Buganvília com folhas amarelas ou manchas amarelas: causas e o que fazer
Buganvília com folhas amarelas ou manchas amarelas: veja como separar mancha foliar, praga, rega, frio e falta de ferro pelo desenho do amarelo, e o que fazer em cada caso.
Buganvília com folhas amarelas tem causas diferentes conforme o desenho do amarelo. Manchas amarelas redondas em volta de um ponto marrom ou branco indicam mancha foliar, uma doença causada por fungo ou bactéria. Pontinhos amarelos finos espalhados pela folha indicam praga que suga a seiva, como ácaro, mosca-branca ou cochonilha. Folha inteira amarela aponta para a raiz, a rega, o frio, a falta de sol ou a falta de nutriente.
A buganvília (também chamada de bougainville ou primavera) pode se recuperar dessas causas quando você corrige a origem. A folha que já amarelou em geral não volta a ficar verde. O que mostra que o problema foi resolvido é a folha nova, que nasce verde e sem mancha na próxima brotação.
Manchas com centro morto e pontinhos de praga não somem com uma mudança na rega. Se você já regou mais, depois menos, e as manchas continuaram, pare de mudar a rega. Olhe o centro das manchas e o verso da folha, e compare com a tabela abaixo.
Mancha amarela ou folha inteira amarela: o primeiro teste
Antes de tratar, olhe três coisas numa folha atingida: o desenho do amarelo, a idade da folha e o verso. Uma mancha com um centro marrom ou branco é diferente de um pontilhado fino sem centro. Folha nova amarela tem outras causas que folha velha amarela. O verso mostra as pragas que se escondem embaixo da folha.
Pontinhos brancos junto com as manchas amarelas têm duas origens. Se o branco é um algodão, uma casquinha ou uma mosquinha que se solta da folha, é praga. Se o branco é um círculo seco dentro da folha, com borda escura, é o centro de uma mancha foliar.
O que você vê | Causa provável | Como confirmar | O que fazer |
|---|---|---|---|
Manchas redondas de 1 a 7 mm com centro marrom ou branco e um anel amarelo em volta | Mancha foliar (fungo ou bactéria) | A mancha aparece nas duas faces da folha e tem borda escura | Tirar as folhas manchadas e as caídas, regar junto ao caule e não molhar as folhas |
Pontilhado amarelo fino, como poeira, que deixa a folha bronzeada | Ácaro | Bata o ramo sobre um papel branco e procure pontinhos que andam | Jato de água fria no verso da folha e sabão inseticida (produto vendido pronto) |
Pontinhos amarelos e uma película preta nas folhas de baixo | Mosca-branca | Vire a folha e procure mosquinhas brancas no verso | Sabão inseticida ou óleo no verso da folha |
Risca amarela que sai de uma casquinha marrom no caule ou na folha | Cochonilha | A casquinha fica parada no mesmo lugar e não anda | Algodão com álcool e óleo de uso agrícola |
Folha nova amarela com as nervuras verdes | Falta de ferro ou de magnésio | O amarelo começa nas pontas dos ramos | Conferir a terra e o frio antes de adubar |
Folhas velhas amarelas de baixo para cima | Falta de nitrogênio, falta de magnésio ou raiz com problema | Terra molhada dias depois da rega aponta para a raiz; terra que seca bem aponta para falta de nutriente | Tocar a terra antes de adubar |
Folhas inteiras amarelas que caem de vários ramos ao mesmo tempo | Rega errada, pouca luz ou frio | Toque a terra e lembre das noites dos últimos dias | Corrigir a rega, a luz ou proteger do frio |
Manchas amarelas com centro marrom ou branco: mancha foliar
A mancha foliar da buganvília é uma doença em que fungos ou bactérias matam pequenos círculos da folha. O tecido morto fica no centro, e o amarelo é o anel em volta dele. Um dos agentes é o fungo Passalora bougainvilleae, antes chamado de Cercospora bougainvilleae. Para um manual de cultivo comercial hospedado pela Universidade Estadual da Carolina do Norte (NC State), essa mancha é a doença mais importante da buganvília.
O primeiro registro desse fungo no México saiu na revista Plant Disease em 2011 (Ayala-Escobar e colegas). Em 2009, os autores examinaram buganvílias da espécie Bougainvillea spectabilis em 28 jardins. Todas as plantas tinham a doença, mas as manchas cobriam só 3% a 7% da área das folhas. As buganvílias de brácteas brancas (as folhas coloridas que parecem pétalas) foram as mais atacadas.
No estudo mexicano, as manchas eram redondas, de 2 a 7 mm, marrom-claras no centro e com a borda marrom-escura. Muitas tinham um anel amarelado em volta e paravam nas nervuras grossas da folha. Elas apareciam nas duas faces da folha. Na planta infectada de propósito, os sintomas levaram de 45 a 60 dias para aparecer.
