Manjericão com folhas amarelas: causas e o que fazer
Manjericão com folhas amarelas costuma ter raiz molhada demais. Veja o que olhar primeiro (a face de baixo da folha, a terra e a raiz), como separar excesso de água, falta de nitrogênio, frio, pouca luz e míldio, e quando colher ou descartar o vaso.
Manjericão com folhas amarelas, na maioria das vezes, está com a raiz molhada demais. Em planta de vaso, a Clemson diz que o amarelo vem, na maioria das vezes, do excesso de água. As outras causas comuns são a falta de nitrogênio num vaso pequeno com a terra gasta, o frio, a pouca luz e o míldio. O nitrogênio é o nutriente do adubo que a planta mais usa para fazer folha. O míldio é uma doença que pode derrubar todas as folhas da planta em poucos dias.
Não jogue o vaso fora antes de duas checagens rápidas. Primeiro, vire uma folha amarela e olhe a face de baixo. Depois, aperte a terra com o dedo e, se ela estiver molhada há dias, tire a planta do vaso com o torrão (o bloco de terra e raiz) para ver a cor da raiz. Essas duas olhadas separam as duas causas que pedem decisão rápida: o míldio e a raiz podre.
A folha vem antes da terra por dois motivos. O míldio se espalha para os outros vasos. Além disso, o amarelo do míldio parece falta de adubo, e quem aduba sem virar a folha perde tempo.
As fontes deste guia são extensões universitárias dos Estados Unidos, serviços de universidades que orientam quem cultiva plantas. Entra também a Royal Horticultural Society (RHS), do Reino Unido. Elas tratam do manjericão-doce, o comum de cozinha (Ocimum basilicum):
O que você vê | Como está a terra | Causa provável | O que fazer |
|---|---|---|---|
Amarelo em áreas cortadas pelas nervuras (as linhas finas da folha) e penugem cinza-arroxeada na face de baixo | Qualquer | Míldio | Colher as folhas sãs e descartar a planta |
Amarelo em muitas folhas, de baixo e de dentro da planta, às vezes com murcha | Úmida vários dias depois da rega | Raiz sem ar por excesso de água | Parar de regar e olhar a raiz |
Folhas de baixo amarelando primeiro, verde-claro por igual, planta crescendo pouco | Seca entre as regas | Falta de nitrogênio, comum em vaso pequeno | Adubar em dose pequena ou trocar a terra |
Amarelo entre as nervuras nas folhas novas, com as nervuras verdes | Seca entre as regas | Falta de ferro | Medir o pH da terra com um kit de teste e adubar |
Folhas escuras ou pretas depois de uma noite fria | Qualquer | Frio | Levar o vaso para dentro nas noites abaixo de 10 °C |
Caule fino e comprido, folhas pequenas e pálidas | Qualquer | Pouca luz | Mudar para o lugar com 6 a 8 horas de sol direto |
Murcha de repente e estrias marrons no caule | Qualquer | Murcha de fusário | Descartar a planta e a terra |
Bichinhos na face de baixo das folhas amarelas | Qualquer | Pulgão ou mosca-branca | Jato de água na face de baixo |
Primeiro, vire a folha: penugem cinza na face de baixo é míldio
O míldio do manjericão começa com um amarelo na face de cima da folha, em áreas cortadas pelas nervuras. Ele é causado pelo Peronospora belbahrii, um organismo parecido com fungo que se espalha por esporos (partículas minúsculas de reprodução) levados pelo vento. A Cornell explica que o amarelo para nas nervuras grandes porque o organismo não consegue atravessá-las.
O sinal que confirma o míldio está embaixo da folha. A Cornell descreve esporos cinza-arroxeados que só se formam na face de baixo. A NC State chama esses esporos roxo-amarronzados de "sinal seguro" da infecção. Eles aparecem bem embaixo das áreas amarelas da face de cima, segundo a Clemson.

O amarelo do míldio é fácil de confundir com falta de nutriente. A NC State, a Cornell, a Universidade de Connecticut (UConn) e a Clemson dão o mesmo aviso. Por isso, vire a folha antes de adubar. Olhe de manhã cedo: a Cornell explica que os esporos se formam durante a noite.
