Dipladênia no inverno: quanto frio aguenta e como proteger
A dipladênia aguenta noites de até 10 °C, mas não mais frias. Abaixo disso as folhas sofrem mesmo sem geada, e a geada mata os ramos. Veja quando proteger a planta, como passar o inverno dentro de casa e o que fazer quando ela perde as folhas ou pega frio.
A dipladênia no inverno aguenta noites de até 10 °C, mas não mais frias. Abaixo dessa temperatura as folhas sofrem mesmo sem geada, e a geada mata os ramos. A Royal Horticultural Society (RHS), a sociedade britânica de horticultura, avisa que noites abaixo de 10 °C podem matar a planta. O serviço de Extensão da Universidade Clemson, nos Estados Unidos (a parte da universidade que orienta jardineiros), põe o mínimo tolerado entre 7 e 10 °C.
No Brasil, a dipladênia passa o inverno do lado de fora na maior parte do país. Ela só precisa de proteção nas madrugadas abaixo de 10 °C e nas noites de geada. Dipladênia e mandevila são nomes da mesma planta: a dipladênia já teve um gênero botânico próprio (Dipladenia) e hoje faz parte do gênero Mandevilla. Os cuidados de inverno valem para as duas.
Sua situação | O que fazer no inverno |
|---|---|
Previsão de madrugada acima de 10 °C | Deixe a planta onde está. Regue menos e não adube. |
Previsão de madrugada abaixo de 10 °C, sem geada | Leve o vaso para dentro, se puder. Se não puder, encoste o vaso numa parede, debaixo de um beiral e longe do vento. Planta no chão: cubra com manta de tecido para plantas (pano branco e fino) à noite e tire de manhã. |
Previsão de geada | Leve o vaso para dentro de casa, perto de uma janela clara. Planta no chão: cubra com manta à noite. |
Planta dentro de casa | Escolha entre dois jeitos: janela clara com a planta crescendo devagar, ou um lugar claro e fresco, entre 10 e 15 °C, com a planta parada (sem crescer e sem folhas novas). |
Folhas escuras e moles depois de uma noite fria | Não corte nada ainda. Espere pelo menos 3 a 7 dias e raspe a casca de um ramo com a unha: verde por baixo está vivo, marrom está morto. Corte só depois que as noites frias passarem. |
Folhas amarelas e grudentas | Procure pragas embaixo das folhas e nas junções das folhas com o ramo. |
Quanto frio a dipladênia aguenta
A dipladênia aguenta noites de 10 °C, mas não mais frias. A RHS indica manter a planta acima de 15 °C nas noites de inverno. Algumas plantas sobrevivem um pouco abaixo disso, desde que fiquem acima de 10 °C (RHS). A Extensão de Clemson dá o mínimo tolerado entre 7 e 10 °C (45 a 50 °F). Com frio demais, a planta derruba as folhas (RHS).
A planta é tropical por origem. A Mandevilla sanderi, uma das espécies vendidas como dipladênia, é nativa do estado do Rio de Janeiro e cresce em clima tropical úmido. O antigo nome dela era Dipladenia sanderi (Royal Botanic Gardens, Kew). Muitas plantas vendidas hoje são híbridos de mais de uma espécie, segundo a NC State Extension.
Frio acima de zero também faz mal
Planta tropical sofre dano por resfriamento: é o dano causado pelo frio acima de 0 °C, sem gelo nenhum. Entre 0 e 10 °C, o frio desregula a fotossíntese, a respiração e o funcionamento das membranas das células da planta, segundo a Extensão da Universidade da Flórida (UF/IFAS). Abaixo de 0 °C, o gelo se forma dentro das células e rompe os tecidos.
Por isso a dipladênia pode amanhecer com folhas escuras depois de uma noite de 5 °C, sem geada. A UF/IFAS explica que a parte de cima da planta morre quando ela fica exposta a temperaturas de congelamento (0 °C ou menos).
Por que este guia usa 10 °C, e não 8 °C
Parte das lojas e revistas de jardinagem da Alemanha indica um abrigo de inverno entre 8 e 12 °C e manda recolher a planta quando a noite cai abaixo de 8 °C. Elas não citam fonte. A Extensão de Clemson aceita de 7 a 10 °C, e a RHS diz que abaixo de 10 °C a planta pode morrer. Este guia segue a RHS e fica no extremo mais seguro da faixa de Clemson: assim a planta fica protegida também numa noite de 9 °C.
