Pragas da palmeira: como identificar pelo sinal e o que fazer no vaso e no jardim
As pragas da palmeira de vaso são cochonilha, ácaro-rajado e tripes, e saem com água, cotonete e sabão. No jardim, serragem no tronco e topo caído indicam broca, que não tem remédio caseiro. Veja como separar uma da outra pelo sinal.
As pragas da palmeira se dividem pelo lugar onde ela vive. Na palmeira de vaso, as comuns são cochonilha, ácaro-rajado e tripes, e todas se tratam em casa com água, cotonete e sabão. Na palmeira de jardim, serragem no tronco, furos e topo caído indicam broca. A broca é uma larva que come a planta por dentro e não tem remédio caseiro.
O sinal que você está vendo decide o que fazer primeiro. Bicho na folha é assunto seu. Bicho dentro do tronco é assunto de agrônomo, e às vezes de fiscal agropecuário.
Resumo rápido:
Casquinha marrom colada, algodão branco ou pontinhos claros com teia fina: praga de folha, que sai com lavagem, cotonete com álcool e sabão.
Serragem ou fibra mastigada saindo do tronco, com cheiro de fermentado e folhas do centro caídas: suspeita de broca. Sabão e óleo de neem não chegam na larva dentro do tronco.
Folha mais nova, ainda fechada, que sai na mão com a base mole indica broto do centro morto. A palmeira de caule único não se recupera disso.
Qual praga está na sua palmeira: identifique pelo sinal
A praga da palmeira quase sempre se reconhece pelo sinal que deixa, antes de você ver o bicho. A folha se divide em folíolos, as tiras finas que saem de uma nervura central, e é ali que a maioria dos sinais aparece. A tabela junta os sinais mais comuns, o lugar onde cada praga aparece e se dá para resolver sozinho.
O que você vê | Praga provável | Onde aparece | Dá para tratar em casa? |
|---|---|---|---|
Casquinhas marrons ou beges de 2 a 5 mm coladas na nervura e no caule | Cochonilha-de-carapaça | Vaso e jardim | Sim |
Tufos brancos de algodão nas dobras da folha e na base dos caules | Cochonilha-farinhenta | Vaso e jardim | Sim |
Folha grudenta, depois coberta de pó preto | Melada de cochonilha e fumagina | Vaso e jardim | Sim, tratando a cochonilha |
Pontinhos claros na folha e teia fina entre os folíolos | Ácaro-rajado | Vaso, com ar seco | Sim |
Riscos prateados com pontinhos pretos na folha | Tripes | Vaso | Sim |
Folíolos comidos, ninho de folhas unidas por seda, fezes no chão | Lagarta-das-palmeiras | Jardim | Sim, retirando os ninhos |
Serragem ou fibra no tronco, furos, cheiro de fermentado, folhas do centro caídas | Broca-do-olho-do-coqueiro ou outra broca | Jardim | Não: chame um agrônomo |
Base do tronco podre, sem serragem e sem furos | Podridão do tronco (doença, não praga) | Jardim | Não: chame um agrônomo |
A cochonilha e o ácaro se escondem no lado de baixo dos folíolos, então vire a folha antes de concluir que a palmeira está limpa.
Se o sinal não bate com nenhuma linha, use o diagnóstico por foto do Bloom (plano Premium). Ele compara o sintoma com pragas e doenças conhecidas. O guia de o que a minha planta tem ajuda a separar praga de problema de rega e de luz.
Pragas da palmeira em vaso
As pragas mais comuns da palmeira em vaso são o ácaro-rajado, a cochonilha-farinhenta e a cochonilha-de-carapaça. A Universidade da Flórida (UF/IFAS) cita essas três como as pragas mais comuns da kentia (Howea forsteriana), principalmente dentro de casa. A Extensão da Universidade Estadual da Carolina do Norte (NC State) manda vigiar ácaro e cochonilha também na palmeira-bambu (Chamaedorea seifrizii) e na palmeira-majestosa (Ravenea rivularis).
Cochonilha-de-carapaça
A cochonilha-de-carapaça, também chamada de cochonilha-de-escama, parece uma casquinha marrom ou bege colada na nervura, no caule ou no lado de baixo do folíolo. O inseto adulto não anda: fica parado debaixo dessa casca e suga a seiva. A extensão da Universidade Estadual de Iowa descreve essas cochonilhas como pequenos calombos enfileirados ao longo dos caules e das nervuras.
