centro da roseta, e a RHS manda regar a terra por cima, evitando o centro.

O motivo está no guia de produção da espada da Universidade da Flórida (UF/IFAS, Henley, Chase e Osborne). A mancha de Fusarium, um fungo, começa pelas folhas mais novas, no miolo da roseta. Segundo o guia, a infecção só acontece quando esse miolo está molhado e há esporos do fungo por perto. As manchas são irregulares, afundadas e marrom-avermelhadas, muitas vezes com uma borda amarela.

Com a folhagem molhada o tempo todo, as manchas se juntam e a infecção chega ao meristema. Meristema é o ponto de crescimento, de onde saem as folhas novas. Com a folhagem seca, o centro pode voltar a brotar, muitas vezes por vários brotos, segundo o mesmo guia. O guia descreve produção comercial na Flórida, com irrigação por cima das plantas.

Espada-de-são-jorge baixinha em roseta, vista de cima, com uma poça de água parada no centro das folhas
Água parada no miolo da roseta de uma espada-de-são-jorge baixinha: é aqui que a mancha de fungo começa. A terra em volta continua seca. Imagem gerada por IA.

Na espada baixinha de folha larga e curta, a cultivar 'Hahnii', as folhas se fecham em volta do centro e formam um copo. As espadas altas também formam roseta, só que mais aberta. Nos dois casos, o bico do regador vai perto da borda do vaso, apontado para a terra.

Se a água cair no miolo sem querer, incline o vaso por alguns segundos para ela escorrer. Se a folha costuma molhar na rega, regue de manhã: o guia da Flórida recomenda molhar a planta cedo, para a folha secar rápido. E não borrife as folhas. A RHS escreve que a espada gosta de pouca umidade e pede para nunca borrifá-la.

A ficha do Bloom sobre mancha nas folhas da espada mostra os tipos de mancha e o que fazer quando elas aparecem:

Passo a passo para regar a espada-de-são-jorge

Depois que o teste da terra disser que chegou o dia, a rega tem seis passos:

  1. Confirme que a terra secou até o fundo do vaso, com um palito de churrasco enfiado até o fundo. Espada com terra úmida não recebe água, nem pouca.

  2. Use água em temperatura ambiente. A Clemson recomenda entre 17 e 22 °C (62 a 72 °F).

  3. Com um regador de bico fino, despeje a água devagar na terra, perto da borda, dando a volta no vaso.

  4. Pare quando a água começar a sair pelo furo do vaso.

  5. Espere 15 minutos e jogue fora a água do prato.

  6. Gire o vaso um quarto de volta antes de devolvê-lo ao lugar.

O quarto de volta é recomendação da RHS para a planta não entortar na direção da janela. O bico fino é da Extensão do Missouri, que pede para manter a água longe da folhagem.

O que fazer com o prato embaixo do vaso

Jogue fora a água do prato 15 minutos depois da rega. É a orientação do Jardim Botânico de Nova York para a espada: regar, voltar depois de 15 minutos e tirar a água parada no prato. A Universidade de Wisconsin dá de 10 a 20 minutos. A Extensão do Missouri e a UConn falam em uma hora.

Este guia segue os 15 minutos do Jardim Botânico de Nova York, porque é a única das quatro orientações escrita para a espada. A extensão de Arapahoe, na resposta ao leitor no Ask Extension, explica o risco do prato cheio. A água do prato pode subir pela terra até o rizoma, e a planta apodrece devagar.

Espada grande em vaso de barro pesa demais para ir até a pia. Para ela, a extensão do condado de Marion, no Oregon, tem uma saída na resposta sobre uma 'Hahnii' com raiz podre: apoiar o vaso num pé de vaso por cima do prato. O pé de vaso é um suporte baixo que mantém o fundo do vaso acima da água que escorre. Mesmo assim, tire a água do prato com uma esponja depois da rega. Na varanda descoberta, faça o mesmo depois de cada chuva forte.

