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Dipladênia no inverno: quanto frio aguenta e como proteger

A dipladênia aguenta noites de até 10 °C, mas não mais frias. Abaixo disso as folhas sofrem mesmo sem geada, e a geada mata os ramos. Veja quando proteger a planta, como passar o inverno dentro de casa e o que fazer quando ela perde as folhas ou pega frio.

por Bloom 13 min de leitura
Dipladênia no inverno: quanto frio aguenta e como proteger

A dipladênia no inverno aguenta noites de até 10 °C, mas não mais frias. Abaixo dessa temperatura as folhas sofrem mesmo sem geada, e a geada mata os ramos. A Royal Horticultural Society (RHS), a sociedade britânica de horticultura, avisa que noites abaixo de 10 °C podem matar a planta. O serviço de Extensão da Universidade Clemson, nos Estados Unidos (a parte da universidade que orienta jardineiros), põe o mínimo tolerado entre 7 e 10 °C.

No Brasil, a dipladênia passa o inverno do lado de fora na maior parte do país. Ela só precisa de proteção nas madrugadas abaixo de 10 °C e nas noites de geada. Dipladênia e mandevila são nomes da mesma planta: a dipladênia já teve um gênero botânico próprio (Dipladenia) e hoje faz parte do gênero Mandevilla. Os cuidados de inverno valem para as duas.

Sua situação

O que fazer no inverno

Previsão de madrugada acima de 10 °C

Deixe a planta onde está. Regue menos e não adube.

Previsão de madrugada abaixo de 10 °C, sem geada

Leve o vaso para dentro, se puder. Se não puder, encoste o vaso numa parede, debaixo de um beiral e longe do vento. Planta no chão: cubra com manta de tecido para plantas (pano branco e fino) à noite e tire de manhã.

Previsão de geada

Leve o vaso para dentro de casa, perto de uma janela clara. Planta no chão: cubra com manta à noite.

Planta dentro de casa

Escolha entre dois jeitos: janela clara com a planta crescendo devagar, ou um lugar claro e fresco, entre 10 e 15 °C, com a planta parada (sem crescer e sem folhas novas).

Folhas escuras e moles depois de uma noite fria

Não corte nada ainda. Espere pelo menos 3 a 7 dias e raspe a casca de um ramo com a unha: verde por baixo está vivo, marrom está morto. Corte só depois que as noites frias passarem.

Folhas amarelas e grudentas

Procure pragas embaixo das folhas e nas junções das folhas com o ramo.

Quanto frio a dipladênia aguenta

A dipladênia aguenta noites de 10 °C, mas não mais frias. A RHS indica manter a planta acima de 15 °C nas noites de inverno. Algumas plantas sobrevivem um pouco abaixo disso, desde que fiquem acima de 10 °C (RHS). A Extensão de Clemson dá o mínimo tolerado entre 7 e 10 °C (45 a 50 °F). Com frio demais, a planta derruba as folhas (RHS).

A planta é tropical por origem. A Mandevilla sanderi, uma das espécies vendidas como dipladênia, é nativa do estado do Rio de Janeiro e cresce em clima tropical úmido. O antigo nome dela era Dipladenia sanderi (Royal Botanic Gardens, Kew). Muitas plantas vendidas hoje são híbridos de mais de uma espécie, segundo a NC State Extension.

Frio acima de zero também faz mal

Planta tropical sofre dano por resfriamento: é o dano causado pelo frio acima de 0 °C, sem gelo nenhum. Entre 0 e 10 °C, o frio desregula a fotossíntese, a respiração e o funcionamento das membranas das células da planta, segundo a Extensão da Universidade da Flórida (UF/IFAS). Abaixo de 0 °C, o gelo se forma dentro das células e rompe os tecidos.

Por isso a dipladênia pode amanhecer com folhas escuras depois de uma noite de 5 °C, sem geada. A UF/IFAS explica que a parte de cima da planta morre quando ela fica exposta a temperaturas de congelamento (0 °C ou menos).

Por que este guia usa 10 °C, e não 8 °C

Parte das lojas e revistas de jardinagem da Alemanha indica um abrigo de inverno entre 8 e 12 °C e manda recolher a planta quando a noite cai abaixo de 8 °C. Elas não citam fonte. A Extensão de Clemson aceita de 7 a 10 °C, e a RHS diz que abaixo de 10 °C a planta pode morrer. Este guia segue a RHS e fica no extremo mais seguro da faixa de Clemson: assim a planta fica protegida também numa noite de 9 °C.

Existe mandevila que aguenta mais frio?

