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Plantas tóxicas: 12 espécies por gravidade, para gato, cachorro e criança

O lírio pode matar um gato pelo pólen, a cica ataca o fígado do cachorro e a espirradeira afeta o coração de qualquer um. Veja 12 plantas tóxicas em ordem de gravidade, com a fonte de cada dado, e o que fazer se alguém comeu.

por Bloom 16 min de leitura
Plantas tóxicas: 12 espécies por gravidade, para gato, cachorro e criança

Plantas tóxicas são as que têm alguma substância capaz de fazer mal a quem come, masca ou encosta nelas. Centenas de espécies entram na lista de plantas tóxicas, mas poucas causam dano grave. As que podem matar são o lírio para o gato e a cica para o cachorro. A espirradeira e a mamona são perigosas para criança e pet, e a trombeteira para criança.

As plantas mais comuns da sala, como jiboia, lírio-da-paz e comigo-ninguém-pode, também são tóxicas. Elas queimam a boca na hora da mordida. É uma dor forte e passa longe do risco das cinco primeiras. Esta lista separa os dois grupos, planta por planta, com a fonte de cada dado.

Se alguém comeu uma planta agora: tire o resto da boca e guarde um pedaço da planta. Ligue para o Disque-Intoxicação, 0800 722 6001 (Anvisa, gratuito, 24 horas). Para pet, ligue para o veterinário. Os detalhes estão na última seção.

Resumo da lista:

#

Planta

Quem corre mais risco

Parte mais perigosa

O que pode acontecer

1

Lírio e hemerocale

gato

a planta toda, inclusive o pólen

falência dos rins em menos de 3 dias

2

Cica

cachorro, gato, criança

a semente

lesão no fígado, morte

3

Espirradeira

criança, cachorro, gato

a planta toda, fresca ou seca

alteração do ritmo do coração

4

Mamona

criança, cachorro, gato

a semente mastigada

vômito, diarreia com sangue, convulsão

5

Trombeteira

criança

a planta toda

alucinação, febre, coração acelerado

6

Rosa-do-deserto

cachorro, gato

a seiva e a planta toda

batimento irregular, morte em pet

7

Azaleia

cachorro, gato

a folha

vômito, fraqueza, queda de pressão

8

Kalanchoe

cachorro, gato

a planta toda

vômito, diarreia, arritmia rara

9

Amarílis e narciso

cachorro, gato, criança

o bulbo

vômito, tremor, queda de pressão

10

Comigo-ninguém-pode

criança, cachorro, gato

a planta toda

inchaço de boca e garganta

11

Copo-de-leite e aráceas da sala

criança, cachorro, gato

folha e caule

dor e inchaço na boca

12

Bico-de-papagaio

criança, cachorro, gato

o látex (seiva leitosa)

irritação leve de boca, pele e olho

Como esta lista de plantas tóxicas foi ordenada

A ordem segue a gravidade que a fonte registra para cada planta, e não a fama dela. Para cão, gato e cavalo, a fonte é a ficha de cada espécie no banco de plantas tóxicas da ASPCA. A ASPCA mantém o centro de controle de intoxicação animal dos Estados Unidos. Para gente, a fonte é o campo de gravidade (baixa, média ou alta) do banco de plantas da NC State Extension. O material do Sinitox, o sistema de informação sobre intoxicações da Fiocruz, completa o dado brasileiro.

Uma planta tóxica não é sinônimo de planta perigosa. O Instituto Federal Alemão de Avaliação de Risco (BfR) analisou 42.344 casos confirmados de exposição a planta. Os casos vieram de dois centros de intoxicação da Alemanha e envolviam 227 espécies. Em 93% deles, ninguém teve sintoma nenhum. Só 3 casos foram graves (BfR, Bundesgesundheitsblatt, 2018).

O mesmo estudo mostra por que a ordem importa. Vinte e seis gêneros de planta respondiam por 70% dos casos, e só 8 deles causaram sintoma pelo menos moderado. A planta que mais aparece nas ligações para o centro de intoxicação quase nunca é a que mais machuca. Por isso esta lista começa pelas plantas raras e graves, e deixa as frequentes e leves para o fim.

