Plantas contra lesmas: o que a lesma não come e como controlar
Nenhuma planta tem estudo mostrando que espanta lesma das vizinhas. Veja quais plantas a lesma come menos, como reconhecer o estrago e o que funciona no vaso e no canteiro, com a isca de menor risco para cão e gato.
Nenhuma planta tem estudo publicado mostrando que espanta lesma das plantas vizinhas. As plantas contra lesmas que funcionam são as que a lesma come menos: folha dura, grossa ou de cheiro forte, como gerânio, capuchinha e alecrim. Mesmo essas perdem as mudas novas, e o manjericão, que tem cheiro forte, foi comido por todas as lesmas testadas num estudo de laboratório.
Para proteger o vaso ou o canteiro, o que funciona é reduzir o número de lesmas. Cate as lesmas à noite com lanterna. Monte uma armadilha de abrigo, uma tábua onde a lesma se esconde de dia. Se precisar, use isca de fosfato férrico, um composto de ferro vendido como isca para lesma, espalhada no chão e nunca em montinho. Sal, borra de café e casca de ovo não têm teste a favor.
Resumo rápido:
Planta que espanta lesma: não há estudo. Há plantas que a lesma come menos, e a lista muda conforme a espécie de lesma.
Sinal de lesma: furo irregular de borda lisa, no meio e na borda da folha, e rastro prateado brilhante. O estrago aparece de manhã, depois de noite úmida.
Catar à noite: todo dia até o número de lesmas cair, depois 1 vez por semana.
Isca: fosfato férrico espalhado. Com cão ou gato em casa, não use isca de metaldeído, um veneno muito tóxico para cães e gatos.
Barreiras caseiras: num teste de campo com 108 alfaces, cobre, casca de ovo, lã e cascalho não diminuíram o estrago.
Existe planta que espanta lesma?
Não existe estudo mostrando que uma planta protege as vizinhas da lesma. A ideia de "planta repelente" mistura duas coisas diferentes: plantas que a lesma come pouco e extratos de planta aplicados direto na folha ou na terra.
Plantas que a lesma come pouco existem, e foram medidas em laboratório. Um estudo suíço de 1998 ofereceu 78 plantas à lesma Arion lusitanicus. Mais de dois terços foram pouco comidos. As anuais (plantas que vivem um ano só) foram preferidas às perenes (plantas que duram vários anos) (Briner e Frank, Annals of Applied Biology). Uma planta que a lesma come pouco não impede a lesma de passar por ela e comer a alface ao lado.
O cheiro forte não garante proteção. Num teste polonês de 2008 com 19 ervas, o manjericão e o coentro foram aceitos pelas três espécies de lesma testadas (Kozłowski, Journal of Plant Protection Research). O mesmo estudo concluiu que a aceitação das outras ervas variou de uma espécie de lesma para outra.
Os extratos também não confirmam a lista popular. Extratos de orégano, sálvia e tomilho, aplicados em mudas de colza (a planta da canola), não reduziram de forma significativa o quanto a lesma comia. Só os de saponária e de alface-de-cordeiro (Valerianella locusta) reduziram (Barone e Frank, 1999). O alho matou lesmas como extrato refinado em teste de laboratório da Universidade de Newcastle, e não como planta no canteiro (ScienceDaily, 2003). O óleo de hortelã-verde tem efeito em teste, mas acima de 1% o óleo pode queimar a planta (Oregon State Extension).
Plantas que a lesma come menos
A RHS (Sociedade Real de Horticultura do Reino Unido) e a Universidade da Califórnia publicam listas de plantas menos comidas por lesmas e caracóis. As duas listas são recomendação, sem estudo citado: a Universidade da Califórnia escreve que essas plantas "podem ser menos apetitosas". Use a lista para escolher o que plantar onde a lesma é frequente, e não como barreira.