Existem dois tipos. A cochonilha mole solta melada e deixa a folha grudenta. A cochonilha de carapaça dura não solta melada, e a folha fica seca. Na palmeira, uma das de carapaça dura é a cochonilha-do-coqueiro (Aspidiotus destructor). A UF/IFAS registra essa cochonilha em mais de 60 famílias de plantas, com folha amarelada e deformada.
Formiga subindo e descendo pelo caule é outro aviso de cochonilha mole, porque a formiga vem buscar a melada. Na oliveira, a extensão da Flórida usa a formiga como indicador de cochonilha, como mostra o guia de pragas da oliveira.
Cochonilha-farinhenta
A cochonilha-farinhenta forma tufos brancos que parecem algodão. Eles ficam nas dobras onde a folha abraça o caule e no lado de baixo dos folíolos mais baixos. A cera branca que cobre o corpo do inseto dá essa cara de algodão, segundo a Universidade Estadual de Iowa. A melada que ela solta deixa grudentas as folhas de baixo, a mesa e o chão. Com o tempo, a melada fica preta de fumagina, um fungo que cresce sobre o açúcar.

Palmeira pequena com cochonilha-farinhenta não precisa ser arrancada. A praga é tratável com cotonete e água, desde que você repita o tratamento até os ovos pararem de eclodir. Se a palmeira está num vaso, afaste o vaso das outras plantas até a praga sumir.
Ácaro-rajado
O ácaro-rajado (Tetranychus urticae), também chamado de ácaro-aranha, é um aracnídeo de menos de 1 mm que suga a folha pelo lado de baixo. Ele deixa pontinhos claros na folha, que depois fica pálida ou bronzeada. Quando a população cresce, o ácaro forma uma teia fina entre os folíolos. Em palmeira cultivada dentro de casa, a UF/IFAS aponta o ácaro como a praga mais comum da palmeira-rabo-de-peixe (Caryota).
Ar seco é o que faz o ácaro-rajado se multiplicar. A Universidade Estadual de Iowa explica que o ácaro prefere ambiente seco e que aumentar a umidade do ar freia a população. Ar-condicionado e aquecedor secam o ar da sala, e a palmeira perto deles pega ácaro com mais facilidade.
Para confirmar, segure uma folha de papel branco debaixo da folha e bata nela algumas vezes. Pontinhos que caem e andam são ácaros. Pontinhos parados são poeira.
Tripes
Tripes são insetos finos e alongados, de menos de 1,3 mm, que raspam a superfície da folha. O dano são riscos prateados ou cor de bronze no lado de cima da folha, com pontinhos pretos por cima. Os pontinhos são as fezes do inseto (UC IPM). A NC State lista o tripes entre os insetos comuns da palmeira-bambu e da palmeira-majestosa.
Como tratar as pragas da palmeira em vaso
Trate as pragas da palmeira em vaso em quatro passos: separe a planta, lave as folhas, tire os bichos à mão e repita o tratamento. O mesmo roteiro serve para cochonilha, ácaro e tripes. O que muda é o intervalo de repetição.
Separe a palmeira. Afaste o vaso das outras plantas, como recomenda a Universidade Estadual de Iowa, para a praga não passar para as vizinhas.
Lave as folhas no chuveiro. Use água em temperatura ambiente nos dois lados dos folíolos e na base dos caules. A UF/IFAS registra que a água sobre as folhas diminui o ácaro-rajado, e o jato também derruba cochonilhas-farinhentas soltas.
Passe cotonete com álcool. Molhe um cotonete em álcool 70% e encoste em cada cochonilha visível. A Universidade Estadual de Iowa indica o cotonete com álcool quando há poucos insetos. Descole as carapaças duras com a unha ou uma escova de dente velha.
Use sabão inseticida só depois de testar. A UF/IFAS manda aplicar o sabão numa área pequena e esperar 1 dia para ver se a folha queima. Planta em crescimento pede a dose mais baixa do rótulo.
A repetição é o que resolve. Para cochonilha, revise a palmeira inteira a cada 5 dias por 3 semanas, porque os ovos que você não viu eclodem nesse intervalo. Para ácaro, repita a lavagem e o sabão a cada 4 a 7 dias, 3 vezes. Os detalhes de cada praga estão nos guias de como eliminar cochonilha e de ácaro em plantas.
Inseticida forte de amplo espectro costuma piorar o ácaro, porque mata os inimigos naturais dele. O guia de pragas de plantas de interior explica esse efeito e o que não funciona contra cada praga.