A Mandevilla laxa, conhecida como jasmim-do-chile, aguenta até 5 °C, segundo a RHS. A Extensão de Clemson diz que a raiz dela aguenta cerca de −15 °C (5 °F). A laxa é uma trepadeira de flor branca e perfumada, pouco vendida no Brasil. A cor branca não basta para reconhecer a laxa, porque há dipladênias brancas. Se você comprou a planta em vaso como dipladênia, use o limite de 10 °C.

Dipladênia no inverno do Brasil: quando proteger

No Brasil, o inverno vai de junho a agosto. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), há geada no Sul, no Sudeste e no Mato Grosso do Sul (INMET, prognóstico de inverno). O maior risco de geada fica entre o sul do Paraná e o norte do Rio Grande do Sul. Nas cidades mais altas dessa faixa, o risco é maior (Wrege e colegas, Revista Brasileira de Climatologia, 2018).

A geada não é o único aviso. Use a previsão do tempo da sua cidade e olhe a temperatura mínima da madrugada. Mínima abaixo de 10 °C já pede proteção, mesmo sem geada. Nenhuma fonte consultada mediu quanto a parede, o beiral ou a manta protegem a dipladênia. Por isso, levar o vaso para dentro é a opção mais segura; parede e manta servem para a planta que não cabe ou não pode entrar.

Para proteger a dipladênia que fica do lado de fora:

  • Vaso na varanda: encoste o vaso numa parede da casa, debaixo de um beiral ou de uma cobertura, longe do vento e da chuva fria.

  • Planta no chão ou no muro: cubra com manta de tecido para plantas no fim da tarde e tire de manhã. A manta é um pano branco e fino, vendido em lojas de jardinagem.

  • Previsão de geada: leve o vaso para dentro de casa por aquela noite. Planta no chão fica com manta e pode perder os ramos de cima, como explica a seção sobre planta que pegou frio.

Herdou a planta junto com a casa e não sabe se é mesmo uma dipladênia? O Bloom (disponível para iOS) identifica a planta por foto. Outra trepadeira de flor vermelha pode aguentar mais frio ou menos.

Como passar o inverno com a dipladênia dentro de casa

Dentro de casa, a dipladênia passa o inverno de dois jeitos. O Jardim Botânico de Nova York (NYBG) descreve os dois numa resposta de Sonia Uyterhoeven, jardineira responsável pela educação do público no jardim (NYBG).

Jeito 1: planta crescendo devagar, perto de uma janela clara.

  1. Corte os ramos antes de levar a planta para dentro, até um tamanho que caiba no cômodo. O NYBG indica cortar cerca de metade do comprimento.

  2. Ponha o vaso perto da janela mais clara da casa. No Brasil, a janela que pega mais sol no inverno é a voltada para o norte. Dentro de casa, a planta precisa de luz clara e indireta, ou de sol filtrado por cortina (Clemson). Se o sol bater direto nas folhas, ponha uma cortina fina entre a planta e o vidro.

  3. Regue quando a terra da superfície estiver seca ao toque. Não adube.

Para a planta crescendo, a RHS indica mais de 15 °C à noite e, no mínimo, mais de 10 °C. A NC State lembra que, dentro de casa, a dipladênia precisa de ar úmido. A RHS sugere apoiar o vaso numa bandeja com pedrinhas molhadas, sem deixar a terra encharcar.

Jeito 2: planta parada num lugar claro e fresco.

  1. Corte forte os ramos, deixando a planta com cerca de 30 cm (12 polegadas) de altura (NYBG).

  2. Guarde o vaso num lugar que fique entre 10 e 15 °C, a faixa de inverno da RHS. O NYBG cita garagem e porão. A RHS lembra que a dipladênia não gosta de sombra, então um cômodo frio e com janela é melhor que um porão sem luz.

  3. Regue só o bastante para a terra não secar por completo. Nenhuma fonte dá o intervalo de rega da planta parada: olhe a terra uma vez por semana e regue um pouco quando ela estiver seca ao toque.

Escolha o jeito 1 se você tem uma janela clara sobrando. Escolha o jeito 2 se a planta é grande demais para a sala e você tem um cômodo fresco e claro.

Antes de levar qualquer vaso para dentro, procure pragas. A Extensão de Clemson manda olhar embaixo das folhas, nas junções das folhas com o ramo e em cada canto da planta. Uma praga levada para dentro passa para os outros vasos da casa.

Quando a previsão da semana inteira marcar mínimas acima de 10 °C, a planta pode voltar para fora. A RHS recomenda acostumar a planta aos poucos ao sol e ao vento de fora, em vez de mudar tudo num dia só.

