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Pragas da roseira: como tratar o pulgão em quatro passos

O pulgão da roseira ataca o botão e a ponta do broto novo, então o prejuízo é flor deformada, não folha amarela. Veja como confirmar e o que fazer, do jato de água ao óleo de neem.

por Bloom 11 min de leitura
Pragas da roseira: como tratar o pulgão em quatro passos

Entre as pragas da roseira, o pulgão é a mais comum e a mais assustadora de ver. São centenas de insetos verdes ou rosados grudados na ponta do broto novo, e eles aparecem em poucos dias. O pulgão na roseira estraga a flor, e não a planta: um arbusto formado atravessa uma infestação pesada e volta a brotar.

O que você decide agora é quanto quer salvar da floração desta temporada. A ordem certa é começar pelo gesto mais leve e só subir de intensidade se ele não bastar.

Resumo rápido:

  • O pulgão da roseira fica em cacho na ponta do broto e no botão fechado. É por isso que o jato de água funciona: o alvo está exposto.

  • Folha já deformada pelo pulgão não volta ao normal. Tratar cedo é o que preserva os botões que ainda não abriram.

  • Sabão inseticida não é detergente de louça. Detergente sob sol forte queima a folha da roseira.

  • Inseticida de amplo espectro mata a joaninha e o sirfídeo junto com o pulgão, e costuma ser seguido por um surto de ácaro.

Como saber que é pulgão na roseira e não outra praga

O pulgão da roseira é a espécie Macrosiphum rosae. São insetos de corpo mole, em forma de pera, de cerca de 3 mm, cor verde ou rosada, sempre em aglomerado. A Clemson Extension descreve o lugar exato em que eles se instalam: o crescimento novo. São os botões, as folhas jovens e as hastes novas e macias.

Três sinais confirmam o diagnóstico sem lupa. O primeiro é a posição: o cacho fica nos 10 cm finais do ramo, nunca nas folhas velhas da base. O segundo é a melada, um líquido açucarado e pegajoso que o pulgão elimina e que deixa a folha brilhante ao toque. O terceiro é a fumagina, um bolor preto fino que cresce em cima da melada e se limpa com pano úmido.

Colônia de pulgões verdes cobrindo um botão de rosa fechado e a ponta do broto
O pulgão da roseira em cima do botão fechado, um dos três lugares em que a Clemson Extension diz que ele se instala. Os pontos brancos são as peles que os insetos deixam ao trocar de pele. Foto: Whitney Cranshaw, Colorado State University, CC BY 3.0 US.

A formiga subindo e descendo pelo caule é um quarto sinal, e é indireto. Ela não come o pulgão: ela colhe a melada.

O que o pulgão estraga de fato na roseira

O prejuízo do pulgão é a flor. Em populações altas, a picada distorce o botão e reduz o tamanho e o número das flores abertas, segundo a Clemson Extension. O broto novo cresce torto, e a folha jovem enrola.

A folha que já saiu deformada não volta ao formato normal depois do tratamento, e fica assim na planta até cair. Tratar hoje não conserta o que já está torto: preserva os botões que ainda não abriram.

O pulgão não é a causa de folha amarela na roseira. O amarelo tem outras causas, e algumas pedem ações opostas. Quem diagnostica folha amarela na roseira olha duas coisas: a altura da folha no arbusto e o que aparece junto do amarelo.

Vale tratar, ou dá para não fazer nada

Em muitos casos não fazer nada é a conduta certa. A University of Maryland Extension é direta: surtos de pulgão nem sempre pedem intervenção, e ao ar livre a natureza costuma resolvê-los sozinha. Populações baixas causam dano mínimo.

A janela em que o pulgão é mesmo um problema é curta. Na Califórnia, a UC Statewide IPM Program registra cerca de seis semanas, na primavera e no início do verão. Depois disso o calor forte derruba a população.

