Manjericão com manchas marrons nas folhas: causas e o que fazer
Manchas marrons ou pretas no manjericão: como separar frio, mancha bacteriana, míldio, sol e sal do adubo. Veja quando jogar a planta fora e quando a folha ainda pode ir para o prato.
Manchas marrons nas folhas do manjericão têm causas diferentes, e o formato da mancha diz qual é. Folhas escuras depois de uma noite fria são dano de frio. Pintas escuras com aspecto molhado são mancha bacteriana. Amarelo entre as nervuras com penugem cinza na face de baixo é míldio. Pontas e bordas secas vêm de rega irregular ou do sal que o adubo deixa na terra do vaso.
Na maioria dos casos, basta tirar as folhas manchadas e corrigir a causa. Só dois sinais pedem para descartar a planta inteira: penugem cinza-arroxeada na face de baixo da folha e estrias marrons no caule com murcha repentina.
As instruções deste guia vêm de extensões universitárias dos Estados Unidos, serviços de universidades que orientam quem cultiva plantas. As principais são a da Universidade da Flórida (UF/IFAS), a de Illinois, a Clemson, a NC State, a de Maryland e a de Connecticut (UConn). A ficha do manjericão apresenta a espécie (Ocimum basilicum) e as doenças dela.
Resumo rápido:
Folhas escuras depois de frio ou de geladeira: dano de frio. A Universidade de Illinois registra folha escurecida a 10 °C.
Pintas escuras com aspecto molhado, presas entre as nervuras: mancha bacteriana. Tire as folhas e regue só a terra.
Amarelo que escurece, com penugem cinza na face de baixo: míldio. Descarte a planta num saco fechado.
Mancha seca e clara só nas folhas do alto: calor e sol forte.
Ponta e borda secas, crosta branca na terra: sal do adubo. Regue até a água escorrer pelo furo do fundo para lavar a terra do vaso.
Folha com mancha leve pode ir para o prato: até a folha com míldio é segura para comer, segundo a Universidade de Maryland e a UConn.
Manjericão com manchas marrons: salvar ou jogar fora
Tirar as folhas manchadas resolve a maior parte dos casos de manjericão com manchas marrons. O frio, o sol, o sal do adubo e a mancha bacteriana danificam folhas, e a planta brota folhas novas se a causa parar. A planta só vai para o lixo em duas doenças que se espalham pela planta inteira.
A primeira é o míldio do manjericão. A UF/IFAS manda retirar e destruir logo qualquer planta infectada, e a Universidade de Maryland (UMD) diz para arrancar, ensacar e jogar fora. A NC State afirma que nenhum produto vendido ao jardineiro doméstico controla a doença.
A segunda é a murcha de fusário, causada pelo fungo Fusarium oxysporum. Segundo a NC State, ela começa com estrias marrons no caule, a ponta do galho dobrada para baixo e queda repentina de folhas. Estrias escuras no caule também aparecem na mancha bacteriana. O que indica o fusário é a combinação de estrias, ponta do galho dobrada e queda repentina de folhas. A Clemson manda retirar e descartar a planta com fusário logo. A página da murcha de fusário no manjericão mostra o sintoma.
O vaso comprado no supermercado adoece com mais facilidade. A RHS, a sociedade britânica de horticultura, explica que ele traz muitas mudas finas e apertadas, que tendem a pegar doenças de fungo. A RHS diz também que essas mudas podem sobreviver se forem divididas e replantadas logo. O guia de como cuidar de manjericão mostra como dividir o torrão (o bloco de terra com todas as raízes).
Como descobrir a causa da mancha no manjericão em 2 minutos
Quatro verificações separam as causas de mancha marrom no manjericão. Faça as quatro nesta ordem, com a planta na luz do dia:
Vire 3 folhas manchadas. Penugem cinza ou arroxeada na face de baixo indica míldio. Pontinhos que se mexem ou teia fina indicam ácaro.
Olhe o formato da mancha contra a luz. Mancha escura com aspecto molhado, de bordas retas presas nas nervuras, é bacteriana. Mancha redonda com centro claro ou com furinho é fungo de mancha foliar (fungo que forma manchas na folha). Mancha seca, clara e fina como papel é sol ou calor.