Plantas tóxicas que podem matar

1. Lírio e hemerocale: o caso mais grave para gatos

Os lírios verdadeiros (gênero Lilium, como o lírio-da-páscoa e o lírio-tigre) são as plantas tóxicas para gatos mais perigosas desta lista. A hemerocale (Hemerocallis, também chamada de lírio-de-um-dia) tem o mesmo efeito. A FDA, a agência de saúde dos Estados Unidos, afirma que a planta inteira é tóxica para o gato. Isso inclui o caule, a folha, a flor, o pólen e até a água do vaso.

Um pedaço pequeno de folha ou de pétala pode levar o gato a uma falência dos rins fatal em menos de 3 dias. O mesmo vale para os grãos de pólen que ele lambe do pelo. Os primeiros sinais aparecem entre 0 e 12 horas depois: o gato fica parado, baba, vomita e para de comer. Segundo a FDA, quando o tratamento começa 18 horas ou mais depois da ingestão, a lesão nos rins costuma não ter volta.

O cachorro que come lírio pode ter um mal-estar leve no estômago, sem lesão nos rins. A ASPCA registra o gato como a única espécie conhecida com esse quadro. Quem tem gato não deve ter lírio em casa, nem de vaso nem de buquê. Os cuidados com a planta, para quem não tem gato, estão no guia de como cuidar de lírio.

O nome popular engana. O lírio-da-paz e o copo-de-leite também se chamam "lírio" e não causam falência dos rins: eles irritam a boca, como explica o item 11.

2. Cica: a "palmeira" que ataca o fígado

A cica (Cycas revoluta) parece uma palmeira pequena e é comum em jardim, varanda e entrada de prédio. A ASPCA a lista como tóxica para cães, gatos e cavalos, por causa da cicasina. Os sinais registrados vão de vômito e fezes escuras a sangramento, lesão no fígado, falência do fígado e morte.

A semente é a parte com mais toxina. Segundo uma revisão veterinária publicada no Clinician's Brief, a ingestão de apenas 2 sementes já causou sintoma em cachorro. O centro de intoxicação da ASPCA recebeu 1.398 casos em 10 anos, e 90% das ligações eram sobre cães.

As fontes divergem sobre a chance de morte. Os estudos publicados em hospitais universitários registram mortalidade de 32% a 50%. Na base da ASPCA, que inclui casos atendidos cedo, morreram ou foram sacrificados 33 dos 1.398 cães, ou 2,4%. A própria revisão explica a diferença: o hospital universitário recebe os casos mais graves. Na base da ASPCA, muitos donos ligaram logo e o tratamento começou antes.

Nas duas contas, semente de cica mordida é caso de veterinário na hora, sem esperar sintoma. Para gente, a NC State classifica a gravidade da cica como alta. A ficha dela avisa que comer qualquer parte da planta pode causar dano interno permanente ou morte.

3. Espirradeira: veneno para o coração, fresca ou seca

A espirradeira (Nerium oleander), também chamada de oleandro, é um arbusto de flor rosa, branca ou vermelha. Ela é muito usada em muro, praça e canteiro de avenida. A NC State classifica a gravidade da espirradeira como alta e escreve que ela pode ser fatal se ingerida. A planta é venenosa fresca ou seca, então as folhas caídas e varridas continuam perigosas.

O veneno da espirradeira é um glicosídeo cardíaco, uma substância que altera o ritmo do coração. Os sintomas registrados pela NC State incluem náusea, vômito, dor de estômago, tontura, pulso lento e batimento irregular. A ASPCA lista a espirradeira como tóxica para cães, gatos e cavalos, com morte entre os sinais possíveis. O material do Sinitox acrescenta que o contato com o látex (a seiva leitosa) também causa dor em queimação na boca.