Três perguntas decidem por você. A roseira está florindo ou prestes a florir? O cacho cobre mais da metade dos brotos novos? Você vê joaninha, larva de sirfídeo ou de crisopídeo na planta? O sirfídeo é a mosca listrada que parece uma abelha pequena, e o crisopídeo tem asas finas e transparentes. Se as duas primeiras forem sim e a terceira for não, trate. Fora disso, observe por uma semana antes de comprar qualquer coisa.

Tratamento do pulgão na roseira, do mais leve ao mais forte

Os quatro degraus abaixo são cumulativos. Suba um degrau só quando o anterior não segurar a infestação depois de duas tentativas.

1. Jato de água na ponta do broto. Use a mangueira com pressão firme e mire o cacho, inclusive a face de baixo das folhas jovens. A UC IPM recomenda fazer isso cedo, no começo do dia, para a folha secar antes da noite. O pulgão derrubado no chão não volta a subir. Repita a cada dois ou três dias enquanto houver cacho visível.

2. Corte da ponta muito infestada. Quando um ramo está tomado do botão até 15 cm abaixo, corte esse trecho e descarte no lixo, não no canteiro. A Clemson Extension inclui a remoção das pontas infestadas no manejo. Não passe de dois ou três ramos por arbusto: poda demais tira a floração que você está tentando salvar.

3. Sabão inseticida. É um inseticida de contato: só mata o pulgão que a gota atinge, e não tem efeito depois de secar. A Clemson Extension dá a concentração de 1 a 2% e manda repetir a aplicação três vezes, com 5 a 7 dias entre elas. Não pulverize sob sol direto nem acima de 32 °C: use o fim da tarde.

4. Óleo de neem. Entra quando o sabão não segurou depois das três aplicações. O neem também é de contato e aparece na lista de produtos da Clemson Extension para pulgão em roseira. O princípio ativo dele é a azadiractina, e ela se degrada rápido na folha. Segundo o National Pesticide Information Center, a meia-vida é de 1 a 2,5 dias. Meia-vida é o tempo que metade do produto leva para se decompor.

Existem rotinas mais apertadas para o sabão inseticida, com dois ou três dias entre aplicações. Este artigo segue os 5 a 7 dias da Clemson Extension, que é a recomendação publicada para roseira. A lista de princípios ativos dela é a dos Estados Unidos, e no Brasil quem registra defensivo agrícola é o Ministério da Agricultura. Confira no rótulo se o produto traz indicação de uso em jardim doméstico antes de comprar, e siga a dose da embalagem brasileira.

Sabão inseticida não é detergente de louça

Sabão inseticida comercial é feito de sais de potássio de ácidos graxos, e é isso que está no rótulo. Ele mata por sufocamento e por remover a cera que protege o corpo do inseto.

Detergente de louça é outra coisa. A Clemson Extension escreve que detergentes de louça em pó e todos os de roupa são agressivos demais para a planta. A culpa é dos aditivos que eles trazem. A mesma página vai além do detergente em pó. Ela diz que alguns sabões e detergentes são inseticidas ruins, e que os aditivos desses produtos podem ser fitotóxicos. Fitotóxico quer dizer que danifica o tecido da planta.

A Penn State Extension tem uma página inteira sobre receita caseira, e lista quatro problemas. Ela não vem com instrução de uso, pode não funcionar, pode ferir pessoa, animal e planta, e o uso pode ser ilegal. Sobre detergente, o texto é específico: pulverizar planta com receita à base de detergente em dia de sol pode queimar a planta.

Se você for usar sabão inseticida, teste antes. A Clemson recomenda pulverizar um ramo só e esperar 24 horas para ver se aparece dano, antes de molhar o arbusto inteiro.

Dá para tratar a roseira com gato ou cachorro em casa?

Dá, com duas precauções. Sabão inseticida e óleo de neem são inseticidas de contato, sem efeito residual. Usados conforme o rótulo, têm baixa toxicidade para pessoas, animais domésticos e polinizadores.

