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Pragas da palmeira: como identificar pelo sinal e o que fazer no vaso e no jardim

As pragas da palmeira de vaso são cochonilha, ácaro-rajado e tripes, e saem com água, cotonete e sabão. No jardim, serragem no tronco e topo caído indicam broca, que não tem remédio caseiro. Veja como separar uma da outra pelo sinal.

por Bloom 12 min de leitura
Pragas da palmeira: como identificar pelo sinal e o que fazer no vaso e no jardim

As pragas da palmeira se dividem pelo lugar onde ela vive. Na palmeira de vaso, as comuns são cochonilha, ácaro-rajado e tripes, e todas se tratam em casa com água, cotonete e sabão. Na palmeira de jardim, serragem no tronco, furos e topo caído indicam broca. A broca é uma larva que come a planta por dentro e não tem remédio caseiro.

O sinal que você está vendo decide o que fazer primeiro. Bicho na folha é assunto seu. Bicho dentro do tronco é assunto de agrônomo, e às vezes de fiscal agropecuário.

Resumo rápido:

  • Casquinha marrom colada, algodão branco ou pontinhos claros com teia fina: praga de folha, que sai com lavagem, cotonete com álcool e sabão.

  • Serragem ou fibra mastigada saindo do tronco, com cheiro de fermentado e folhas do centro caídas: suspeita de broca. Sabão e óleo de neem não chegam na larva dentro do tronco.

  • Folha mais nova, ainda fechada, que sai na mão com a base mole indica broto do centro morto. A palmeira de caule único não se recupera disso.

Qual praga está na sua palmeira: identifique pelo sinal

A praga da palmeira quase sempre se reconhece pelo sinal que deixa, antes de você ver o bicho. A folha se divide em folíolos, as tiras finas que saem de uma nervura central, e é ali que a maioria dos sinais aparece. A tabela junta os sinais mais comuns, o lugar onde cada praga aparece e se dá para resolver sozinho.

O que você vê

Praga provável

Onde aparece

Dá para tratar em casa?

Casquinhas marrons ou beges de 2 a 5 mm coladas na nervura e no caule

Cochonilha-de-carapaça

Vaso e jardim

Sim

Tufos brancos de algodão nas dobras da folha e na base dos caules

Cochonilha-farinhenta

Vaso e jardim

Sim

Folha grudenta, depois coberta de pó preto

Melada de cochonilha e fumagina

Vaso e jardim

Sim, tratando a cochonilha

Pontinhos claros na folha e teia fina entre os folíolos

Ácaro-rajado

Vaso, com ar seco

Sim

Riscos prateados com pontinhos pretos na folha

Tripes

Vaso

Sim

Folíolos comidos, ninho de folhas unidas por seda, fezes no chão

Lagarta-das-palmeiras

Jardim

Sim, retirando os ninhos

Serragem ou fibra no tronco, furos, cheiro de fermentado, folhas do centro caídas

Broca-do-olho-do-coqueiro ou outra broca

Jardim

Não: chame um agrônomo

Base do tronco podre, sem serragem e sem furos

Podridão do tronco (doença, não praga)

Jardim

Não: chame um agrônomo

A cochonilha e o ácaro se escondem no lado de baixo dos folíolos, então vire a folha antes de concluir que a palmeira está limpa.

Se o sinal não bate com nenhuma linha, use o diagnóstico por foto do Bloom (plano Premium). Ele compara o sintoma com pragas e doenças conhecidas. O guia de o que a minha planta tem ajuda a separar praga de problema de rega e de luz.

Pragas da palmeira em vaso

As pragas mais comuns da palmeira em vaso são o ácaro-rajado, a cochonilha-farinhenta e a cochonilha-de-carapaça. A Universidade da Flórida (UF/IFAS) cita essas três como as pragas mais comuns da kentia (Howea forsteriana), principalmente dentro de casa. A Extensão da Universidade Estadual da Carolina do Norte (NC State) manda vigiar ácaro e cochonilha também na palmeira-bambu (Chamaedorea seifrizii) e na palmeira-majestosa (Ravenea rivularis).

Cochonilha-de-carapaça

A cochonilha-de-carapaça, também chamada de cochonilha-de-escama, parece uma casquinha marrom ou bege colada na nervura, no caule ou no lado de baixo do folíolo. O inseto adulto não anda: fica parado debaixo dessa casca e suga a seiva. A extensão da Universidade Estadual de Iowa descreve essas cochonilhas como pequenos calombos enfileirados ao longo dos caules e das nervuras.