Se a folha está amarela e a face de baixo parece limpa, a Cornell ensina um teste. Coloque a folha virada para baixo sobre um papel-toalha molhado, dentro de um saco plástico fechado, no escuro, por um dia. Se o míldio estiver lá, a penugem aparece. A queimadura de sol também amarela a folha, mas não forma penugem nem manchas de cantos marcados pelas nervuras, segundo a mesma fonte.
O míldio não tem cura em casa. A UConn diz que nada cura uma planta com míldio. A NC State afirma que não existe produto vendido ao jardineiro doméstico que controle a doença. Tirar só as folhas manchadas também não resolve: a Cornell lembra que os esporos se espalham pelo ar.
O que fazer com um manjericão com míldio, nesta ordem:
Colha hoje as folhas que ainda estão verdes e sem mancha. A UConn e a Universidade de Maryland dizem que elas são seguras para comer; a UConn sugere usar logo ou fazer pesto.
Coloque as folhas doentes e a planta num saco plástico fechado e jogue no lixo comum. A UConn pede para não colocar na composteira.
Afaste os outros vasos de manjericão. Por 10 dias, vire toda manhã uma folha de cada vaso: a NC State diz que os sintomas aparecem até 10 dias depois da infecção. A UConn avisa que uma planta pode perder todas as folhas em poucos dias.
O míldio gosta de calor com umidade alta, principalmente noites quentes, segundo a NC State. A Cornell cita levar o vaso para dentro de casa como uma forma de evitar a doença. A Universidade de Maryland recomenda não apertar os vasos uns contra os outros, para o ar circular. Para a próxima planta, as fontes citam variedades resistentes, como 'Prospera', 'Rutgers Devotion' e 'Rutgers Obsession'. A Cornell avisa que resistência quase nunca é imunidade: elas pegam menos a doença, mas podem pegar.
Manjericão amarelo com a terra molhada há dias: raiz sem ar
Quando a terra continua úmida vários dias depois da rega e o amarelo se espalha por muitas folhas, a causa é excesso de água. A terra encharcada tira o ar da raiz, e a raiz sem ar apodrece. A Universidade de Maryland diz que o excesso de água é a causa número um de planta de vaso que não vai bem. O sinal principal, segundo ela, é a murcha ou o amarelo das folhas de baixo e de dentro da planta.
A raiz mostra se o problema já virou podridão. O Ask Extension, serviço de perguntas das extensões americanas, explica a diferença. Raiz sadia é branca e firme. Raiz podre é marrom ou preta, mole e às vezes tem cheiro ruim. A Clemson acrescenta que dois fungos da terra, Pythium e Rhizoctonia, causam podridão de raiz e deixam o manjericão amarelo e fraco.
Como salvar o manjericão com excesso de água:
Pare de regar na hora, como orienta o Ask Extension.
Segure a planta pela base dos caules, vire o vaso e tire o torrão inteiro para ver a raiz.
Se a raiz estiver branca e firme, devolva o torrão ao vaso. Só regue de novo quando os 2,5 cm de cima da terra estiverem secos ao toque, a medida do Ask Extension.
Se parte da raiz estiver marrom e mole, corte essa parte com tesoura limpa. Replante em terra nova, fofa e que escorra bem, num vaso com furo no fundo.
Se quase toda a raiz estiver escura, mole e morta, a Clemson diz que é melhor descartar a planta. Antes, corte as pontas verdes dos caules e coloque num copo com água, para tentar fazer mudas.
O pratinho e o tamanho do vaso também seguram água. A Clemson manda nunca deixar o vaso de manjericão com água parada no prato. A Iowa State avisa que vaso grande demais para a planta fica molhado por tempo demais. A mesma fonte lembra que vaso de barro seca mais rápido que o de plástico.
A sede também amarela as folhas de baixo, e a terra é o que separa os dois casos. A NC State descreve os sinais da sede. A murcha continua até a manhã seguinte, as folhas de baixo amarelam ou caem e a terra está seca a mais de 5 cm de profundidade. Terra seca e planta murcha é sede: regue até a água sair pelo furo. Terra úmida e murcha só à tarde, que some no fim do dia, é calor: não regue. Terra úmida e murcha que dura até a manhã seguinte é raiz sem ar: não regue e olhe a raiz. O guia de com que frequência regar o manjericão mostra como acertar o intervalo da rega.