Existe mandevila que aguenta mais frio?
A Mandevilla laxa, conhecida como jasmim-do-chile, aguenta até 5 °C, segundo a RHS. A Extensão de Clemson diz que a raiz dela aguenta cerca de −15 °C (5 °F). A laxa é uma trepadeira de flor branca e perfumada, pouco vendida no Brasil. A cor branca não basta para reconhecer a laxa, porque há dipladênias brancas. Se você comprou a planta em vaso como dipladênia, use o limite de 10 °C.
Dipladênia no inverno do Brasil: quando proteger
No Brasil, o inverno vai de junho a agosto. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), há geada no Sul, no Sudeste e no Mato Grosso do Sul (INMET, prognóstico de inverno). O maior risco de geada fica entre o sul do Paraná e o norte do Rio Grande do Sul. Nas cidades mais altas dessa faixa, o risco é maior (Wrege e colegas, Revista Brasileira de Climatologia, 2018).
A geada não é o único aviso. Use a previsão do tempo da sua cidade e olhe a temperatura mínima da madrugada. Mínima abaixo de 10 °C já pede proteção, mesmo sem geada. Nenhuma fonte consultada mediu quanto a parede, o beiral ou a manta protegem a dipladênia. Por isso, levar o vaso para dentro é a opção mais segura; parede e manta servem para a planta que não cabe ou não pode entrar.
Para proteger a dipladênia que fica do lado de fora:
Vaso na varanda: encoste o vaso numa parede da casa, debaixo de um beiral ou de uma cobertura, longe do vento e da chuva fria.
Planta no chão ou no muro: cubra com manta de tecido para plantas no fim da tarde e tire de manhã. A manta é um pano branco e fino, vendido em lojas de jardinagem.
Previsão de geada: leve o vaso para dentro de casa por aquela noite. Planta no chão fica com manta e pode perder os ramos de cima, como explica a seção sobre planta que pegou frio.
Herdou a planta junto com a casa e não sabe se é mesmo uma dipladênia? O Bloom (disponível para iOS) identifica a planta por foto. Outra trepadeira de flor vermelha pode aguentar mais frio ou menos.
Como passar o inverno com a dipladênia dentro de casa
Dentro de casa, a dipladênia passa o inverno de dois jeitos. O Jardim Botânico de Nova York (NYBG) descreve os dois numa resposta de Sonia Uyterhoeven, jardineira responsável pela educação do público no jardim (NYBG).
Jeito 1: planta crescendo devagar, perto de uma janela clara.
Corte os ramos antes de levar a planta para dentro, até um tamanho que caiba no cômodo. O NYBG indica cortar cerca de metade do comprimento.
Ponha o vaso perto da janela mais clara da casa. No Brasil, a janela que pega mais sol no inverno é a voltada para o norte. Dentro de casa, a planta precisa de luz clara e indireta, ou de sol filtrado por cortina (Clemson). Se o sol bater direto nas folhas, ponha uma cortina fina entre a planta e o vidro.
Regue quando a terra da superfície estiver seca ao toque. Não adube.
Para a planta crescendo, a RHS indica mais de 15 °C à noite e, no mínimo, mais de 10 °C. A NC State lembra que, dentro de casa, a dipladênia precisa de ar úmido. A RHS sugere apoiar o vaso numa bandeja com pedrinhas molhadas, sem deixar a terra encharcar.
Jeito 2: planta parada num lugar claro e fresco.
Corte forte os ramos, deixando a planta com cerca de 30 cm (12 polegadas) de altura (NYBG).
Guarde o vaso num lugar que fique entre 10 e 15 °C, a faixa de inverno da RHS. O NYBG cita garagem e porão. A RHS lembra que a dipladênia não gosta de sombra, então um cômodo frio e com janela é melhor que um porão sem luz.
Regue só o bastante para a terra não secar por completo. Nenhuma fonte dá o intervalo de rega da planta parada: olhe a terra uma vez por semana e regue um pouco quando ela estiver seca ao toque.
Escolha o jeito 1 se você tem uma janela clara sobrando. Escolha o jeito 2 se a planta é grande demais para a sala e você tem um cômodo fresco e claro.
Antes de levar qualquer vaso para dentro, procure pragas. A Extensão de Clemson manda olhar embaixo das folhas, nas junções das folhas com o ramo e em cada canto da planta. Uma praga levada para dentro passa para os outros vasos da casa.