No Brasil, o mesmo fungo já foi registrado em Pernambuco, no Distrito Federal (na Bougainvillea glabra) e em Roraima. Em Roraima, pesquisadores da Embrapa acharam as manchas na época de maior chuva da região, segundo a Acta Amazonica. Lá as lesões eram brancas, de 1 a 3 mm, com um anel marrom-escuro. Com uma lupa, o verso das manchas velhas mostra tufos escuros, que são as estruturas do fungo.
A cor do centro muda entre o registro do México e o de Roraima: marrom-clara no primeiro e branca no segundo. Nos dois registros, a mancha é pequena e redonda, de centro claro e borda marcada. Por isso, olhe o centro de cada mancha amarela. Se houver um ponto morto no meio, o amarelo é o anel em volta do tecido morto pela doença, e não falta de nutriente.

A Universidade da Flórida (UF/IFAS) descreve também uma mancha causada por bactéria. Ela começa como pontinhos marrom-avermelhados nas folhas novas, alguns com anel amarelo, e cresce até virar manchas escuras. A bactéria se espalha pelos respingos de água e pelas mãos. A mancha do fungo Colletotrichum, também descrita pela UF/IFAS, é marrom-clara, com bordas mais escuras, e às vezes tem forma de V. Com esse fungo, a folha amarela e cai antes da hora.
O tratamento é o mesmo para as três manchas, segundo a UF/IFAS e a Universidade do Havaí (CTAHR):
arranque as folhas manchadas e recolha as que caíram no chão ou no vaso;
afaste os vasos e as plantas vizinhas para o ar passar entre as folhas;
regue a terra, junto ao caule, e não molhe as folhas, principalmente no fim da tarde;
descarte a planta muito atacada, porque a mancha passa para as vizinhas pelos respingos.
A CTAHR manda descartar plantas infectadas. O estudo mexicano, porém, achou a doença em todas as plantas de 28 jardins, com só 3% a 7% da folha manchada. Nenhuma das fontes diz a partir de quantas folhas manchadas vale descartar uma buganvília de jardim. Com poucas folhas atingidas, comece tirando essas folhas e acompanhe as folhas novas.
A CTAHR diz que a mancha foliar aparece mais em períodos longos de chuva. Segundo a mesma fonte, vários fungicidas de amplo espectro (que agem contra vários fungos) servem. Se usar fungicida, siga a dose e o intervalo do rótulo. As folhas manchadas continuam manchadas, então o sinal de melhora é a folha nova nascer limpa.
Pontinhos amarelos na folha da buganvília: pragas que sugam a seiva
Pontinhos amarelos sem um centro morto costumam ser marcas de praga que suga a seiva. Cada praga deixa um desenho diferente e mora num lugar diferente da planta, segundo a tabela de pragas da CTAHR. A Royal Horticultural Society (RHS) lista mosca-branca, cochonilha-farinhenta, pulgão e ácaro-vermelho como as pragas da buganvília.
Ácaro: pontilhado fino que deixa a folha bronzeada
O ácaro é um animal de oito patas, parente das aranhas, que fura a folha para sugar a seiva. Ele é muito pequeno e difícil de ver, mesmo com lupa. Cada furo vira um pontinho amarelo, e muitos pontinhos juntos formam um pontilhado, segundo a NC State Extension. Com muito ácaro, a folha inteira fica amarela ou bronzeada e pode cair. A CTAHR descreve também broto novo enrugado e torto na buganvília.
Para confirmar, bata um ramo sobre uma folha de papel branco e espere alguns segundos. Sobre o papel branco, os pontinhos que se mexem são ácaros, e a sujeira fica parada. O ácaro gosta de tempo quente e seco, e o adubo com muito nitrogênio favorece a praga, segundo a NC State.
Para tratar, lave o verso das folhas com um jato forte de água fria. Depois, aplique sabão inseticida ou óleo de uso agrícola no verso das folhas. Repita a aplicação 7 a 10 dias depois, porque a primeira não mata os ácaros que ainda estão no ovo, segundo a NC State.
Mosca-branca: pontinhos onde ela se alimenta
A mosca-branca é um inseto pequeno que se alimenta no verso da folha, e o adulto parece uma mariposinha branca. As folhas atacadas mostram pontinhos amarelos nos pontos onde os adultos e as larvas se alimentaram, segundo a CTAHR. Com muitas moscas, a folha inteira amarela. As folhas de baixo ficam cobertas pela fumagina, uma película preta de fungo que cresce sobre o líquido açucarado que o inseto solta.
