Dipladênia com pontinhos brancos grudentos: que praga é
Pontinho branco e grudento na dipladênia quase sempre é cochonilha-farinhenta, mas mosca-branca, pulgão, ácaro e a própria seiva da planta deixam marcas parecidas. Veja o teste que separa cada um e o tratamento com dose de fonte.
Dipladênia (mandevila) com pontinhos brancos grudentos quase sempre tem cochonilha-farinhenta. É um inseto de até 3 mm coberto de cera branca, que se esconde nas axilas das folhas e solta uma gota açucarada e pegajosa. Mosca-branca, pulgão e ácaro deixam marcas parecidas, e a própria planta solta uma seiva branca quando é cortada. Com poucos focos, dá para salvar a planta. Afaste o vaso das outras plantas hoje e faça o teste abaixo antes de comprar qualquer produto.
Teste rápido: que pontinho branco é esse na dipladênia
Olhe primeiro onde o branco está e depois faça o teste da linha correspondente. Cada teste da tabela usa só o olho, o dedo, um palito, uma folha de papel branco ou uma lupa comum.
Onde está e como parece | Teste de 10 segundos | O que é |
|---|---|---|
Tufo de algodão nas axilas das folhas, nos nós ou entre ramos enrolados | Afaste o algodão com um palito: tem bichinho oval por baixo | Cochonilha-farinhenta |
Nuvem de bichinhos brancos de asa | Sacuda o ramo: eles voam | Mosca-branca adulta |
Escamas ovais, chatas e cor de creme no verso da folha | Não voam nem andam quando você toca | Ninfa (filhote) de mosca-branca |
Pontinhos brancos soltos na face de cima da folha | Procure bichinhos verdes ou escuros nas pontas dos ramos e nos botões | Pele trocada de pulgão |
Brilho grudento nas folhas de baixo, no chão ou no móvel | Toque: gruda como calda de açúcar | Melada (líquido açucarado que o inseto solta): o bicho está acima ou ao lado desse ponto |
Pontilhado claro na folha, às vezes com teia fina | Bata o ramo sobre um papel branco: pontinhos que andam | Ácaro |
Casquinha marrom ou bege, presa ao caule | Sai com a unha | Cochonilha de carapaça |
Gota branca e leitosa onde houve corte ou galho quebrado | Só aparece onde a planta foi ferida | Seiva da própria planta |
Brilho viscoso na base do cabinho da folha, nos ramos novos | Fica sempre no mesmo lugar, sem algodão nem bicho | Secreção normal das glândulas dos nós |
A melada (o líquido açucarado que esses insetos soltam ao sugar a seiva) cai sobre o que está embaixo deles. A University of Maryland Extension descreve a folha com melada como mais brilhante que o normal e pegajosa ao toque (UMD). Por isso, a folha grudenta de baixo indica que a praga está nos ramos de cima ou na própria folha.
Com o tempo, a melada fica preta por causa da fumagina, um fungo que cresce sobre o açúcar. Segundo a University of Maryland Extension, ele não ataca a planta e sai sozinho depois que a praga é controlada.

A página de pragas da dipladênia descreve as pragas mais comuns da espécie e o que fazer contra cada uma.
O que não é praga: a seiva e as glândulas dos nós
A dipladênia solta uma seiva leitosa sempre que um ramo é cortado ou quebrado. A NC State Extension registra que a seiva leitosa escorre do corte (NC State). Essa gota seca e pode virar um pontinho branco e grudento no caule, sempre no lugar do ferimento.
A UF/IFAS alerta que essa seiva pode irritar a pele (UF/IFAS). Use luva quando for podar ou limpar a planta.
A mandevila também tem coléteres, pequenas glândulas nos nós que protegem os brotos novos com uma secreção viscosa. Um estudo com plantas da família Apocynaceae, a mesma da mandevila, diz que os coléteres são fáceis de ver a olho nu. Eles ficam nos nós, na base do cabinho das folhas. No gênero Mandevilla, segundo o mesmo estudo, a secreção é só mucilagem (Ribeiro, Tölke e Demarco, 2021). Num estudo de 2026 com outra espécie do gênero, a secreção era translúcida e grudenta o bastante para prender um inseto pequeno (Bueno et al., 2026).
Os dois estudos foram feitos com Mandevilla splendens e Mandevilla venulosa, e não com a dipladênia de vaso (Mandevilla sanderi). Mesmo assim, brilho grudento fixo na base das folhas novas, sem algodão e sem bicho, não pede tratamento.
Cochonilha-farinhenta na dipladênia: como tirar
A cochonilha-farinhenta é um inseto sem asa de até 3 mm, coberto de cera branca que parece algodão. Ela se enfia nas frestas da planta. A NC State Extension diz que ela costuma ficar na base dos caules e dos cabinhos das folhas (NC State). A RHS cita também o espaço entre caules que se enrolam, que é como a mandevila sobe na treliça (RHS).