Quando a previsão da semana inteira marcar mínimas acima de 10 °C, a planta pode voltar para fora. A RHS recomenda acostumar a planta aos poucos ao sol e ao vento de fora, em vez de mudar tudo num dia só.
Rega e adubo da dipladênia no frio
No frio, a dipladênia bebe menos água, porque cresce mais devagar. A RHS manda reduzir a rega e manter a terra só levemente úmida, sem deixar secar por completo. A NC State manda deixar a terra secar no inverno. As duas orientações se encontram assim: regue quando a terra da superfície estiver seca ao toque, e não deixe o vaso secar até o fundo.
A RHS avisa que a dipladênia não tolera excesso de água no inverno. Terra fria e encharcada apodrece a raiz. Esvazie o pratinho do vaso depois de cada rega.
Não adube no inverno. O NYBG manda voltar a adubar uma vez por mês a partir do fim do inverno, depois da poda. A UF/IFAS manda esperar a brotação antes de adubar uma planta que pegou frio. Este guia segue a UF/IFAS, que é extensão universitária: volte a adubar uma vez por mês quando a planta brotar.
Dipladênia perdendo folhas no frio: quando é normal
A dipladênia que perde algumas folhas no inverno costuma estar só reagindo ao frio e à luz mais fraca. A RHS explica que a planta derruba folhas quando fica fria demais. Folha que cai e deixa o ramo verde e firme volta a crescer quando a temperatura sobe.
O que separa a queda normal de um problema é o estado do ramo, da terra e da folha:
Algumas folhas amarelas caindo, ramo verde e firme, terra levemente úmida: reação ao frio ou à pouca luz. Mude a planta para um lugar mais claro e acima de 10 °C.
Muitas folhas caindo e terra encharcada há vários dias: suspeite da raiz. Tire a planta do vaso e olhe as raízes. Raiz escura e mole é podridão de raiz.
Folhas escuras, moles e com aspecto molhado de um dia para o outro, depois de uma noite fria: dano por frio. Siga a próxima seção.
Folhas amarelas e grudentas, ou com pontinhos claros: pragas. Veja a seção sobre folhas grudentas.
Ramo marrom e seco por dentro no teste do arranhão: aquele ramo morreu.
O guia de dipladênia com folhas caindo lista as outras causas da queda, fora do inverno.
Dipladênia que pegou frio ou geada: dá para salvar?
Muitas vezes dá. A UF/IFAS lembra que muitas plantas tropicais voltam a brotar da raiz mesmo quando a parte de cima morre. A Extensão de Clemson diz que a dipladênia podada quase rente ao chão ainda floresce no mesmo verão, nos ramos novos.

Siga esta ordem, com base na UF/IFAS:
Espere pelo menos 3 a 7 dias antes de avaliar. O dano por frio parece pior logo depois da noite fria.
Não adube, não faça poda forte e não regue a mais nesse período. Essas três coisas estressam a planta e puxam brotos fracos.
Faça o teste do arranhão. Raspe de leve a casca de um ramo com a unha. Verde por baixo da casca quer dizer ramo vivo; marrom ou preto quer dizer ramo morto.
Deixe os ramos danificados na planta enquanto houver risco de nova noite fria. O tecido morto protege a parte viva de baixo. A folha que já ficou toda marrom pode sair.
Quando as noites frias passarem, corte só até a parte verde. O dano muitas vezes fica só nas pontas. Na dúvida, espere a planta brotar antes de cortar.
Se o teste do arranhão der marrom em todos os ramos, ainda não jogue a planta fora. Mantenha a terra levemente úmida, sem encharcar, e espere a primavera: a brotação pode sair da base.
Folhas amarelas e grudentas no inverno: são pragas
Folha amarela e grudenta na dipladênia dentro de casa quase sempre é praga. A camada grudenta se chama melada: é o líquido açucarado que alguns insetos soltam depois de sugar a seiva da planta. A Extensão da Universidade Estadual de Iowa explica que a melada cobre as folhas de baixo, a mesa e o chão. Com o tempo, ela fica preta por causa de um fungo chamado fumagina.
As pragas mais comuns da dipladênia, segundo a Extensão de Clemson e a RHS:
Cochonilha-farinhenta: tufos brancos, com aspecto de algodão, nas junções das folhas e embaixo delas. Solta melada.
Cochonilha de carapaça: pequenos calombos presos ao longo dos ramos e das nervuras, quase sempre embaixo da folha (Iowa). Solta melada.