Para tratar, aplique sabão inseticida ou óleo de uso agrícola no verso de todas as folhas, conforme o rótulo. A CTAHR recomenda repetir a aplicação; o intervalo está no rótulo do produto. As larvas da mosca-branca parecem pequenas escamas presas ao verso da folha, segundo a mesma fonte.
Cochonilha: risca amarela a partir de uma casquinha
A cochonilha de carapaça é um inseto parado, coberto por uma casquinha marrom presa ao caule ou à folha. Quando ela suga a seiva, deixa uma risca amarela que sai do ponto onde a casquinha está presa, segundo a CTAHR. A cochonilha-farinhenta parece um algodão branco no ponto em que a folha se prende ao caule e no verso das folhas.
Para tratar, tire as casquinhas e os algodões com um cotonete molhado em álcool. Depois, lave a planta com água e sabão e uma escova macia, ou aplique óleo de uso agrícola conforme o rótulo. Controle também as formigas, que levam as cochonilhas de um ramo para o outro.
Se você já aplicou óleo de neem e sabão e a praga continuou, confira três pontos. Primeiro, cubra o verso de todas as folhas com o produto. Segundo, repita a aplicação, como a CTAHR recomenda. Terceiro, contra a cochonilha-farinhenta, a mesma fonte prefere inseticidas sistêmicos (que a planta absorve). Ela avisa também que óleo concentrado demais, ou aplicado no calor do dia, queima as folhas e as brácteas.
Pulgão: pintinhas e broto torto
O pulgão é um inseto mole que vive em grupos nas pontas dos ramos, nos botões e nas folhas novas. Quando o pulgão suga a seiva, deixa pintinhas na folha, perda de cor e broto deformado, segundo a CTAHR. O tratamento mais seguro, segundo a mesma fonte, é o sabão inseticida.
Folha com buraco ou com a borda comida é sinal de lagarta. A CTAHR descreve uma lagarta que come as folhas da buganvília à noite e deixa a borda recortada. As pragas da buganvília que mastigam deixam buraco ou borda recortada, e não pontinho amarelo.
Folha nova amarela com a nervura verde: ferro ou magnésio
Folha nova amarela com as nervuras verdes é sinal de clorose. Clorose é o amarelamento da folha quando falta um nutriente para formar a cor verde. Na buganvília, o amarelo nas folhas novas costuma ser falta de magnésio ou de ferro, segundo a UF/IFAS (ENH 874).
A planta pode mostrar falta de ferro mesmo quando a terra tem ferro suficiente. A CTAHR explica que o pH da terra acima de 6,0 dificulta a absorção do ferro pela raiz. O pH mede a acidez da terra: acima de 6,0, a terra é pouco ácida ou alcalina. A NC State registra que a Bougainvillea glabra pode ter clorose em terra alcalina. A Iowa State acrescenta que pH alto, rega demais, frio e nematoides (vermes microscópicos que atacam a raiz) produzem o mesmo amarelo com nervura verde.
Por isso, siga esta ordem antes de comprar adubo:
Toque a terra. Se ela está molhada dias depois da rega, corrija a rega primeiro.
Pense nas últimas noites. Se a temperatura caiu abaixo de 10 °C, espere a planta brotar no calor antes de adubar.
Se a terra drena bem e não fez frio, aplique um adubo de micronutrientes com ferro quelatado, conforme o rótulo. Micronutrientes são nutrientes que a planta usa em pouca quantidade. Ferro quelatado é ferro ligado a uma molécula que o mantém disponível para a raiz.
A UF/IFAS avisa para não exagerar no ferro nem no manganês. Excesso de um desses nutrientes impede a planta de absorver o outro e cria uma nova falta. A CTAHR também cita acidificar a terra com sulfato de ferro, sulfato de alumínio ou enxofre contra a clorose. Ela não dá dose para vaso. Por isso, este guia segue a UF/IFAS, que descreve o ferro quelatado para a buganvília e avisa do excesso.
Folhas velhas amarelando de baixo para cima
Amarelo que começa nas folhas mais velhas, de baixo para cima, aponta para falta de nitrogênio, falta de magnésio ou raiz com problema. A falta de nitrogênio deixa as folhas de baixo verde-claras e depois amarelas. Com o tempo, o amarelo sobe pela planta, segundo a Iowa State.
A CTAHR avisa que uma raiz atacada por fungo produz um amarelo parecido com o da falta de nutriente. Por isso, confira a terra antes de adubar. Se a terra estiver encharcada ou com cheiro de podre, o adubo não resolve, porque a raiz doente não absorve o que você colocar.