Planta | Quem cita | Vai bem em vaso de varanda? | Para cães e gatos (ASPCA) |
|---|---|---|---|
Gerânio (Pelargonium) | RHS e Univ. da Califórnia | Sim, com sol | Tóxico |
Capuchinha (Tropaeolum majus) | RHS e Univ. da Califórnia | Sim, com sol | Não tóxica |
Lantana (Lantana camara) | Univ. da Califórnia | Sim, com sol | Tóxica |
Alecrim | Univ. da Califórnia | Sim, com sol | Não tóxico |
Sálvia (Salvia officinalis) | Univ. da Califórnia | Sim, com sol | Não tóxica |
Lavanda | Univ. da Califórnia | Sim, com sol | Tóxica |
Hortênsia | Univ. da Califórnia | Vaso grande, meia-sombra | Tóxica |
Ciclame | Univ. da Califórnia | Sim, sem sol direto | Tóxico |
Sempre-viva (Sempervivum) e sedum | RHS | Sim, com sol | Sem ficha conferida |
Dedaleira (Digitalis purpurea) | RHS | Melhor em canteiro | Tóxica |
A coluna de pets vem das fichas da ASPCA (associação americana de proteção animal) para cada espécie. Com cão ou gato em casa, escolha capuchinha, alecrim ou sálvia: a ASPCA os lista como não tóxicos para cães e gatos. Gerânio, lantana, lavanda, hortênsia, ciclame e dedaleira são tóxicos.
As fontes listam essas plantas pelo tipo de folha. A RHS cita arbustos e outras plantas de caule duro, e plantas de folha grossa ou coberta de cera; a Universidade da Califórnia cita folha dura e cheiro forte. Mudas recém-plantadas sofrem mais, mesmo as das espécies da tabela: a RHS avisa que mudas novas e plantas muito apetitosas são as que sofrem dano grave.
Plantas que a lesma mais come
A Universidade da Califórnia lista as plantas que a lesma estraga com mais frequência: manjericão, feijão, couve, dália, esporinha (Delphinium), hosta, alface, tagetes e morango (UC IPM, Pest Notes 7427). A Embrapa registrou couve e manjericão com folhas furadas por caracóis em hortas brasileiras.
No manjericão, a lesma divide o estrago com outros bichos que furam a folha, e o tipo de furo mostra qual deles é: veja as pragas do manjericão. Na dália, o broto que acabou de sair da terra é o mais atacado. O guia de como cuidar da dália indica pôr isca 2 semanas depois do plantio ou quando o broto aparece.
A loja de jardinagem alemã Pflanzmich recomenda plantar tagetes como isca, para concentrar as lesmas longe da horta. Não encontrei teste publicado dessa técnica. O que a Universidade da Califórnia registra é que o tagetes é muito comido; se ele atrai lesma de longe, ninguém mediu.
Como saber se o estrago é de lesma
O estrago de lesma tem três sinais juntos: furo, rastro e horário.
Furo irregular de borda lisa. A lesma raspa a folha com uma língua áspera, e o furo fica com a borda lisa (UC IPM). Os furos aparecem tanto no meio quanto na borda da folha (Universidade da Flórida, UF/IFAS).
Rastro prateado. O muco seca e fica como uma faixa brilhante na folha, no vaso e no chão. É esse rastro que separa a lesma de lagartas e tesourinhas, que fazem furos parecidos.
Estrago de manhã, bicho invisível de dia. A lesma come à noite e em dias nublados. De dia ela se esconde embaixo do vaso, de pedras, de folhas caídas e de palha ou casca espalhada sobre a terra (Iowa State).

Outros estragos têm sinal próprio. Furo parecido sem rastro nenhum pode ser de lagarta ou de tesourinha, segundo a Universidade da Califórnia. Folha com pontinhos claros, enrolada ou grudenta é de praga que suga a seiva, como o pulgão e a cochonilha. Lesma é praga de varanda, quintal e horta; as pragas de plantas dentro de casa são outras.
A ficha de lesmas e caracóis reúne os sintomas e as plantas mais atacadas:
Se a planta atacada chegou sem nome, o Bloom (disponível para iOS) identifica a espécie pela foto. Com o nome certo, você confere se ela está na lista das mais comidas.
Lesma, caracol ou caramujo-africano
A lesma não tem concha; o caracol e o caramujo têm. Nas hortas brasileiras, a Embrapa cita a lesma Vaginula langsdorffi. Ela tem corpo achatado e úmido, cor parda clara e 5 a 7 cm de comprimento, e é mais comum em épocas de chuva (Embrapa Hortaliças, Comunicado Técnico 118). Os caracóis pequenos de horta (Bradybaena similaris) também comem à noite.