Depois que a praga sumir, previna a volta com o cuidado de sempre. Dê luz clara sem sol forte, regue quando a camada de cima da terra secar e lave as folhas no chuveiro de vez em quando. O guia de como cuidar de palmeiras traz a luz e a rega de cada espécie.
Pragas da palmeira no jardim
As pragas da palmeira de jardim mais graves são as brocas, larvas grandes que cavam galerias dentro do tronco e do broto do centro. Quando o sinal aparece por fora, a larva já está lá dentro, longe de qualquer produto aplicado nas folhas.
Broca-do-olho-do-coqueiro e anel-vermelho
A broca-do-olho-do-coqueiro (Rhynchophorus palmarum) é uma das pragas mais importantes das palmeiras no Brasil, segundo o Instituto Biológico de São Paulo. O adulto é um besouro preto de 4,5 a 6 cm, com um "bico" curvo de cerca de 1 cm, segundo a Embrapa. A larva come o broto do centro da palmeira, que os produtores chamam de "olho".

Segundo a Embrapa, a palmeira atacada mostra primeiro a folha do centro deformada e rasgada. Depois, as folhas mais novas amarelam, murcham e se curvam, o que indica a morte da planta. O besouro adulto também transmite o nematoide Bursaphelenchus cocophilus, um verme microscópico que causa o anel-vermelho.
O anel-vermelho é uma doença letal. Por fora, as folhas murcham e ficam amarelo-ouro, começando pela ponta dos folíolos. Por dentro, o tronco cortado mostra uma faixa avermelhada de 2 a 4 cm de largura, segundo a Embrapa.
Para a broca e para o anel-vermelho, a Embrapa não indica remédio de pulverizar. A recomendação é eliminar logo a palmeira doente e reduzir a população do besouro com armadilhas de feromônio. Um agrônomo ou uma empresa de manejo de palmeiras faz esse trabalho com segurança.
O besouro é atraído pelo cheiro de fermentação de palmeira ferida. O Instituto Biológico de São Paulo registra que o corte de folhas ou do tronco solta esse cheiro e atrai os adultos. No jardim, corte só a folha totalmente seca e não machuque o tronco à toa.
Bicudo-vermelho (Rhynchophorus ferrugineus)
O bicudo-vermelho-das-palmeiras (Rhynchophorus ferrugineus) é uma espécie asiática do mesmo gênero da broca-do-olho e mata palmeiras na Europa, na Ásia e no Oriente Médio. No Brasil, ele é uma praga quarentenária ausente: ainda não foi encontrado no país, e o governo trabalha para impedir a entrada. A Portaria SDA/MAPA nº 1.291, de 2025, coloca o bicudo-vermelho nessa lista, segundo o Ministério da Agricultura (MAPA).
O MAPA registra o bicudo-vermelho na Argentina, no Uruguai e em países do Caribe. O MAPA lista estes sinais de ataque: furos pequenos no tronco, saída de seiva ou de fibras mastigadas e cheiro forte. As folhas do centro ficam amareladas ou caídas, e a copa se deforma.
Se você suspeitar do bicudo-vermelho no Brasil, não mexa na palmeira e não transporte pedaços dela. O MAPA pede que a suspeita seja comunicada à Superintendência Federal de Agricultura do seu estado ou ao órgão estadual de defesa sanitária vegetal.
Mariposa-das-palmeiras (Paysandisia archon)
A Paysandisia archon é uma mariposa grande cuja lagarta cava galerias no tronco e nas folhas da palmeira. Ela é nativa do Rio Grande do Sul, da Argentina, do Uruguai e do Paraguai. A EPPO, organização europeia de proteção de plantas, não registra a mariposa como praga na América do Sul. Na França, na Itália e na Espanha, ela matou palmeiras.
Os sinais descritos pela EPPO são serragem no topo ou no tronco, furos e galerias, e folhas furadas. Nas palmeiras de folha em leque, os furos aparecem em fileira quando a folha nova se abre. Entre as palmeiras atacadas estão a palmeira-moinho (Trachycarpus fortunei), a Chamaerops humilis (palmeira nativa do Mediterrâneo), a washingtônia (Washingtonia) e o butiá (Butia).
Lagarta-das-palmeiras (Brassolis sophorae)
A lagarta-das-palmeiras (Brassolis sophorae) come os folíolos à noite e passa o dia escondida em ninhos que ela mesma tece, unindo folíolos com seda. Segundo o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), a presença dela aparece pelas fezes no chão e pelo barulho das fezes caindo sobre as plantas. No estado de São Paulo, a lagarta aparece de setembro ou outubro até março, na primavera e no verão do hemisfério sul.