4. Mamona: a semente mastigada é a que envenena

A mamona (Ricinus communis) nasce sozinha em terreno baldio e beira de estrada em boa parte do Brasil. O veneno da semente é a ricina. O Poison Control, o centro de intoxicação nacional dos Estados Unidos, explica que a casca dura da semente impede a saída da ricina. A semente engolida inteira costuma passar pelo intestino sem dano.

O perigo começa quando a semente é mastigada ou quebrada. Nesse caso a ricina é absorvida, e o Poison Control registra que uma única semente mastigada pode bastar para causar dano sério numa criança. A ASPCA lista a mamona como tóxica para cães, gatos e cavalos. Os sinais incluem queimação na boca, vômito, diarreia, falência dos rins e convulsão. A mamona também está entre as 11 plantas de risco alto para criança pequena na avaliação do BfR.

5. Trombeteira: a flor que causa alucinação

A trombeteira, também chamada de saia-branca ou trombeta-de-anjo (gênero Brugmansia), é o arbusto de flores grandes em forma de sino pendurado. A NC State classifica a gravidade da trombeteira como alta e a descreve como uma das plantas ornamentais mais tóxicas. O veneno são alcaloides tropânicos, substâncias que agem no sistema nervoso.

Os sintomas registrados são alucinação, boca seca, fraqueza muscular, pressão e pulso altos, febre e pupila dilatada. Nos casos mais graves, o material do Sinitox registra risco de morte. O BfR põe a trombeteira entre as 11 plantas de risco alto para criança pequena. A ASPCA não tem ficha da trombeteira, então esta lista não tem um dado de cão e gato para ela.

6. Rosa-do-deserto: grave para o pet, leve na pele de gente

A rosa-do-deserto (Adenium obesum) é a suculenta de caule grosso e flor rosa vendida em vaso pequeno. A ASPCA a lista como tóxica para cães, gatos e cavalos, pelo mesmo tipo de veneno da espirradeira: glicosídeos cardíacos. Os sinais registrados vão de vômito e diarreia a batimento irregular e morte.

Para gente, a NC State classifica a gravidade da rosa-do-deserto como baixa. O problema mais comum é a dermatite de contato, uma irritação na pele causada pelo látex. A ficha avisa, porém, que todas as partes são venenosas se ingeridas. Use luva para podar a planta. O guia de como cuidar da rosa-do-deserto manda deixar o vaso fora do alcance de pet e criança.

Cica com as sementes alaranjadas no centro da planta, uma das plantas tóxicas mais perigosas para cachorro
A semente da cica fica no centro da planta, e é a parte com mais toxina. Imagem gerada por IA para ilustração.

Plantas que afetam coração e intestino em quantidade maior

7. Azaleia: poucas folhas já contam

A azaleia (gênero Rhododendron) é um arbusto florido comum em jardim e em vaso. A ASPCA a lista como tóxica para cães, gatos e cavalos, por causa de uma substância chamada grayanotoxina. A ficha avisa que a ingestão de poucas folhas pode causar problema sério.

Os sinais registrados pela ASPCA começam poucas horas depois: vômito, diarreia, salivação e fraqueza. Nos casos graves, aparecem queda de pressão, coma e colapso do coração.

8. Kalanchoe: tóxica, com arritmia rara

A kalanchoe é a suculenta de flores pequenas em buquê, muito vendida em supermercado. A ASPCA a lista como tóxica para cães e gatos, por causa dos bufadienolídeos, substâncias que podem alterar o ritmo do coração. Os sinais registrados são vômito e diarreia, e a ficha marca a arritmia como rara.

9. Amarílis e narciso: o bulbo é a parte pior

O amarílis (Hippeastrum) e o narciso (Narcissus) crescem a partir de um bulbo, a "cebola" enterrada que guarda a reserva da planta. A ASPCA lista os dois como tóxicos para cães e gatos, pela licorina e outros alcaloides. As fichas do amarílis e do narciso registram vômito, salivação e diarreia. Em quantidade grande, registram convulsão, queda de pressão, tremor e arritmia.