Cachepô e vaso sem furo

Cachepô é o vaso decorativo, geralmente sem furo, onde o vaso de verdade fica encaixado. A Extensão da Universidade de Minnesota manda tirar a planta do cachepô, regar na pia, deixar escorrer por completo e só então devolver. É o caso da espada vendida no vaso plástico dentro de um vaso bonito.

Se a espada não sai do cachepô, a Colorado State University ensina a montar dois vasos. Vai um pouco de pedrisco no fundo do cachepô e, por cima, o vaso de barro ou plástico com furo. A extensão de Lancaster, da Universidade de Nebraska, explica a função das pedrinhas: elas mantêm o vaso de dentro acima da água que escorreu. A Extensão do Missouri lembra de conferir de vez em quando se há água parada no fundo do cachepô.

Pedra no fundo de um vaso sem furo não resolve a drenagem, porque a água continua sem ter por onde sair. A extensão do Oregon, na resposta sobre a 'Hahnii', registra que as boas práticas deixaram de recomendar pedra ou caco dentro do vaso. A drenagem vem do furo, com o vaso apoiado sobre um pé de vaso.

Rega por baixo na espada-de-são-jorge

Rega por baixo é deixar o vaso numa bacia com água para a terra puxar a água pelo furo. Na espada, ela serve em dois casos. Um é resgatar terra seca demais. O outro é a espada baixinha de roseta fechada, cujo miolo é difícil de desviar com o regador. Nas outras regas, regue por cima.

A Extensão do Missouri descreve a vantagem: a rega por baixo molha a terra inteira. O sinal de que acabou é a superfície da terra ficar úmida. A NC State acrescenta que ela deixa a superfície mais seca, e terra seca em cima atrapalha o mosquitinho-fungo, que põe ovos na terra úmida. A Extensão do Missouri não dá um tempo de bacia: tire o vaso quando a superfície da terra escurecer.

O custo da rega por baixo é o sal. Como a água sobe e não escorre pelo furo, o sal da água e do adubo fica na terra e aparece como crosta branca na superfície. A Colorado State University considera melhor regar por cima. Para quem rega por baixo, ela recomenda uma rega por cima de tempos em tempos, para lavar o sal. A Universidade de Maryland vai além e recomenda evitar a rega por baixo. Este guia fica com a rega por cima como padrão, porque é ela que lava o sal. A rega por baixo fica para os dois casos em que a rega por cima funciona mal.

A RHS, na ficha da espada, manda regar por cima, evitando o centro. A ficha do Bloom sobre acúmulo de sais na espada mostra a crosta branca e a ponta de folha queimada que aparecem quando a água nunca atravessa o vaso:

A terra secou tanto que a água escorre pela borda

Terra que ficou meses sem água encolhe e se solta da parede do vaso. A Colorado State descreve o efeito: a água desce pela fresta entre a terra e o vaso e sai pelo furo sem molhar a terra. Parece que a rega deu certo, e a raiz continua seca.

A Clemson explica por que isso acontece com terra que leva turfa. Turfa que seca por completo fica difícil de molhar de novo e passa a segurar menos água do que antes. É o estado da espada esquecida num canto, a que chega de herança ou fica para trás numa mudança.

Existem dois consertos com fonte, e o tamanho do vaso decide qual usar:

  • Vaso grande e pesado: a rega dupla da Clemson. Regue uma vez, espere meia hora e regue de novo.

  • Vaso que cabe num balde: a imersão da UConn. Mergulhe o vaso inteiro num balde ou na pia cheia e tire quando pararem de subir bolhas de ar.

Nos dois casos, deixe escorrer até parar de pingar e esvazie o prato. Meça a dose do vaso na rega seguinte, com a terra já molhada uma vez.