O caramujo-africano (Achatina fulica) é o grande, de concha alta, que aparece em quintais depois de períodos de chuva. O Ministério da Saúde o classifica como praga agrícola e como possível portador (hospedeiro) de vermes do gênero Angiostrongylus, parasitas que vivem dentro do caramujo. Esses vermes podem causar doença em pessoas, com poucos registros no Brasil (Nota Técnica 30/2022). A transmissão citada pelo Ministério é a ingestão do muco do caramujo em verduras e frutas mal lavadas.
Para recolher o caramujo-africano, siga a Secretaria da Saúde do Paraná:
use luvas de borracha ou um saco plástico na mão, e recolha também os ovos semienterrados;
esmague os caramujos e os ovos, cubra com cal virgem e enterre longe de poço ou cisterna;
sem cal virgem, siga o Ministério da Saúde: deixe os caramujos esmagados de molho por 24 horas em 3 partes de água para 1 de cloro;
não jogue caramujo vivo no lixo nem em rio ou lagoa;
se o muco encostar na pele, lave com água e sabão.
Como controlar lesma no vaso e no canteiro
O controle que as extensões universitárias recomendam é reduzir o número de lesmas no lugar: catar, montar abrigo e, por último, usar isca.
Regue de manhã. A RHS recomenda regar no começo do dia, e não à noitinha, quando a lesma sai para comer.
Cate à noite com lanterna. Nos dias de catação, regue a área no fim da tarde para a lesma sair; nos outros dias, regue de manhã. Procure depois que escurecer e recolha com luva num saco plástico fechado (UC IPM). Cate todo dia até o número cair; depois, 1 vez por semana basta.
Monte uma armadilha de abrigo. Deixe uma tábua de 30 × 38 cm (12 × 15 polegadas) apoiada em dois sarrafos de 2,5 cm perto das plantas atacadas. De manhã, levante a tábua e recolha as lesmas escondidas embaixo. Na varanda, um pedaço de papelão úmido no chão faz o mesmo papel (UF/IFAS).
Use armadilha de cerveja como complemento. Enterre um copinho raso e deixe a borda 1 cm acima da terra. Encha de cerveja (Iowa State). A cerveja atrai só as lesmas a poucos passos do copo, e o líquido precisa ser trocado a cada poucos dias.
Se a lesma continuar, use isca de fosfato férrico. Depois de comer a isca, a lesma para de comer e morre em 3 a 6 dias. Reaplique quando a isca acabar ou a cada 2 semanas (Embrapa). Espalhe no fim da tarde, com a terra úmida, e use só produto registrado, seguindo o rótulo.
A isca é o último passo porque nenhuma isca resolve sozinha: a Universidade da Califórnia escreve que isca isolada não controla lesma por muito tempo. A RHS vai além e desaconselha qualquer isca, até as de fosfato férrico, pelo efeito sobre outros animais do jardim. Sigo a Embrapa e as extensões universitárias americanas, que aceitam o fosfato férrico como a isca mais segura. As precauções estão na seção seguinte.
Isca para lesma com cão ou gato em casa
Com pet em casa, não use isca de metaldeído. O centro de controle de intoxicações da ASPCA registra a dose de metaldeído que mata metade dos animais testados. É de 100 mg por quilo de peso nos cães e 207 mg por quilo nos gatos. O farelo misturado à isca atrai o cão (ASPCA Pro). Os sinais de intoxicação, como tremores, vômito e febre alta, começam entre poucos minutos e 3 horas depois de o cão comer a isca.
O fosfato férrico é menos perigoso, mas não é inofensivo. O NPIC (centro nacional de informação sobre pesticidas dos Estados Unidos) registra cães que adoeceram depois de comer isca de fosfato férrico. Muitas fórmulas levam um aditivo que aumenta a absorção do ferro pelo corpo (NPIC). Os sinais são vômito, apatia, dor na barriga e diarreia, e podem aparecer só dias depois.
Para usar o fosfato férrico com pet em casa:
espalhe os grânulos no chão, sem fazer montinhos;
mantenha o cão e o gato longe da área até os grânulos se desfazerem com a rega;
se o pet comer isca de qualquer tipo, leve ao veterinário com a embalagem.
Sal, borra de café, casca de ovo e cobre: o que os testes mostraram
A RHS testou barreiras caseiras no campo em 2018. Foram 108 alfaces em vasos e canteiros, acompanhadas por 6 semanas, e nenhuma barreira diminuiu o estrago em relação às alfaces sem proteção (RHS).