As duas fichas dizem que o bulbo é a parte mais venenosa. O bulbo guardado fora da terra, esperando o plantio, é o risco mais fácil de evitar. Guarde o bulbo numa prateleira alta ou num armário fechado. O narciso também está entre os 8 gêneros que causaram sintoma pelo menos moderado em crianças no estudo do BfR de 2018.

As que queimam a boca: comigo-ninguém-pode e as aráceas

10. Comigo-ninguém-pode: o caso brasileiro de intoxicação de criança

A comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia) é a planta tóxica mais conhecida do Brasil. Pesquisadoras da Universidade Federal do Paraná citam o programa de prevenção do Sinitox. Segundo ele, a planta está entre as 16 plantas que mais causam intoxicação no Brasil. Nenhuma fonte nacional consultada a coloca sozinha em primeiro lugar.

A folha e o caule têm cristais de oxalato de cálcio em forma de agulha. Na mordida, esses cristais entram na boca e causam dor imediata, com queimação e inchaço dos lábios, da boca e da língua. O material do Sinitox registra também salivação, dificuldade de engolir e asfixia, e lesão na córnea se o suco atingir o olho. A NC State classifica a gravidade da comigo-ninguém-pode para gente como alta.

O inchaço é o que torna a comigo-ninguém-pode mais séria que as outras aráceas, a família de plantas de folha grande que tem o mesmo cristal. Um relato de caso publicado em 2018 descreve uma menina de 8 anos atendida no pronto-socorro. Ela chegou com a língua dormente, o lábio inchado, a fala enrolada e dificuldade para respirar (Journal of Pediatric Emergency and Intensive Care Medicine). A ASPCA lista a planta como tóxica para cães e gatos. A poda da planta também deixa restos tóxicos. O guia de comigo-ninguém-pode com folhas amarelas manda guardar esses restos fora do alcance de criança e pet.

11. Copo-de-leite, tinhorão e as aráceas da sala

O copo-de-leite (Zantedeschia aethiopica), o tinhorão (Caladium) e a taioba-brava (Colocasia) têm o mesmo cristal da comigo-ninguém-pode. A jiboia, o lírio-da-paz, a costela-de-adão e o filodendro também têm. Todas são aráceas, a família botânica das plantas de folha grande com uma flor em forma de espiga envolvida por uma folha modificada.

A ASPCA lista o copo-de-leite, o tinhorão, a jiboia, o lírio-da-paz, a costela-de-adão e o filodendro como tóxicos para cães e gatos. Os sinais registrados se repetem: irritação e queimação na boca, salivação, vômito e dificuldade de engolir. A taioba-brava entra pelo material do Sinitox, com os mesmos sintomas. Para gente, a NC State classifica o copo-de-leite com gravidade média. A dor aparece já na primeira mordida.

Herdou uma planta grande de folha larga e tem um bebê começando a engatinhar? Muitas plantas de interior de folha grande são aráceas, como a costela-de-adão e o filodendro. Identifique a planta antes de decidir. Se for uma arácea, ela não precisa ir para o lixo. Ela vai para um lugar alto, fora do alcance do bebê, e as folhas caídas saem no mesmo dia.

A lesão do lírio-da-paz na boca de um gato tem outro mecanismo e outra gravidade que a do lírio do item 1. O lírio-da-paz irrita a boca e o lírio verdadeiro ataca os rins.

Plantas com fama maior que o efeito

12. Bico-de-papagaio: tóxico, com efeito leve

O bico-de-papagaio (Euphorbia pulcherrima), a planta de Natal de brácteas vermelhas, tem fama de planta muito venenosa. A ASPCA o lista como tóxico para cães, gatos e cavalos, por causa do látex. Na mesma ficha, a ASPCA escreve que a toxicidade dele é "geralmente superestimada".