Existem dois tipos. A cochonilha mole solta melada e deixa a folha grudenta. A cochonilha de carapaça dura não solta melada, e a folha fica seca. Na palmeira, uma das de carapaça dura é a cochonilha-do-coqueiro (Aspidiotus destructor). A UF/IFAS registra essa cochonilha em mais de 60 famílias de plantas, com folha amarelada e deformada.

Formiga subindo e descendo pelo caule é outro aviso de cochonilha mole, porque a formiga vem buscar a melada. Na oliveira, a extensão da Flórida usa a formiga como indicador de cochonilha, como mostra o guia de pragas da oliveira.

Cochonilha-farinhenta

A cochonilha-farinhenta forma tufos brancos que parecem algodão. Eles ficam nas dobras onde a folha abraça o caule e no lado de baixo dos folíolos mais baixos. A cera branca que cobre o corpo do inseto dá essa cara de algodão, segundo a Universidade Estadual de Iowa. A melada que ela solta deixa grudentas as folhas de baixo, a mesa e o chão. Com o tempo, a melada fica preta de fumagina, um fungo que cresce sobre o açúcar.

Pragas da palmeira em vaso: cochonilha-farinhenta, tufos brancos de cera com filamentos nas junções dos caules, perto da terra
Cochonilhas-farinhentas nas junções dos caules de uma palmeira de vaso. Os tufos ficam onde a água do banho quase não chega. Imagem ilustrativa gerada por IA.

Palmeira pequena com cochonilha-farinhenta não precisa ser arrancada. A praga é tratável com cotonete e água, desde que você repita o tratamento até os ovos pararem de eclodir. Se a palmeira está num vaso, afaste o vaso das outras plantas até a praga sumir.

Ácaro-rajado

O ácaro-rajado (Tetranychus urticae), também chamado de ácaro-aranha, é um aracnídeo de menos de 1 mm que suga a folha pelo lado de baixo. Ele deixa pontinhos claros na folha, que depois fica pálida ou bronzeada. Quando a população cresce, o ácaro forma uma teia fina entre os folíolos. Em palmeira cultivada dentro de casa, a UF/IFAS aponta o ácaro como a praga mais comum da palmeira-rabo-de-peixe (Caryota).

Ar seco é o que faz o ácaro-rajado se multiplicar. A Universidade Estadual de Iowa explica que o ácaro prefere ambiente seco e que aumentar a umidade do ar freia a população. Ar-condicionado e aquecedor secam o ar da sala, e a palmeira perto deles pega ácaro com mais facilidade.

Para confirmar, segure uma folha de papel branco debaixo da folha e bata nela algumas vezes. Pontinhos que caem e andam são ácaros. Pontinhos parados são poeira.

Tripes

Tripes são insetos finos e alongados, de menos de 1,3 mm, que raspam a superfície da folha. O dano são riscos prateados ou cor de bronze no lado de cima da folha, com pontinhos pretos por cima. Os pontinhos são as fezes do inseto (UC IPM). A NC State lista o tripes entre os insetos comuns da palmeira-bambu e da palmeira-majestosa.

Como tratar as pragas da palmeira em vaso

Trate as pragas da palmeira em vaso em quatro passos: separe a planta, lave as folhas, tire os bichos à mão e repita o tratamento. O mesmo roteiro serve para cochonilha, ácaro e tripes. O que muda é o intervalo de repetição.

  • Separe a palmeira. Afaste o vaso das outras plantas, como recomenda a Universidade Estadual de Iowa, para a praga não passar para as vizinhas.

  • Lave as folhas no chuveiro. Use água em temperatura ambiente nos dois lados dos folíolos e na base dos caules. A UF/IFAS registra que a água sobre as folhas diminui o ácaro-rajado, e o jato também derruba cochonilhas-farinhentas soltas.

  • Passe cotonete com álcool. Molhe um cotonete em álcool 70% e encoste em cada cochonilha visível. A Universidade Estadual de Iowa indica o cotonete com álcool quando há poucos insetos. Descole as carapaças duras com a unha ou uma escova de dente velha.

  • Use sabão inseticida só depois de testar. A UF/IFAS manda aplicar o sabão numa área pequena e esperar 1 dia para ver se a folha queima. Planta em crescimento pede a dose mais baixa do rótulo.

A repetição é o que resolve. Para cochonilha, revise a palmeira inteira a cada 5 dias por 3 semanas, porque os ovos que você não viu eclodem nesse intervalo. Para ácaro, repita a lavagem e o sabão a cada 4 a 7 dias, 3 vezes. Os detalhes de cada praga estão nos guias de como eliminar cochonilha e de ácaro em plantas.

Inseticida forte de amplo espectro costuma piorar o ácaro, porque mata os inimigos naturais dele. O guia de pragas de plantas de interior explica esse efeito e o que não funciona contra cada praga.