Ácaro-rajado: folhas com pontinhos claros, desbotadas (RHS).
Mosca-branca: mosquinhas brancas que voam quando você mexe na planta.
Para tratar, a Extensão de Iowa indica:
Separe a planta das outras, para a praga não passar para os vasos vizinhos.
Limpe as folhas com um pano úmido para tirar a melada, a fumagina e parte dos insetos.
Tire as cochonilhas com a unha. Se forem poucas, encoste um cotonete com álcool em cada uma.
Corte os ramos muito atacados.
Se precisar de produto, use sabão inseticida, óleo de nim ou óleo hortícola, com a planta e a praga citadas no rótulo. O controle completo pede aplicações semanais por 4 a 6 semanas.
Se a planta estiver muito atacada, a Extensão de Iowa diz que pode ser melhor descartá-la antes que a praga passe para os outros vasos.
Quando podar a dipladênia
A poda principal da dipladênia é no fim do inverno, antes de a planta brotar. A RHS e a Extensão de Clemson indicam esse momento: tire os ramos velhos, fracos e embolados. Encurte os ramos laterais, deixando 3 ou 4 gemas (os brotinhos do ramo) a partir do ramo principal (RHS). A dipladênia floresce nos ramos novos do ano, então a poda do fim do inverno não tira as flores da estação seguinte.
As fontes divergem sobre podar antes do inverno: o NYBG corta antes de levar a planta para dentro e de novo no fim do inverno, e a NC State poda antes de pôr a planta para fora. Este guia segue a RHS e Clemson para a poda principal. Antes do inverno, faça só o corte para a planta caber em casa: cerca de metade no jeito 1 e 30 cm no jeito 2 (NYBG). A planta que fica do lado de fora não precisa desse corte. Na planta que pegou frio, espere o fim das noites frias e siga o teste do arranhão.
Use luvas para podar. A seiva leitosa da dipladênia irrita a pele (RHS) e pode ser tóxica se ingerida, segundo a UF/IFAS. Recolha os ramos cortados do chão e deixe longe de cães e gatos. Se você tem animais em casa, veja a lista de plantas tóxicas para pets e confira as outras plantas da casa.
Perguntas frequentes
Dá para manter a dipladênia dentro de casa como planta de interior?
Dá, perto de uma janela clara. A RHS diz que a dipladênia cresce como planta de interior se tiver calor, ar úmido, luz clara e indireta e espaço para subir. O limite é a luz. A RHS avisa que a planta não gosta de sombra e, sem luz clara, pode perder folhas ou deixar de florir. A mesma RHS ressalva que é difícil manter a planta dentro de casa por muitos anos, porque ela cresce bastante.
Quantos graus negativos a dipladênia aguenta?
Nenhum. A dipladênia comum sofre dano abaixo de 10 °C, e a geada mata os ramos de cima (UF/IFAS). Só a Mandevilla laxa aguenta frio mais forte. A RHS dá 5 °C para a planta, e a Extensão de Clemson diz que a raiz aguenta cerca de −15 °C. Num inverno com geada, proteja a dipladênia comum toda noite.
Quando a dipladênia volta a florir depois do inverno?
A dipladênia floresce nos ramos novos, então as flores voltam depois da brotação. A planta precisa de calor na primavera para formar ramos com flor. A RHS indica cerca de 21 °C de dia e 18 °C à noite. A fabricante alemã Compo e a revista Mein schöner Garten contam que a planta guardada no inverno costuma florir semanas mais tarde. A planta nova, comprada já em flor, abre antes.
A mandevila trepadeira e a dipladênia compacta pedem cuidados diferentes no inverno?
Nenhuma das fontes consultadas dá limites diferentes para as duas: o limite é perto de 10 °C para ambas. A diferença é o tamanho. A trepadeira grande presa a um muro ou a uma grade não cabe dentro de casa: proteja com manta. A dipladênia compacta em vaso pode entrar em casa nas madrugadas abaixo de 10 °C e precisa entrar nas noites de geada.
Antes da próxima noite fria
Na véspera de uma madrugada abaixo de 10 °C, confira quatro coisas. O vaso está dentro de casa, ou encostado numa parede e debaixo de um beiral. O pratinho está sem água parada. A manta para a planta do chão está separada. Não há praga embaixo das folhas.
Se a planta amanhecer com folhas escuras, espere pelo menos 3 a 7 dias e faça o teste do arranhão. Quando as noites frias passarem, corte só o que estiver marrom por dentro.
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