O maior levantamento sobre o bico-de-papagaio reuniu 22.793 exposições registradas em centros de intoxicação dos Estados Unidos entre 1985 e 1992. Ninguém morreu, e 92,4% das pessoas não tiveram efeito nenhum (Krenzelok e colegas, 1996, citado no Western Journal of Emergency Medicine). O látex irrita a pele e o olho. A NC State classifica a gravidade para gente como baixa, e avisa que o látex no olho pode lesar a córnea. O guia de como cuidar do bico-de-papagaio traz o que fazer se o gato morder.

Duas outras plantas da casa ficam nesse mesmo grupo. A ASPCA lista a babosa como tóxica para cães, gatos e cavalos, com vômito, apatia e diarreia, e registra que o gel é considerado comestível. Com cachorro em casa, o vaso de babosa fica fora do alcance dele. A luz e a rega da planta estão no guia de como cuidar da babosa. A coroa-de-cristo (Euphorbia milii) tem o látex do bico-de-papagaio, e a NC State registra que ele pode causar de irritação leve a dermatite forte.

As 11 plantas de risco alto para criança pequena, segundo o BfR

Em 2019, o BfR reavaliou 251 plantas com um método novo. Ele junta os casos reais atendidos pelos centros de intoxicação com a toxicidade das substâncias de cada planta. O resultado: 11 plantas com risco alto, 32 com risco médio, 115 com risco leve e 93 sem risco (BfR, Bundesgesundheitsblatt, 2019).

Planta

Nome científico

Acônito

Aconitum

Beladona

Atropa belladonna

Trombeteira

Brugmansia

Cicuta-aquática

Cicuta virosa

Cólquico

Colchicum autumnale

Cicuta

Conium maculatum

Estramônio (zabumba)

Datura stramonium

Gloriosa (lírio-chama)

Gloriosa superba

Meimendro

Hyoscyamus niger

Mamona

Ricinus communis

Heléboro-branco

Veratrum album

Nenhuma dessas 11 está entre os 8 gêneros que mais causaram sintoma moderado nos casos reais do estudo de 2018. As plantas mais perigosas são as menos frequentes nas ligações, e as mais frequentes quase nunca são graves.

Planta que você não sabe o nome: identifique antes de decidir

Nasceu um mato de flor lilás no canteiro e o cachorro não sai de perto? A primeira decisão é descobrir o nome científico da planta, e só depois consultar a toxicidade. O nome popular não serve para essa consulta. "Lírio" é o nome de pelo menos quatro plantas diferentes, e só duas delas atacam o rim do gato.

Aplicativo de identificação ajuda a chegar ao nome, com um limite medido. Um estudo publicado na Clinical Toxicology em 2023 testou 4 aplicativos com 16 espécies de planta silvestre dos Estados Unidos. Cinco das 11 espécies potencialmente tóxicas foram identificadas como comestíveis por pelo menos um dos aplicativos (Clinical Toxicology, 2023). O app dá o nome provável, e a ficha da planta na ASPCA ou no centro de intoxicação confirma o risco.

O Bloom identifica a planta por uma foto e mostra o nome popular e o científico. Com o nome em mãos, você procura a ficha da espécie antes de decidir entre arrancar ou manter.

Como conferir uma planta antes de comprar

Busque sempre a ficha pelo nome científico. No banco da ASPCA, a busca por nome popular devolve às vezes outra planta. Por exemplo, "Elephant Ears" leva ao tinhorão (Caladium) e não à taioba.

"A ASPCA não lista essa planta como tóxica" quer dizer que a espécie não aparece no catálogo de tóxicas dela. Isso não autoriza o animal a comer a planta: fibra vegetal em quantidade faz gato vomitar mesmo quando a espécie não consta de catálogo nenhum. E o catálogo não tem todas as plantas: a trombeteira e a coroa-de-cristo, por exemplo, não têm ficha.

As listas de plantas para quem tem pet se contradizem por dois motivos: nome popular trocado e espécie sem ficha tratada como liberada. Os listicles do Bloom trazem o dado da ASPCA espécie por espécie, cada um dentro do seu critério. São eles: plantas para pouca luz, plantas grandes para dentro de casa, plantas pendentes, plantas para banheiro e plantas que purificam o ar. Para acompanhar as plantas da casa com um pet junto, há também a comparação dos melhores apps de plantas para quem tem pets.