Veja onde o marrom está. Só nas pontas e bordas aponta para rega irregular ou sal. Só nas folhas do alto aponta para sol. Folhas espalhadas pela planta inteira, de uma vez, apontam para frio.
Lembre-se do que mudou nos últimos 3 dias. Uma noite fria, a geladeira, um borrifo de detergente ou uma semana de chuva mudam o diagnóstico.
Quando a mancha não bate com nenhuma descrição, uma foto ajuda. O diagnóstico do Bloom (disponível para iOS) compara a foto da folha com doenças e pragas conhecidas, no plano Premium.

Manchas pretas no manjericão depois do frio ou da geladeira
Manchas pretas que aparecem em várias folhas ao mesmo tempo, depois de uma noite fria, são dano de frio. O manjericão sofre com frio bem acima de zero. A Universidade de Illinois diz que o ar e a terra frios podem escurecer as folhas a 10 °C. Segundo a UF/IFAS, abaixo de 4 °C as folhas de muitas variedades ficam pretas e caem.
A folha colhida também escurece no frio. Uma revisão publicada em 2023 na revista Frontiers in Plant Science registra lesão em folhas guardadas abaixo de 12 °C. Abaixo de 10 °C, o dano é grave ou total. Por isso a Universidade de Illinois avisa que o manjericão guardado na geladeira fica com as folhas descoloridas. A mesma fonte orienta guardar os galhos colhidos num copo com água, em temperatura ambiente.
Segundo a UF/IFAS, a folha escurecida pelo frio cai. Corte as folhas pretas. Nas noites abaixo de 10 °C, deixe o vaso dentro de casa, longe do vidro gelado da janela. O guia de cuidados com o manjericão no inverno mostra onde deixar o vaso nos meses frios.
Mancha bacteriana no manjericão: pintas escuras com aspecto molhado
A mancha bacteriana do manjericão é causada pela bactéria Pseudomonas cichorii. Segundo o guia de doenças do manjericão da UF/IFAS, as manchas são escuras e parecem encharcadas. Elas podem ter bordas retas, limitadas pelas nervuras pequenas, ou formato irregular. A Clínica de Diagnóstico de Doenças de Plantas da Cornell descreve manchas marrons e pretas nas folhas e estrias escuras no caule.
A bactéria gosta de folha molhada. A UF/IFAS explica que ela se espalha por respingos de água e pelas mãos de quem mexe numa folha doente. O Penn State PlantVillage, projeto da Universidade Estadual da Pensilvânia, diz que umidade alta e rega por cima das folhas espalham a doença. A mesma fonte afirma que não há tratamento depois que a mancha aparece.
Para controlar a doença, tire a fonte da bactéria e mantenha a folha seca:
Corte todas as folhas com manchas e jogue no lixo, junto com as que caíram na terra.
Regue só a terra, de manhã, sem molhar as folhas.
Afaste os vasos uns dos outros para o ar circular.
Lave as mãos e a tesoura depois de mexer na planta doente.
A Clemson acrescenta que não se deve guardar semente de planta que teve mancha bacteriana, porque a doença passa pela semente.
Excesso de rega ou mancha bacteriana no manjericão?
Rega demais e mancha bacteriana podem acabar em folhas manchadas, mas o primeiro problema está na raiz e o segundo na folha. O teste mais rápido é tocar a terra e olhar a planta inteira. Segundo a Clemson, a raiz podre deixa o manjericão amarelado e fraco. Os galhos secam a partir das pontas, e as raízes ficam marrons.
O que você vê | Excesso de rega (raiz podre) | Mancha bacteriana |
|---|---|---|
Terra | Úmida há dias | Pode estar seca ou úmida |
Folhas | Amarelam, e a planta fica fraca | Pintas escuras isoladas em folhas verdes |
Galhos | Secam a partir da ponta | Podem ter estrias escuras |
Raiz | Marrom; a camada de fora da raiz solta ao puxar | Não é a origem do problema |
O que fazer | Esperar a terra secar antes de regar de novo | Tirar as folhas manchadas e regar só a terra |
As duas causas podem andar juntas, porque quem rega muito por cima molha as folhas e a terra ao mesmo tempo. Se a raiz está marrom e mole, a correção começa pela rega. O guia de com que frequência regar o manjericão mostra como saber a hora pela terra, sem dia fixo.