A palavra "natural" no rótulo não quer dizer inofensivo para o gato. O National Pesticide Information Center registra casos de neem aplicado diretamente sobre gatos, para controle de pulga. As reações foram salivação excessiva, tremor, dificuldade de movimento e convulsão, com alguns óbitos. A maioria dos animais se recuperou em 1 a 5 dias. Esses casos são do produto sobre o animal, e não de um gato passando perto de um arbusto tratado.

Pulverize no fim da tarde e mantenha o gato e o cachorro longe do canteiro até a planta secar ao toque. O fim da tarde também reduz a exposição dos polinizadores, como a Clemson recomenda para qualquer pulverização em planta florida.

Por que os pulgões voltam depois do jato de água

O pulgão voltar alguns dias depois do jato de água é o comportamento normal da praga. As fêmeas do pulgão geram filhotes vivos sem acasalamento, e em calor de verão uma geração se completa a cada uma ou duas semanas. Um punhado de sobreviventes reconstrói a colônia em poucos dias.

A formiga acelera esse retorno. A University of Maryland Extension descreve as formigas cuidando dos pulgões como um rebanho, circulando pela colônia e protegendo-a dos predadores. A recomendação prática é derrubar as formigas primeiro, com água ou sacudindo o ramo, e só depois tratar o pulgão.

O pulgão não é praga exclusiva da roseira: ele ataca hortaliça, arbusto, trepadeira e planta de dentro de casa, sempre pelo broto novo. O ciclo completo da praga está no guia de pulgão em plantas.

A joaninha que você não precisa comprar

A joaninha faz o trabalho de graça, e comprá-la costuma ser dinheiro perdido. A Clemson Extension desaconselha a compra. As joaninhas vendidas são colhidas durante a hibernação, chegam desorientadas e voam embora à procura de outro lugar para hibernar. O caminho que funciona é atrair as que já existem na vizinhança.

Atrair significa, na prática, não matá-las. A UC IPM lista vespas parasitoides, joaninhas, besouros-soldado e sirfídeos como os inimigos naturais do pulgão na roseira. Todos morrem com inseticida de amplo espectro, que é o nome dos produtos que matam muitos tipos de inseto ao mesmo tempo.

Pulverizar largo tem um custo medido. A UC IPM registra que aplicações de carbaril ou de piretroide são frequentemente seguidas por um aumento da população de ácaros. O produto elimina os inimigos naturais do ácaro. Você resolve o pulgão de hoje e compra o ácaro do mês que vem.

Quando a dúvida é qual bicho está na planta, uma foto resolve mais rápido que a descrição. O Bloom identifica a planta pela foto, e o diagnóstico de doenças por foto está no Premium. O app é de iPhone. Para atacar o problema pelo sintoma em vez da praga, comece por o que minha planta tem.

Quando o pulgão aparece na roseira no Brasil

As seis semanas de pico caem na primavera, que no Brasil vai de setembro a novembro. A brotação forte da roseira acontece nesse período, e é dela que o pulgão depende. O calor de dezembro a fevereiro derruba a população, e o frio de junho a agosto interrompe a brotação no Sul e no Sudeste.

O mês do ano prevê menos do que o estado da planta. A UC IPM anota que o pulgão prefere tecido em crescimento rápido, como botões e brotos. A vigilância que funciona é por evento, não por mês. Olhe a ponta dos ramos na semana seguinte a cada poda e a cada adubação. As duas provocam brotação nova.

No Norte e no Nordeste, onde a roseira não perde as folhas no inverno, não existe mês livre. Lá a inspeção é o ano inteiro, sempre ligada ao surgimento de broto novo.

O excesso de adubo nitrogenado cria essa brotação fora de hora. Adubo demais produz broto macio e suculento, que é exatamente o tecido que o pulgão procura. A dose e o intervalo de cada tipo de roseira estão no guia de como cuidar de roseira.