Depois que a praga sumir, previna a volta com o cuidado de sempre. Dê luz clara sem sol forte, regue quando a camada de cima da terra secar e lave as folhas no chuveiro de vez em quando. O guia de como cuidar de palmeiras traz a luz e a rega de cada espécie.

Pragas da palmeira no jardim

As pragas da palmeira de jardim mais graves são as brocas, larvas grandes que cavam galerias dentro do tronco e do broto do centro. Quando o sinal aparece por fora, a larva já está lá dentro, longe de qualquer produto aplicado nas folhas.

Broca-do-olho-do-coqueiro e anel-vermelho

A broca-do-olho-do-coqueiro (Rhynchophorus palmarum) é uma das pragas mais importantes das palmeiras no Brasil, segundo o Instituto Biológico de São Paulo. O adulto é um besouro preto de 4,5 a 6 cm, com um "bico" curvo de cerca de 1 cm, segundo a Embrapa. A larva come o broto do centro da palmeira, que os produtores chamam de "olho".

Broca-do-olho-do-coqueiro adulta: besouro preto brilhante com bico longo e curvo, sobre um tronco coberto de líquen
Adulto da broca-do-olho-do-coqueiro (Rhynchophorus palmarum). O bico curvo na frente da cabeça é o que separa esse besouro dos outros besouros pretos do quintal. Foto: Bernard DUPONT, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0.

Segundo a Embrapa, a palmeira atacada mostra primeiro a folha do centro deformada e rasgada. Depois, as folhas mais novas amarelam, murcham e se curvam, o que indica a morte da planta. O besouro adulto também transmite o nematoide Bursaphelenchus cocophilus, um verme microscópico que causa o anel-vermelho.

O anel-vermelho é uma doença letal. Por fora, as folhas murcham e ficam amarelo-ouro, começando pela ponta dos folíolos. Por dentro, o tronco cortado mostra uma faixa avermelhada de 2 a 4 cm de largura, segundo a Embrapa.

Para a broca e para o anel-vermelho, a Embrapa não indica remédio de pulverizar. A recomendação é eliminar logo a palmeira doente e reduzir a população do besouro com armadilhas de feromônio. Um agrônomo ou uma empresa de manejo de palmeiras faz esse trabalho com segurança.

O besouro é atraído pelo cheiro de fermentação de palmeira ferida. O Instituto Biológico de São Paulo registra que o corte de folhas ou do tronco solta esse cheiro e atrai os adultos. No jardim, corte só a folha totalmente seca e não machuque o tronco à toa.

Bicudo-vermelho (Rhynchophorus ferrugineus)

O bicudo-vermelho-das-palmeiras (Rhynchophorus ferrugineus) é uma espécie asiática do mesmo gênero da broca-do-olho e mata palmeiras na Europa, na Ásia e no Oriente Médio. No Brasil, ele é uma praga quarentenária ausente: ainda não foi encontrado no país, e o governo trabalha para impedir a entrada. A Portaria SDA/MAPA nº 1.291, de 2025, coloca o bicudo-vermelho nessa lista, segundo o Ministério da Agricultura (MAPA).

O MAPA registra o bicudo-vermelho na Argentina, no Uruguai e em países do Caribe. O MAPA lista estes sinais de ataque: furos pequenos no tronco, saída de seiva ou de fibras mastigadas e cheiro forte. As folhas do centro ficam amareladas ou caídas, e a copa se deforma.

Se você suspeitar do bicudo-vermelho no Brasil, não mexa na palmeira e não transporte pedaços dela. O MAPA pede que a suspeita seja comunicada à Superintendência Federal de Agricultura do seu estado ou ao órgão estadual de defesa sanitária vegetal.

Mariposa-das-palmeiras (Paysandisia archon)

A Paysandisia archon é uma mariposa grande cuja lagarta cava galerias no tronco e nas folhas da palmeira. Ela é nativa do Rio Grande do Sul, da Argentina, do Uruguai e do Paraguai. A EPPO, organização europeia de proteção de plantas, não registra a mariposa como praga na América do Sul. Na França, na Itália e na Espanha, ela matou palmeiras.

Os sinais descritos pela EPPO são serragem no topo ou no tronco, furos e galerias, e folhas furadas. Nas palmeiras de folha em leque, os furos aparecem em fileira quando a folha nova se abre. Entre as palmeiras atacadas estão a palmeira-moinho (Trachycarpus fortunei), a Chamaerops humilis (palmeira nativa do Mediterrâneo), a washingtônia (Washingtonia) e o butiá (Butia).