Amarelo entre as nervuras que vira marrom: míldio do manjericão
O míldio do manjericão é causado pelo organismo Peronospora belbahrii. A UConn descreve o começo como um amarelo limitado pelas nervuras na face de cima da folha. Depois, o tecido morre. A UF/IFAS diz que, com umidade alta, a área amarela fica marrom-escura rapidamente.
O sinal que confirma o míldio está na face de baixo da folha. Ali aparece uma penugem cinza, que a Clemson descreve como cinza-arroxeada e a NC State como roxo-amarronzada. A Cornell avisa que essa penugem pode parecer terra grudada na folha. A UF/IFAS lembra que o amarelo do começo é fácil de confundir com falta de nutriente. Olhe a face de baixo da folha antes de adubar.

A NC State diz que o míldio gosta de calor úmido, principalmente de noites quentes. A página do míldio no manjericão mostra fotos do sintoma. Se a penugem aparecer, faça isto:
Coloque a planta inteira num saco fechado e jogue no lixo, como orienta a UMD.
Não ponha folhas doentes na composteira, avisa a UConn.
Antes de descartar, colha as folhas que ainda não têm sintoma e use logo, como sugere a UConn.
Se o míldio volta todo ano, troque a variedade. A UF/IFAS diz que os manjericões roxos, o tailandês e o manjericão-limão pegam menos a doença.
Manchas com centro claro ou furinhos: fungos de mancha foliar
Manchas redondas e escuras com o centro mais claro são fungo, não bactéria. O Penn State PlantVillage descreve assim a mancha de Cercospora no manjericão. A UF/IFAS cita outro fungo, do gênero Colletotrichum, que faz manchas marrom-escuras a pretas. O centro dessas manchas pode cair e deixar a folha furada.
A Clemson registra três fungos de mancha foliar no manjericão e indica o mesmo cuidado para todos. Regue sempre na base da planta, nunca molhe as folhas e tire as folhas doentes ao primeiro sinal. Para casos leves, a Clemson diz que dá para usar um fungicida à base de bicarbonato de potássio, aplicado uma vez por semana.
Mancha seca e clara no alto do manjericão: calor e sol
Manchas secas, de cor palha, só nas folhas mais expostas ao sol costumam ser calor. A Ask Extension é o serviço de perguntas e respostas das extensões universitárias dos Estados Unidos. Numa resposta dela, uma voluntária da extensão da Universidade de Minnesota viu marrom só nas folhas de cima e atribuiu ao calor. A orientação foi tirar essas folhas e manter a rega constante, sem exagero.
Existe a ideia de que a gota de água na folha funciona como lupa e queima a folha no sol. Um estudo publicado em 2010 na revista New Phytologist testou gotas de água sob sol forte em folhas lisas e sem pelos. Elas não queimaram as folhas. O estudo não testou o manjericão, então a recomendação de regar na terra continua valendo pelo risco de doença, e não pelo sol.
Mancha marrom depois de borrifar detergente
Mancha marrom que aparece logo depois de um borrifo caseiro costuma ser queimadura do produto. A Iowa State diz que o detergente de louça tem muito mais chance de danificar a planta do que o sabão inseticida. A UF/IFAS lembra que qualquer sabão, mesmo o inseticida, pode queimar folhas. Se a borda da folha escurecer ou a planta murchar poucas horas depois do borrifo, lave a planta com água limpa. Essa é a orientação da LSU AgCenter, da Universidade Estadual da Louisiana. Não repita a aplicação.
Pontas e bordas marrons e secas no manjericão: rega irregular e sal do adubo
Ponta e borda marrons e secas, sem mancha no meio da folha, apontam para a raiz e não para doença. A Universidade de Maryland diz que excesso de adubo ou de sal aparece como borda da folha marrom e queimada. A Washington State University acrescenta que o sal se acumula na folha e mata as pontas e as bordas.
Segundo a Washington State University, o sinal no vaso é uma crosta branca ou marrom. Ela aparece na superfície da terra ou na borda de dentro do vaso. A mesma fonte diz que planta em vaso é mais sensível a esse dano. Para lavar o sal, regue devagar até a água escorrer pelo furo do fundo e jogue fora a água do pratinho. A Washington State University avisa que esse método só funciona para adubo líquido ou de liberação rápida.