O tratamento abaixo segue a Iowa State Extension, que tem o passo a passo mais completo para planta de vaso:
Afaste o vaso das outras plantas. Formigas carregam a cochonilha de uma planta para outra, segundo a NC State.
Lave a planta com jato forte de água morna para derrubar os insetos soltos (Iowa State).
Encoste um cotonete com álcool em cada inseto e em cada tufo de algodão (a bolsa de ovos). Toque só o bicho, não a folha inteira. A concentração do álcool e o calendário completo estão no nosso passo a passo contra a cochonilha.
Aplique sabão inseticida, óleo de neem ou óleo hortícola toda semana por 4 a 6 semanas. Óleo hortícola é um óleo próprio para plantas, que cobre o inseto e tapa os poros por onde ele respira. Os produtos agem melhor nos filhotes, que nascem em ondas a cada poucas semanas, segundo a Iowa State (Iowa State).
Corte e jogue fora os ramos tomados de algodão. A Iowa State recomenda podar as partes muito atacadas.
Se a planta inteira estiver coberta, muitas vezes é melhor descartar a dipladênia do que arriscar as vizinhas, segundo a Iowa State e a RHS. Antes de descartar, confira se o branco não é larva de joaninha. A RHS avisa que a larva da joaninha que come cochonilha (Cryptolaemus montrouzieri) parece uma cochonilha grande, e ela come os insetos e os ovos.
Por que o óleo de neem parece não funcionar na cochonilha
Os produtos de contato, como o neem, quase não atingem o ovo da cochonilha. A NC State explica que os ovos ficam presos numa cera fofa e por isso são relativamente à prova d'água. Quanto ao adulto, a Iowa State escreve que o óleo hortícola não o controla (Iowa State).
O neem atinge só os filhotes que já nasceram no dia da aplicação. Os que saem do ovo depois escapam, por isso uma borrifada só parece não fazer nada. O resultado aparece com a repetição semanal por 4 a 6 semanas, somada ao cotonete com álcool nos adultos que você vê.
Mosca-branca: o bicho branco que voa quando você mexe
A mosca-branca é um inseto de 1,5 mm, com asas brancas. Quando a planta é sacudida, os adultos sobem em nuvem. A RHS usa esse voo para separar a mosca-branca do pulgão (RHS). No verso das folhas ficam os filhotes, escamas ovais e chatas cor de creme. Os adultos e os filhotes soltam melada.
A Iowa State recomenda aplicar sabão inseticida ou neem no verso das folhas, toda semana. Ela avisa que o resultado costuma ser mais fraco do que o esperado e que são necessárias várias aplicações semanais. Sacuda o ramo antes de cada aplicação para ver se os adultos diminuíram. A armadilha adesiva amarela pega os adultos e serve para saber se a praga está diminuindo, mas não acaba com ela. Filhote de mosca-branca que ficou preto foi parasitado por uma vespa minúscula (Encarsia) e está morto, segundo a RHS.
Pulgão nos brotos e nos botões da dipladênia
O pulgão é um inseto de corpo mole, verde, marrom ou avermelhado. A Iowa State diz que ele se junta nas pontas dos ramos, no verso das folhas e nos botões de flor. Em ataque leve, a mesma extensão recomenda um jato forte de água para derrubar a colônia. Se os pulgões voltarem, aplique sabão inseticida, como explica a seção de remédio caseiro. Os pontinhos brancos ao redor costumam ser as peles que o pulgão troca ao crescer. A RHS diz que objetos brancos na face de cima da folha são mais provavelmente pele de pulgão do que mosca-branca (RHS).
Se há formiga subindo e descendo a dipladênia, procure pulgão ou cochonilha-farinhenta. A RHS explica que as formigas cuidam do pulgão para comer a melada.
Se o botão cai e não há bicho nenhum na planta, procure a causa na rega, na luz e no frio. Esses três cuidados estão no guia de como cuidar da mandevila.
Ácaro na dipladênia: pontilhado claro em tempo quente e seco
O ácaro é tão pequeno que você vê o estrago antes do bicho: a folha fica salpicada de pontinhos claros. A NC State Extension chama esse padrão de pontilhado e diz que o ácaro é mais ativo em tempo quente e seco (NC State). No Brasil, observe a planta com mais atenção nos períodos de seca e na varanda que esquenta muito.
Para confirmar, bata um ramo sobre uma folha de papel branco: o ácaro aparece como pontinhos que andam, e a sujeira fica parada. A RHS sugere uma lupa de 10 aumentos para ver os ácaros e as cascas brancas no verso da folha. A teia fina, segundo a RHS, só aparece em ataque forte (RHS).
A NC State recomenda sabão inseticida ou óleo hortícola, molhando bem todo o verso das folhas. No tempo quente, ela sugere uma segunda aplicação 7 a 10 dias depois, para pegar os ácaros que estavam no ovo. A mesma extensão avisa que adubo com muito nitrogênio pode provocar surto de ácaro. Se as folhas também estão amarelando, veja as outras causas em dipladênia com folhas amarelas.