Lagarta-das-palmeiras (Brassolis sophorae)

A lagarta-das-palmeiras (Brassolis sophorae) come os folíolos à noite e passa o dia escondida em ninhos que ela mesma tece, unindo folíolos com seda. Segundo o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), a presença dela aparece pelas fezes no chão e pelo barulho das fezes caindo sobre as plantas. No estado de São Paulo, a lagarta aparece de setembro ou outubro até março, na primavera e no verão do hemisfério sul.

O controle indicado pelo IAC começa pelo mecânico: retire os ninhos e destrua as lagartas. O IAC também cita o controle biológico, com a bactéria Bacillus thuringiensis e o fungo Beauveria bassiana.

Serragem no tronco ou topo caído: a palmeira ainda tem salvação?

Palmeira com serragem no tronco e o topo caído para o lado raramente se salva quando a causa é broca. Cada caule de palmeira cresce de um único broto no topo, e a larva da broca-do-olho come justamente esse broto. Segundo a Embrapa, quando as folhas mais novas amarelam, murcham e se curvam, a planta está morrendo.

Faça o teste da folha mais nova. Puxe de leve a folha do centro, a que ainda está fechada. Se ela resiste, o broto está vivo. Se ela sai na mão com a base mole e escura, o broto morreu. A UF/IFAS usa o mesmo teste para avaliar palmeira depois de geada.

O resultado muda conforme a palmeira:

  • Palmeira de caule único com o broto morto: não se recupera. A Embrapa manda eliminar a palmeira morta por broca ou por anel-vermelho, porque ela vira criadouro do besouro.

  • Palmeira de vários caules: só o caule com o broto morto morre, e os outros continuam. Peça a um agrônomo para retirar o caule atacado.

  • Broto firme, com serragem só num ponto do tronco: ainda há o que avaliar. Chame um agrônomo antes de o ataque chegar ao topo.

Sabão, óleo de neem e calda caseira não chegam na larva, que vive dentro do tronco. O agrônomo italiano Fiorenzo Pandini acompanha a Paysandisia no Lago de Garda. Ele escreve que a pulverização por fora é inútil, porque o produto não alcança o interior do tronco. A Embrapa também não indica pulverização para a broca-do-olho.

Palmeira grande com broca pode tombar. O Instituto Biológico lista o tombamento da planta entre os sintomas do ataque. Se a palmeira fica perto de casa, de carro ou de onde as pessoas passam, afaste todos da área de queda até o agrônomo avaliar.

Nem todo tronco podre é broca. Segundo o mesmo agrônomo, a podridão causada por fungo apodrece o tronco sem deixar marcas de roedura, como serragem e furos. Nesse caso, o problema é doença e pede outro tratamento, também com avaliação de um agrônomo.

Perguntas frequentes

Quais insetos atacam as palmeiras?

Na palmeira de vaso, os insetos mais comuns são a cochonilha-de-carapaça e a cochonilha-farinhenta, além do ácaro-rajado, que é um aracnídeo, e do tripes. No jardim do Brasil, os mais graves são a broca-do-olho-do-coqueiro, que transmite o anel-vermelho, e a lagarta-das-palmeiras. O bicudo-vermelho, comum na Europa, ainda não foi encontrado no Brasil.

Óleo de neem funciona contra a broca da palmeira?

Não. A larva da broca vive dentro do tronco e do broto do centro, e nenhum produto aplicado nas folhas chega até ela. Para a broca-do-olho, a Embrapa recomenda armadilhas de feromônio e a eliminação da palmeira doente. O óleo de neem e o sabão servem para praga de folha, como cochonilha e ácaro.

O que é a coisa branca grudenta na palmeira?

Tufos brancos que parecem algodão, com folha grudenta em volta, são cochonilha-farinhenta. A cera branca cobre o corpo do inseto, e o grude é a melada que ele solta. Tire os tufos com cotonete molhado em álcool 70%, lave as folhas e revise a palmeira a cada 5 dias por 3 semanas.

Formiga na palmeira é praga?

A formiga não costuma atacar a palmeira, mas indica cochonilha mole. Ela vem buscar a melada, o líquido açucarado que a cochonilha solta nas folhas e no caule. Procure casquinhas marrons ou tufos brancos no lado de baixo dos folíolos e nos caules. Tratar a cochonilha acaba com a trilha de formigas.

Conclusão

As pragas da palmeira de vaso ficam na folha e saem com banho, cotonete com álcool e repetição por 3 semanas. As pragas da palmeira de jardim que matam ficam dentro do tronco. Serragem, furos, cheiro de fermentado e topo caído pedem um agrônomo, e a suspeita de bicudo-vermelho pede aviso ao MAPA.

Para confirmar qual praga está na sua palmeira, o diagnóstico do Bloom (plano Premium, app para iPhone) analisa uma foto do sintoma.

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