Remédio | Foi testado? | O que as fontes dizem |
|---|---|---|
Sal | Não precisa: o dano à terra é conhecido | Mata a lesma, mas salga a terra e prejudica a planta. Embrapa, Universidade da Califórnia e UF/IFAS desaconselham. |
Borra de café | Não | A cafeína pura em solução de 1% a 2% expulsou 100% das lesmas da terra tratada (Hollingsworth, 2003). A borra é outra coisa: a Universidade da Califórnia diz que ela não mostrou efeito. |
Casca de ovo | Sim, no campo (RHS) | Sem diferença no estrago. |
Fita de cobre | Sim, no campo (RHS) e em laboratório | No campo, sem diferença. A Universidade da Califórnia diz que o cobre repele enquanto está limpo e brilhante, e perde o efeito quando escurece com o tempo; a UF/IFAS diz que no calor da Flórida ele oxida rápido. |
Lã, casca de pinus, cascalho | Sim, no campo (RHS) | Sem diferença no estrago. |
Terra diatomácea | Não | Pó de algas fossilizadas usado como barreira: perde o efeito quando molha, segundo a Universidade da Califórnia. |
Cerveja | Sem número de eficácia | Atrai só as lesmas próximas e precisa ser trocada a cada poucos dias. |
O cobre é a exceção que divide as fontes: o teste de campo da RHS não achou efeito, e a Universidade da Califórnia diz que a fita funciona. A própria RHS não descartou o cobre, porque testes de laboratório mostraram efeito. O teste de campo é o mais próximo da sua varanda: trate a fita como extra opcional na borda do vaso e conte com a catação.
Quando a lesma aparece no Brasil
No Brasil, a lesma e o caramujo aparecem mais na estação chuvosa e logo depois dela. O Ministério da Saúde registra que a população de caramujos aumenta no período de chuvas e recomenda recolher antes e depois das chuvas. A Embrapa registra a lesma de horta como mais comum em épocas chuvosas e os caracóis pequenos inativos no inverno e na seca.
As extensões dos Estados Unidos e do Reino Unido falam em primavera e fim de verão frescos e úmidos. É o clima do hemisfério norte. No Brasil, o sinal para começar a catar é a sequência de dias de chuva, em qualquer mês.
Perguntas frequentes
O que plantar para a lesma não aparecer?
Nenhuma planta impede a lesma de aparecer. Segundo a RHS e a Universidade da Califórnia, plantas de folha dura ou grossa são menos comidas, e algumas de cheiro forte também. Só o cheiro não basta: o manjericão cheira forte e está entre as plantas mais comidas. Exemplos: gerânio, capuchinha, alecrim e sálvia. Elas reduzem o estrago naquele vaso, mas a lesma continua vindo pelas plantas mais macias ao lado.
Como afastar a lesma do manjericão?
O manjericão está entre as plantas mais comidas, e o cheiro dele não afasta a lesma. Proteja o vaso catando à noite com lanterna, todo dia até o número de lesmas cair, com uma tábua ou papelão úmido ao lado como armadilha.
Uma planta no canteiro protege as outras da lesma?
Não há estudo mostrando que uma planta protege as vizinhas. Uma erva que nasceu sozinha no canteiro pode ficar, se não abafar as outras. Não conte com ela para proteger as hortaliças. O que reduz o estrago é catar as lesmas à noite e montar armadilhas de abrigo.
Borra de café afasta lesma?
Não há teste com borra de café. O que foi testado é cafeína pura em solução de 1% a 2%, aplicada na terra, que expulsou as lesmas. A borra usada na cozinha não foi medida, e a Universidade da Califórnia escreve que ela não mostrou efeito contra lesmas e caracóis.
Lesma de jardim faz mal para a saúde?
O risco citado pelo Ministério da Saúde é do caramujo-africano, que pode carregar vermes que causam doença em pessoas, com poucos registros no Brasil. Recolha caramujos e lesmas com luva ou saco plástico na mão e lave bem verduras e frutas da horta. Se o muco encostar na pele, lave com água e sabão.
Conclusão
Plantas contra lesmas reduzem o estrago, mas não espantam a lesma. Para o vaso mais exposto, escolha capuchinha, alecrim, sálvia ou gerânio, que é tóxico para cão e gato. Proteja as mudas e as folhas macias. Hoje à noite, depois de escurecer, procure as lesmas com uma lanterna e deixe uma tábua ou papelão úmido ao lado das plantas atacadas.
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