Para o amarelo nas folhas velhas, com a terra drenando bem, a UF/IFAS recomenda sal de Epsom (sulfato de magnésio). A dose é de 1 a 2 colheres de chá para cada 3,8 litros de água. Use essa mistura para regar a terra ou para pulverizar as folhas. A fonte não informa o intervalo entre aplicações: aplique uma vez e espere a próxima brotação antes de repetir. O sal de Epsom corrige só a falta de magnésio. Para a falta de nitrogênio, as fontes consultadas não dão dose para a buganvília: siga o rótulo do adubo. Não exagere, porque o nitrogênio em excesso favorece o ácaro, segundo a NC State.
Buganvília com folhas amarelas caindo: terra, luz e frio
A buganvília solta folhas amarelas por excesso de água, falta de água, pouca luz ou frio, segundo a UF/IFAS. Nesses casos, o amarelo atinge a folha inteira, sem desenho de mancha, e muitas folhas caem ao mesmo tempo em vários ramos. Confira nesta ordem: a terra (excesso ou falta de água), a luz e o frio.
Terra. Toque a terra com o dedo. Terra molhada dias depois da rega indica excesso de água: espere a terra secar antes de regar de novo. A CTAHR descreve a podridão de raiz com murcha, ponteiros secando e folhas amarelas. Terra seca até o fundo do vaso indica falta de água: regue até a água escorrer pelo furo do vaso. O guia de como regar buganvília mostra o teste da terra, o peso do vaso e a quantidade de água.
Luz. A buganvília precisa de sol direto para manter as folhas. A CTAHR explica que, num lugar com pouca luz, como dentro de casa, a planta solta as folhas. Se o vaso está dentro de casa ou na sombra, mude a planta para um lugar com sol direto.
Frio. Segundo a RHS, a buganvília aguenta períodos curtos com temperatura de 5 °C. Abaixo de 10 °C, ela tende a soltar as folhas e entrar em repouso, sem crescer. No Brasil, as noites abaixo de 10 °C acontecem principalmente de junho a agosto.
Depois de uma noite fria, raspe de leve a casca de um galho com a unha. Tecido verde por baixo indica galho vivo, e tecido marrom ou preto indica galho morto naquele ponto, segundo a UF/IFAS (MG025). Os cuidados com a buganvília no inverno explicam como proteger a planta da geada e quando podar o galho morto.
Quando a folha amarela da buganvília é normal
A UF/IFAS diz que a queda de folhas depois de uma floração costuma ser natural e vem seguida de uma brotação nova. Nesse caso, as folhas amarelam e caem, sem manchas, e uma brotação nova aparece logo depois.
A buganvília também perde folhas onde a seca dura muitos meses, segundo a CTAHR. Na seca longa, a planta fica com menos folhas e volta a brotar quando as chuvas voltam. No frio abaixo de 10 °C, a queda de folhas faz parte do repouso da planta, segundo a RHS.
Algumas buganvílias têm folha amarela de nascença. A UF/IFAS cita três cultivares. A 'Vicky' tem folhas com o centro amarelo, a 'Raspberry Ice' tem folhas de duas cores e a 'Sweet Dream' tem folhas douradas. Na planta variegada (com folhas de duas cores), o amarelo vem da própria variedade e aparece também nas folhas novas. Ele não forma manchas com centro escuro.
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Perguntas frequentes sobre buganvília com folhas amarelas
A folha amarela da buganvília volta a ficar verde?
Em geral, não. A folha que amarelou por mancha, praga ou falta de nutriente continua amarela e acaba caindo. O que mostra que o tratamento funcionou é a folha nova. Depois que você corrige a causa, os brotos novos nascem verdes e sem mancha. Folha com mancha foliar deve sair da planta, porque espalha a doença.
A mancha foliar da buganvília passa para outras plantas?
Pode passar para outras buganvílias. A UF/IFAS diz que a mancha causada por bactéria se espalha pelos respingos de água, pelas mãos e por mudas tiradas de planta doente. Por isso, recolha as folhas caídas, não molhe as folhas na rega e não tire mudas de ramos manchados. Lave as mãos e a tesoura depois de mexer na planta doente.
Posso usar remédio caseiro na buganvília com folhas amarelas?
Depende da causa. Para ácaro, a CTAHR indica o jato de água fria no verso das folhas. Para cochonilha, ela indica lavar a planta com água e sabão e uma escova macia. Para ácaro, mosca-branca e pulgão, ela indica o sabão inseticida, um produto vendido pronto. Para mancha foliar, o que funciona é tirar as folhas doentes e manter as folhas secas. Para falta de ferro, nenhuma das fontes consultadas recomenda receita caseira: use adubo com ferro quelatado, conforme o rótulo.
Quanto tempo a buganvília leva para se recuperar?
Nenhuma fonte consultada mede quanto tempo a buganvília leva para se recuperar. O sinal é a folha nova: espere a próxima brotação depois de corrigir a causa. No frio, a planta só volta a brotar quando as noites esquentam. Se as folhas novas também saírem manchadas ou amarelas, a causa continua ativa.
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