Cochonilha de carapaça: a casquinha marrom no caule
A cochonilha de carapaça parece uma casquinha marrom ou bege de 1,5 a 6 mm (1/16 a 1/4 de polegada), grudada no caule ou nas nervuras do verso da folha. Ela quase não se mexe e, muitas vezes, você nota primeiro a melada que ela solta (Iowa State).
A Iowa State recomenda tirar cada casquinha com a unha ou com cotonete com álcool, quando são poucas. Em ataque maior, o produto precisa ser aplicado toda semana por um mês ou mais. A casca protege o inseto, por isso a remoção com a mão resolve mais do que a borrifada.
Remédio caseiro contra cochonilha-farinhenta na dipladênia: o que tem fonte
Antes de qualquer receita caseira, a opção com fonte é o sabão inseticida vendido pronto. A Iowa State explica que ele é sabão de verdade, feito para matar o inseto por contato, ao danificar a membrana das células dele (Iowa State). A UF/IFAS diz que os sabões inseticidas registrados têm só 1% a 2% de sabão (UF/IFAS). Em conta simples, 2% são 20 ml de sabão em 1 litro de água.
Detergente de louça divide as fontes. A Nebraska Extension diz que alguns detergentes líquidos matam mal o inseto e manda testar antes de usar (Nebraska Extension). As diluições dela, de 1% a 2%, são de calda de sabão, ou seja, sabão misturado em água. A UF/IFAS e a Iowa State, num texto revisado em dezembro de 2025, desaconselham: detergente não é sabão e queima a folha com mais facilidade. Este artigo segue a UF/IFAS e a Iowa State, que são duas das três fontes, e a Iowa State é a orientação mais recente. Use o sabão inseticida pronto e não use detergente.
Com qualquer calda de sabão, siga estas regras da Nebraska Extension e da UF/IFAS:
Teste numa folha e espere 2 dias antes de borrifar a planta inteira.
Molhe o inseto: o sabão só mata o que ele toca e não deixa efeito na folha.
Faça no mínimo 2 a 3 aplicações, com 4 a 7 dias entre elas. Na cochonilha-farinhenta, siga a Iowa State: toda semana por 4 a 6 semanas, porque os filhotes nascem em ondas.
Lave a calda da folha com água limpa cerca de 2 horas depois.
Não aplique com mais de 32 °C nem em planta com sede (terra seca e folha murcha).
Vinagre e álcool não entram na calda de borrifar. A UF/IFAS classifica os dois como tóxicos para o tecido da planta. O álcool do passo 3 da cochonilha vai só no cotonete, encostado no bicho.
Como evitar que a praga volte
Planta recém-comprada pode trazer a praga para as outras. A RHS recomenda inspecionar toda planta comprada e mantê-la isolada das outras por pelo menos um mês (RHS). Olhe as axilas, os nós e o verso das folhas antes de pôr o vaso perto das outras.
Depois, olhe os mesmos lugares uma vez por semana. Assim você acha a praga quando ainda dá para tirar com cotonete. Tire folhas mortas e restos de poda de perto do vaso, porque a RHS diz que eles podem levar cochonilha ou ovos. E não exagere no adubo com muito nitrogênio, que favorece o ácaro.
Se você ganhou a planta sem saber o nome, o Bloom (disponível para iOS) identifica a espécie por uma foto e mostra os cuidados dela. Os testes e os tratamentos deste artigo valem para dipladênia e mandevila, dois nomes usados para as plantas do gênero Mandevilla.
Perguntas frequentes
A dipladênia com cochonilha tem salvação?
Com poucos focos, tem. Cotonete com álcool em cada inseto e sabão inseticida toda semana por 4 a 6 semanas costumam resolver. Se os ramos estão todos cobertos de algodão, a Iowa State e a RHS consideram mais seguro descartar a planta. Assim a praga não passa para as vizinhas.
A cochonilha da dipladênia passa para outras plantas?
Passa. A fêmea anda curtas distâncias, e a NC State diz que formigas carregam a cochonilha de uma planta para outra. Ao ar livre, os filhotes ainda são levados pelo vento. Mantenha a dipladênia longe das outras plantas durante o tratamento e confira as axilas das vizinhas uma vez por semana.
Posso tratar a praga da dipladênia se tenho gato na varanda?
Prefira os métodos sem produto: jato de água, cotonete com álcool no bicho e retirada dos ramos tomados. O sabão inseticida age por contato e não deixa efeito na folha, segundo a Iowa State. Por precaução, mantenha o gato longe enquanto a planta estiver molhada e leia o que o rótulo diz sobre animais. Para a planta em si, veja se a mandevila é tóxica para pets.
A fumagina preta nas folhas da dipladênia faz mal à planta?
A fumagina é um fungo que cresce sobre a melada e não ataca a planta, segundo a University of Maryland Extension. Ela deixa a folha preta e suja. Passe um pano úmido para limpar a melada e a fumagina, e controle o inseto que solta a melada. Sem melada nova, a fumagina sai sozinha com o tempo.
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