Rega irregular também seca as pontas. Uma especialista da UMD, numa resposta da Ask Extension, liga a ponta marrom a mudanças de umidade na raiz junto com calor forte. A página de pontas secas do manjericão reúne esse sintoma. Corte só a parte seca da folha com uma tesoura limpa.
Pontinhos e crostas nas folhas do manjericão: ácaro, tripes ou cochonilha
Pontinhos claros ou marrons espalhados pela folha, como poeira, costumam ser praga e não mancha. A Clemson explica que o ácaro-rajado se alimenta na face de baixo da folha. Ele fura as células, e a face de cima fica pontilhada. Com o tempo aparece teia fina, e uma lupa de 10 vezes ou o zoom do celular mostra os ácaros.
Pontinhos pretos e brilhantes no meio do pontilhado podem ser fezes de tripes, insetos de cerca de 1 mm, quase invisíveis sem lupa. Uma resposta da Ask Extension, sobre tomate, descreve esses pontos pretos como fezes dos tripes. Marcas escuras em relevo, como uma crosta, podem ser cochonilhas de carapaça. O UC IPM, programa de pragas da Universidade da Califórnia, descreve essas cochonilhas como insetos parados, em forma de calombos redondos ou ovais. Algumas soltam um líquido grudento, onde cresce um mofo preto chamado fumagina.
Passe o dedo na marca: o calombo em relevo combina com a cochonilha, e a mancha de doença fica lisa na folha. A página de pragas do manjericão mostra as mais comuns.
Dá para comer manjericão com manchas marrons?
Sim, na maioria dos casos. A Universidade de Maryland diz que é seguro comer folhas de planta com míldio, porque a doença não faz mal às pessoas. A UConn afirma o mesmo. Uma especialista da UMD, na Ask Extension, avaliou folhas amareladas e manchadas sem causa definida. Ela disse que a folha pode ser comida se for bem lavada.
Jogue fora a folha mole, com cheiro ruim ou com um mofo diferente da penugem do míldio. Nenhuma das fontes deste guia trata desse caso, e o descarte é a opção mais segura. Folhas pretas de frio e manchas secas de sol não são doença. Pelo critério da especialista da UMD, elas podem ir para o prato depois de bem lavadas, mas costumam ficar feias no molho.
Perguntas frequentes
Fungicida resolve as manchas marrons do manjericão?
Na maioria dos casos, não. A NC State diz que nenhum produto vendido ao jardineiro doméstico controla o míldio. O Penn State PlantVillage afirma que a mancha bacteriana não tem tratamento depois que aparece. Para os fungos de mancha foliar em casos leves, a Clemson diz que dá para usar bicarbonato de potássio. Contra frio, sol e sal, fungicida não tem efeito nenhum.
Devo cortar as folhas de manjericão com manchas marrons?
Sim, quando a causa é mancha bacteriana, fungo de mancha foliar, frio ou sol. Na mancha bacteriana, a folha doente espalha a bactéria pelos respingos de água, segundo a UF/IFAS. Corte rente ao caule, com tesoura limpa, e jogue no lixo. Com míldio, a orientação da UMD é descartar a planta inteira.
Folha de manjericão amarela com mancha marrom: qual é a causa?
Vire a folha para ver a face de baixo. Penugem cinza-arroxeada ali confirma o míldio. Sem penugem, toque a terra: úmida há dias, com folhas de baixo amarelando, aponta para rega demais. Terra com umidade normal e folhas pálidas num vaso antigo podem ser falta de adubo, como explicou uma especialista da UMD na Ask Extension.
Resumo do diagnóstico das manchas no manjericão
Três verificações separam a maioria das causas: ver a face de baixo da folha, olhar o formato da mancha e ver onde o marrom está. Penugem no verso ou estrias no caule com murcha repentina pedem o descarte da planta inteira. Nos outros casos, corte as folhas manchadas, regue só a terra e corrija o frio, o sol ou o sal. As folhas novas que nascerem verdes nas pontas dos galhos mostram que a causa parou.
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