Que água usar na espada-de-são-jorge

Use água da torneira em temperatura ambiente, entre 17 e 22 °C, como recomenda a Clemson. Água gelada da geladeira ou água quente ficam de fora. A Clemson também pede para não regar com água de abrandador, o aparelho que tira o calcário da água. Essa água leva sódio e cloreto para a terra.

O nome novo da espada puxa uma dúvida sobre o flúor. As dracenas de tronco, como o pau-d'água, sofrem com água fluoretada, e a espada agora também se chama Dracaena. A NC State Extension marca o pau-d'água (Dracaena fragrans) como sensível ao flúor e ao acúmulo de sal. Na ficha da espada, a mesma instituição não cita flúor.

O Manual de Doenças de Plantas do Noroeste Pacífico é publicado pelas universidades de Washington, Oregon e Idaho. A tabela de plantas sensíveis ao flúor desse manual também lista o pau-d'água e as outras dracenas de tronco, e não a espada. Nenhuma das fichas da espada consultadas (NC State, Missouri Botanical Garden, RHS, UF/IFAS e Jardim Botânico de Nova York) pede água filtrada, de chuva ou descansada.

Folha mole depois da rega: o que a quantidade tem a ver

Folha mole, que tomba, com a terra ainda úmida, aponta para água demais. A Clemson registra que a espada tende a apodrecer por excesso de rega. A NC State cita a podridão da raiz como consequência do excesso. Nesse caso, a próxima rega espera a terra secar, e o prato fica vazio.

A RHS separa dois casos. Uma folha alta que tomba sozinha pode ser falta de luz. A planta inteira inclinada pede para olhar a raiz, porque é sinal de podridão.

Antes de viajar, regue a espada como sempre, até sair pelo furo, e esvazie o prato. Não dê dose dobrada. A NC State manda regar a espada só a cada 1 a 2 meses no inverno. Duas semanas fora de casa cabem folgadas nesse intervalo.

A base mole pede outro trabalho, que começa por tirar a planta do vaso e olhar a raiz. Base mole também pode ser doença. O diagnóstico por foto do Bloom (disponível para iOS, no plano Premium) aponta se o problema vem da rega ou de outra causa. Folha amarela que não tem a ver com rega tem outras causas, e o guia de folhas amarelas mostra como separar uma da outra.

Perguntas frequentes

Quanta água colocar na espada-de-são-jorge?

Coloque água até ela começar a sair pelo furo do vaso, e pare ali. A quantidade em mililitros depende do tamanho do vaso e de quanto a terra secou. Para saber a do seu vaso, regue com uma jarra de 250 ml e conte quantas foram até a água aparecer no furo. Anote o total.

Posso regar a espada-de-são-jorge por baixo?

Pode, em dois casos: para resgatar terra seca demais e na espada baixinha de roseta fechada. Deixe o vaso na bacia até a superfície da terra ficar úmida. Essa rega não lava o sal. Por isso, faça uma rega por cima de tempos em tempos, até a água sair pelo furo, como recomenda a Colorado State.

Pode molhar as folhas da espada-de-são-jorge?

Evite. A água parada no centro das folhas novas favorece a mancha de Fusarium, segundo o guia de produção da Universidade da Flórida. A RHS pede para nunca borrifar a espada. Se molhar sem querer, incline o vaso para a água sair do miolo. Se a folha costuma molhar na rega, regue de manhã.

Quanto tempo a água pode ficar no prato da espada-de-são-jorge?

Jogue fora a água do prato 15 minutos depois da rega, como orienta o Jardim Botânico de Nova York para a espada. Outras extensões aceitam de 10 minutos a uma hora. Água parada no prato por dias pode subir pela terra até o rizoma e apodrecer a planta.

Na próxima rega

Separe uma jarra de 250 ml e um papel. No próximo dia em que a terra da sua espada-de-são-jorge estiver seca, conte quantas jarras ela leva até a água sair pelo furo. Anote o número e esvazie o prato 15 minutos depois.

Artigos relacionados