O controle indicado pelo IAC começa pelo mecânico: retire os ninhos e destrua as lagartas. O IAC também cita o controle biológico, com a bactéria Bacillus thuringiensis e o fungo Beauveria bassiana.
Serragem no tronco ou topo caído: a palmeira ainda tem salvação?
Palmeira com serragem no tronco e o topo caído para o lado raramente se salva quando a causa é broca. Cada caule de palmeira cresce de um único broto no topo, e a larva da broca-do-olho come justamente esse broto. Segundo a Embrapa, quando as folhas mais novas amarelam, murcham e se curvam, a planta está morrendo.
Faça o teste da folha mais nova. Puxe de leve a folha do centro, a que ainda está fechada. Se ela resiste, o broto está vivo. Se ela sai na mão com a base mole e escura, o broto morreu. A UF/IFAS usa o mesmo teste para avaliar palmeira depois de geada.
O resultado muda conforme a palmeira:
Palmeira de caule único com o broto morto: não se recupera. A Embrapa manda eliminar a palmeira morta por broca ou por anel-vermelho, porque ela vira criadouro do besouro.
Palmeira de vários caules: só o caule com o broto morto morre, e os outros continuam. Peça a um agrônomo para retirar o caule atacado.
Broto firme, com serragem só num ponto do tronco: ainda há o que avaliar. Chame um agrônomo antes de o ataque chegar ao topo.
Sabão, óleo de neem e calda caseira não chegam na larva, que vive dentro do tronco. O agrônomo italiano Fiorenzo Pandini acompanha a Paysandisia no Lago de Garda. Ele escreve que a pulverização por fora é inútil, porque o produto não alcança o interior do tronco. A Embrapa também não indica pulverização para a broca-do-olho.
Palmeira grande com broca pode tombar. O Instituto Biológico lista o tombamento da planta entre os sintomas do ataque. Se a palmeira fica perto de casa, de carro ou de onde as pessoas passam, afaste todos da área de queda até o agrônomo avaliar.
Nem todo tronco podre é broca. Segundo o mesmo agrônomo, a podridão causada por fungo apodrece o tronco sem deixar marcas de roedura, como serragem e furos. Nesse caso, o problema é doença e pede outro tratamento, também com avaliação de um agrônomo.
Perguntas frequentes
Quais insetos atacam as palmeiras?
Na palmeira de vaso, os insetos mais comuns são a cochonilha-de-carapaça e a cochonilha-farinhenta, além do ácaro-rajado, que é um aracnídeo, e do tripes. No jardim do Brasil, os mais graves são a broca-do-olho-do-coqueiro, que transmite o anel-vermelho, e a lagarta-das-palmeiras. O bicudo-vermelho, comum na Europa, ainda não foi encontrado no Brasil.
Óleo de neem funciona contra a broca da palmeira?
Não. A larva da broca vive dentro do tronco e do broto do centro, e nenhum produto aplicado nas folhas chega até ela. Para a broca-do-olho, a Embrapa recomenda armadilhas de feromônio e a eliminação da palmeira doente. O óleo de neem e o sabão servem para praga de folha, como cochonilha e ácaro.
O que é a coisa branca grudenta na palmeira?
Tufos brancos que parecem algodão, com folha grudenta em volta, são cochonilha-farinhenta. A cera branca cobre o corpo do inseto, e o grude é a melada que ele solta. Tire os tufos com cotonete molhado em álcool 70%, lave as folhas e revise a palmeira a cada 5 dias por 3 semanas.
Formiga na palmeira é praga?
A formiga não costuma atacar a palmeira, mas indica cochonilha mole. Ela vem buscar a melada, o líquido açucarado que a cochonilha solta nas folhas e no caule. Procure casquinhas marrons ou tufos brancos no lado de baixo dos folíolos e nos caules. Tratar a cochonilha acaba com a trilha de formigas.
Conclusão
As pragas da palmeira de vaso ficam na folha e saem com banho, cotonete com álcool e repetição por 3 semanas. As pragas da palmeira de jardim que matam ficam dentro do tronco. Serragem, furos, cheiro de fermentado e topo caído pedem um agrônomo, e a suspeita de bicudo-vermelho pede aviso ao MAPA.
Para confirmar qual praga está na sua palmeira, o diagnóstico do Bloom (plano Premium, app para iPhone) analisa uma foto do sintoma.
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