Rega e adubo da dipladênia no frio

No frio, a dipladênia bebe menos água, porque cresce mais devagar. A RHS manda reduzir a rega e manter a terra só levemente úmida, sem deixar secar por completo. A NC State manda deixar a terra secar no inverno. As duas orientações se encontram assim: regue quando a terra da superfície estiver seca ao toque, e não deixe o vaso secar até o fundo.

A RHS avisa que a dipladênia não tolera excesso de água no inverno. Terra fria e encharcada apodrece a raiz. Esvazie o pratinho do vaso depois de cada rega.

Não adube no inverno. O NYBG manda voltar a adubar uma vez por mês a partir do fim do inverno, depois da poda. A UF/IFAS manda esperar a brotação antes de adubar uma planta que pegou frio. Este guia segue a UF/IFAS, que é extensão universitária: volte a adubar uma vez por mês quando a planta brotar.

Dipladênia perdendo folhas no frio: quando é normal

A dipladênia que perde algumas folhas no inverno costuma estar só reagindo ao frio e à luz mais fraca. A RHS explica que a planta derruba folhas quando fica fria demais. Folha que cai e deixa o ramo verde e firme volta a crescer quando a temperatura sobe.

O que separa a queda normal de um problema é o estado do ramo, da terra e da folha:

  • Algumas folhas amarelas caindo, ramo verde e firme, terra levemente úmida: reação ao frio ou à pouca luz. Mude a planta para um lugar mais claro e acima de 10 °C.

  • Muitas folhas caindo e terra encharcada há vários dias: suspeite da raiz. Tire a planta do vaso e olhe as raízes. Raiz escura e mole é podridão de raiz.

  • Folhas escuras, moles e com aspecto molhado de um dia para o outro, depois de uma noite fria: dano por frio. Siga a próxima seção.

  • Folhas amarelas e grudentas, ou com pontinhos claros: pragas. Veja a seção sobre folhas grudentas.

  • Ramo marrom e seco por dentro no teste do arranhão: aquele ramo morreu.

O guia de dipladênia com folhas caindo lista as outras causas da queda, fora do inverno.

Dipladênia que pegou frio ou geada: dá para salvar?

Muitas vezes dá. A UF/IFAS lembra que muitas plantas tropicais voltam a brotar da raiz mesmo quando a parte de cima morre. A Extensão de Clemson diz que a dipladênia podada quase rente ao chão ainda floresce no mesmo verão, nos ramos novos.

Dipladênia em vaso numa varanda na manhã depois de uma noite fria, com várias folhas de cima escuras, moles e com aspecto molhado, folhas da ponta secas e marrons, e folhas de baixo ainda verdes
Dano por frio: as folhas de cima escurecem de um dia para o outro, e os ramos de baixo continuam verdes. Imagem ilustrativa gerada por IA.

Siga esta ordem, com base na UF/IFAS:

  1. Espere pelo menos 3 a 7 dias antes de avaliar. O dano por frio parece pior logo depois da noite fria.

  2. Não adube, não faça poda forte e não regue a mais nesse período. Essas três coisas estressam a planta e puxam brotos fracos.

  3. Faça o teste do arranhão. Raspe de leve a casca de um ramo com a unha. Verde por baixo da casca quer dizer ramo vivo; marrom ou preto quer dizer ramo morto.

  4. Deixe os ramos danificados na planta enquanto houver risco de nova noite fria. O tecido morto protege a parte viva de baixo. A folha que já ficou toda marrom pode sair.

  5. Quando as noites frias passarem, corte só até a parte verde. O dano muitas vezes fica só nas pontas. Na dúvida, espere a planta brotar antes de cortar.

Se o teste do arranhão der marrom em todos os ramos, ainda não jogue a planta fora. Mantenha a terra levemente úmida, sem encharcar, e espere a primavera: a brotação pode sair da base.

Folhas amarelas e grudentas no inverno: são pragas

Folha amarela e grudenta na dipladênia dentro de casa quase sempre é praga. A camada grudenta se chama melada: é o líquido açucarado que alguns insetos soltam depois de sugar a seiva da planta. A Extensão da Universidade Estadual de Iowa explica que a melada cobre as folhas de baixo, a mesa e o chão. Com o tempo, ela fica preta por causa de um fungo chamado fumagina.

As pragas mais comuns da dipladênia, segundo a Extensão de Clemson e a RHS:

  • Cochonilha-farinhenta: tufos brancos, com aspecto de algodão, nas junções das folhas e embaixo delas. Solta melada.

  • Cochonilha de carapaça: pequenos calombos presos ao longo dos ramos e das nervuras, quase sempre embaixo da folha (Iowa). Solta melada.