As outras pragas da roseira, em um minuto

O pulgão responde pela maioria dos casos, mas quatro outras pragas aparecem em roseira no Brasil. Cada uma tem um sinal que a separa das demais.

Praga

O sinal que a identifica

Onde procurar

Ácaro-rajado

Pontilhado claro na face de cima da folha e teia fina

Face de baixo da folha, em calor e tempo seco

Tripes

Pétala riscada ou manchada de marrom, flor deformada

Dentro da flor aberta

Cochonilha

Crostas imóveis, brancas ou marrons, sem pernas visíveis

Haste lenhosa e axila do ramo

Vaquinha

Furos redondos na pétala da flor aberta

Na flor aberta, em dias quentes

O ácaro-rajado é o mais confundido com o pulgão, e é bem menor: cerca de 0,5 mm (1/50 de polegada), segundo a Clemson Extension. Ele não forma cacho visível e não produz melada. O tratamento também difere: a UC IPM alerta que inseticidas de amplo espectro aumentam a população de ácaro em vez de reduzi-la. O guia do ácaro-aranha traz o manejo completo.

Os tripes são insetos amarelo-amarronzados de menos de 1,6 mm, com asas franjadas, e atacam a flor em vez da folha. A UC IPM observa que o dano é pior em rosas claras e perfumadas plantadas em canteiro adensado. A cochonilha se reconhece pela imobilidade: ela parece uma crosta colada na haste.

A vaquinha é o besouro que fura a flor aberta. A espécie mais comum no Brasil é a Diabrotica speciosa. A Embrapa descreve o adulto como verde, de 5 a 7 mm, com três manchas amarelas ovais em cada asa anterior. Ela se cata à mão, uma a uma, sobre a flor.

Mini roseiras vendidas em vaso pequeno costumam chegar da estufa já com praga. Inspecione a ponta dos brotos e separe o vaso novo das outras plantas por uma a duas semanas. Esse é o prazo de quarentena descrito em pragas em plantas de interior. A oliveira de varanda repete o padrão com cochonilha e tripes: veja pragas da oliveira.

Perguntas frequentes

Qual o produto mais eficaz contra pulgão na roseira?

Não existe um produto único. Para infestação leve, o jato de água resolve sem custo. Para infestação média, a Clemson Extension indica sabão inseticida a 1 ou 2%, repetido três vezes com 5 a 7 dias de intervalo. O óleo de neem entra quando o sabão não segura.

Vinagre mata pulgão?

Não há recomendação de extensão universitária para usar vinagre contra pulgão. O vinagre é ácido acético, usado comercialmente como herbicida, e ele danifica o tecido de qualquer planta que atingir. Na roseira, o risco de queimar folha e botão é maior que o benefício.

Como acabar de vez com o pulgão da roseira?

Não se acaba de vez. O pulgão volta a cada brotação nova, porque é do tecido novo e macio que ele vive. No calor, uma geração se completa em uma ou duas semanas. O objetivo realista é manter a população baixa durante as seis semanas de pico da primavera.

O tratamento é seguro para o gato?

Sabão inseticida e óleo de neem têm baixa toxicidade para animais domésticos quando aplicados conforme o rótulo. Mantenha o gato longe do canteiro até a planta secar ao toque. O neem aplicado diretamente sobre o animal é outra situação e causou reações graves em gatos.

O que fazer agora

Vá até a roseira e olhe os 10 cm finais de três ramos. Se houver cacho de insetos verdes ou rosados nos botões, passe o jato de água amanhã cedo e repita em dois dias. Se depois de duas passadas o cacho voltar no mesmo tamanho, suba para o sabão inseticida a 1 ou 2%. Aplique no fim da tarde, três vezes, com 5 a 7 dias entre elas.

Deixe as joaninhas em paz durante todo o processo. O sabão e o neem param de agir assim que secam, e elas continuam comendo pulgão depois disso.

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