O que fazer se a criança ou o pet comeu uma planta

Siga estes passos, nesta ordem:

  • Tire da boca o que sobrou da planta. Não force a mão na garganta.

  • Guarde um pedaço da planta ou tire uma foto dela. O nome da planta muda o atendimento.

  • Ligue para o Disque-Intoxicação: 0800 722 6001. A ligação é gratuita e funciona 24 horas, todos os dias. Ela cai no centro de informação toxicológica mais próximo, da rede da Anvisa (Anvisa). Fora do Brasil, ligue para o centro de informação toxicológica do seu país.

  • Para cachorro ou gato, ligue para o veterinário. Gato que mordeu lírio e cachorro que mordeu semente de cica vão ao veterinário mesmo sem sintoma.

  • Chame a emergência se a pessoa ou o animal tiver dificuldade para respirar, desmaiar ou convulsionar. No Brasil, o número do Samu é 192.

Não provoque vômito. Não dê leite nem água com sal. O BfR orienta, no máximo, um ou dois copos de água ou chá para diluir, e nada além disso sem orientação médica (BfR, 2025). O leite pode aumentar a absorção de alguns venenos. A água com sal pode pôr em risco a vida de uma criança pequena.

Dois conselhos antigos ainda aparecem em sites de jardinagem: provocar vômito e dar carvão ativado em casa. Este artigo segue o BfR e as associações de toxicologia clínica dos Estados Unidos e da Europa (AACT e EAPCCT). São as fontes que avaliaram os estudos. Na posição conjunta das duas associações, o carvão ativado não deve ser dado de rotina. Não há evidência de que ele melhore o resultado (AACT/EAPCCT). O carvão só entra com orientação do centro de intoxicação.

Com pet, a regra é a mesma. A ASPCA avisa que sal, dedo na garganta, azeite e xarope de ipeca não funcionam para fazer o animal vomitar, ou são perigosos. Para gato, a ASPCA afirma que não existe nada que se possa dar em casa para ele vomitar com segurança. No cachorro, só o veterinário decide se vale provocar o vômito, e como.

Este artigo não substitui o atendimento do médico, do veterinário ou do centro de intoxicação. Ele serve para você saber, antes do acidente, quais plantas da casa e do quintal pedem distância.

Perguntas frequentes

Qual é a planta mais tóxica para gatos?

O lírio verdadeiro (Lilium) e a hemerocale (Hemerocallis). Segundo a FDA, basta uma mordida numa folha ou pétala, o pólen lambido do pelo ou a água do vaso. O gato pode ter falência dos rins em menos de 3 dias. O tratamento precisa começar antes de 18 horas. O lírio-da-paz e o copo-de-leite, apesar do nome, só irritam a boca.

Espada-de-são-jorge é tóxica para cachorro e gato?

Sim. A ASPCA lista a espada-de-são-jorge (Sansevieria trifasciata) como tóxica para cães e gatos, por causa das saponinas. Os sinais registrados são náusea, vômito e diarreia. É uma intoxicação leve, do mesmo grupo da babosa, e não do grupo do lírio ou da cica.

Planta tóxica faz mal só de encostar?

Algumas fazem. O látex da espirradeira, da coroa-de-cristo, da rosa-do-deserto e do bico-de-papagaio irrita a pele e pode lesar o olho. Use luva para podar essas plantas e lave as mãos antes de tocar no rosto. Nas outras plantas desta lista, o perigo está em comer ou mascar alguma parte.

Qual planta mais intoxica crianças no Brasil?

Os dados do Sinitox de 2011 a 2017 estão compilados num estudo de 2023. Eles mostram a faixa de 1 a 9 anos com a maior parte dos casos de intoxicação por planta. A comigo-ninguém-pode está entre as 16 plantas que mais causam intoxicação no país, junto com o copo-de-leite. Nenhuma fonte nacional consultada publica um ranking que a coloque sozinha em primeiro lugar.

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