  • Ácaro-rajado: folhas com pontinhos claros, desbotadas (RHS).

  • Mosca-branca: mosquinhas brancas que voam quando você mexe na planta.

Para tratar, a Extensão de Iowa indica:

  1. Separe a planta das outras, para a praga não passar para os vasos vizinhos.

  2. Limpe as folhas com um pano úmido para tirar a melada, a fumagina e parte dos insetos.

  3. Tire as cochonilhas com a unha. Se forem poucas, encoste um cotonete com álcool em cada uma.

  4. Corte os ramos muito atacados.

  5. Se precisar de produto, use sabão inseticida, óleo de nim ou óleo hortícola, com a planta e a praga citadas no rótulo. O controle completo pede aplicações semanais por 4 a 6 semanas.

Se a planta estiver muito atacada, a Extensão de Iowa diz que pode ser melhor descartá-la antes que a praga passe para os outros vasos.

Quando podar a dipladênia

A poda principal da dipladênia é no fim do inverno, antes de a planta brotar. A RHS e a Extensão de Clemson indicam esse momento: tire os ramos velhos, fracos e embolados. Encurte os ramos laterais, deixando 3 ou 4 gemas (os brotinhos do ramo) a partir do ramo principal (RHS). A dipladênia floresce nos ramos novos do ano, então a poda do fim do inverno não tira as flores da estação seguinte.

As fontes divergem sobre podar antes do inverno: o NYBG corta antes de levar a planta para dentro e de novo no fim do inverno, e a NC State poda antes de pôr a planta para fora. Este guia segue a RHS e Clemson para a poda principal. Antes do inverno, faça só o corte para a planta caber em casa: cerca de metade no jeito 1 e 30 cm no jeito 2 (NYBG). A planta que fica do lado de fora não precisa desse corte. Na planta que pegou frio, espere o fim das noites frias e siga o teste do arranhão.

Use luvas para podar. A seiva leitosa da dipladênia irrita a pele (RHS) e pode ser tóxica se ingerida, segundo a UF/IFAS. Recolha os ramos cortados do chão e deixe longe de cães e gatos. Se você tem animais em casa, veja a lista de plantas tóxicas para pets e confira as outras plantas da casa.

Perguntas frequentes

Dá para manter a dipladênia dentro de casa como planta de interior?

Dá, perto de uma janela clara. A RHS diz que a dipladênia cresce como planta de interior se tiver calor, ar úmido, luz clara e indireta e espaço para subir. O limite é a luz. A RHS avisa que a planta não gosta de sombra e, sem luz clara, pode perder folhas ou deixar de florir. A mesma RHS ressalva que é difícil manter a planta dentro de casa por muitos anos, porque ela cresce bastante.

Quantos graus negativos a dipladênia aguenta?

Nenhum. A dipladênia comum sofre dano abaixo de 10 °C, e a geada mata os ramos de cima (UF/IFAS). Só a Mandevilla laxa aguenta frio mais forte. A RHS dá 5 °C para a planta, e a Extensão de Clemson diz que a raiz aguenta cerca de −15 °C. Num inverno com geada, proteja a dipladênia comum toda noite.

Quando a dipladênia volta a florir depois do inverno?

A dipladênia floresce nos ramos novos, então as flores voltam depois da brotação. A planta precisa de calor na primavera para formar ramos com flor. A RHS indica cerca de 21 °C de dia e 18 °C à noite. A fabricante alemã Compo e a revista Mein schöner Garten contam que a planta guardada no inverno costuma florir semanas mais tarde. A planta nova, comprada já em flor, abre antes.

A mandevila trepadeira e a dipladênia compacta pedem cuidados diferentes no inverno?

Nenhuma das fontes consultadas dá limites diferentes para as duas: o limite é perto de 10 °C para ambas. A diferença é o tamanho. A trepadeira grande presa a um muro ou a uma grade não cabe dentro de casa: proteja com manta. A dipladênia compacta em vaso pode entrar em casa nas madrugadas abaixo de 10 °C e precisa entrar nas noites de geada.

Antes da próxima noite fria

Na véspera de uma madrugada abaixo de 10 °C, confira quatro coisas. O vaso está dentro de casa, ou encostado numa parede e debaixo de um beiral. O pratinho está sem água parada. A manta para a planta do chão está separada. Não há praga embaixo das folhas.

Se a planta amanhecer com folhas escuras, espere pelo menos 3 a 7 dias e faça o teste do arranhão. Quando as noites frias passarem, corte só o que estiver marrom por dentro.

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