Folhas de baixo amarelando com a terra boa: falta de nitrogênio
Se só as folhas de baixo amarelam, por igual, e a planta não murcha, a causa provável é falta de nitrogênio. A terra, nesse caso, seca normalmente entre as regas. A extensão da Universidade da Geórgia (UGA) explica que, sem nitrogênio suficiente, a planta tira esse nutriente das folhas velhas para as novas. Por isso, o amarelo começa embaixo e sobe.
Segundo a Clemson, o amarelo e a morte das folhas de baixo vêm, em geral, da falta de nitrogênio ou de ferro. A planta com a raiz ocupando o vaso inteiro é a mais sujeita. A mesma fonte indica adubar com regularidade e trocar a terra de tempos em tempos.
Adube pouco. A Universidade de Illinois recomenda adubo líquido a cada 3 a 4 semanas, na dose da embalagem, só quando a planta cresce pouco e a folha fica verde-pálida. A Iowa State usa meia dose ou um quarto da dose. A Utah State aduba vasos toda semana. Este guia segue a Illinois e a Iowa State, que pedem menos adubo. A Illinois avisa que adubo demais diminui o aroma e o sabor da folha. Use meia dose a cada 3 a 4 semanas, só com a folha verde-pálida.
Amarelo entre as nervuras, com as nervuras ainda verdes, é outro nutriente. A Clemson junta ferro e nitrogênio nas folhas de baixo, e este guia segue a Penn State, que separa os dois pela posição. A Penn State separa ferro e magnésio pela posição na planta. A falta de ferro aparece primeiro nas folhas novas, e a causa mais comum é o pH alto da terra ou da água. O pH mede se a terra é ácida ou alcalina. A falta de magnésio aparece primeiro nas folhas de baixo e do meio.
Vaso de manjericão de supermercado amarelando de baixo para cima
O vaso de manjericão de supermercado amarela de baixo para cima porque traz muitas mudas finas num torrão pequeno. A RHS descreve esse vaso como cheio de mudas finas e apertadas. Elas tendem a pegar doenças de fungo ou a florir cedo. A mesma RHS diz que elas podem sobreviver se forem divididas e replantadas logo.
Muitas mudas no mesmo torrão são o caso extremo do vaso pequeno: a raiz ocupa todo o espaço. A Clemson aponta a planta com a raiz tomando o vaso inteiro como a mais sujeita ao amarelo das folhas de baixo. Regar mais não corrige a falta de espaço e ainda arrisca deixar a raiz sem ar.
Para salvar o manjericão de supermercado, separe o torrão com os dedos em tufos menores, cada um com algumas mudas e as raízes delas. Plante cada tufo num vaso com furo no fundo, de pelo menos 20 cm de largura e de profundidade, a medida da Universidade de Kentucky. O guia de como cuidar de manjericão mostra a divisão passo a passo e o cuidado das semanas seguintes. Tire as folhas de baixo que já amarelaram e observe as folhas novas do topo nas 2 semanas seguintes.
Folhas escuras depois de uma noite fria
Depois de uma noite fria, a folha do manjericão escurece em vez de amarelar. A UF/IFAS, extensão da Universidade da Flórida, diz que as folhas de muitas variedades ficam pretas e caem abaixo de 4 °C. A Clemson e a RHS pedem noites acima de 10 °C para o manjericão ficar do lado de fora. Trate 10 °C como o sinal de alerta e 4 °C como o ponto de dano grave.
No Brasil, o inverno vai de junho a agosto, e o risco maior está no Sul e nas serras. Nas noites abaixo de 10 °C, leve o vaso para dentro de casa. Deixe a planta perto da janela, mas sem encostar as folhas no vidro gelado. A UF/IFAS diz que as folhas pretas caem: corte essas folhas e espere as novas. O guia de cuidados com o manjericão no inverno mostra como passar a estação fria com a planta.
Caule fino e folhas pálidas: falta de luz
Quando o manjericão estica, faz folhas pequenas e fica com a cor fraca, a causa é falta de luz. A Clemson lista a pouca luz entre as causas do amarelo da planta toda. A Universidade de Maryland diz que erva sem luz suficiente fica fina e comprida, com folhas menores e menos aroma.
O manjericão precisa de 6 a 8 horas de sol direto por dia, segundo a Universidade de Illinois. Dentro de casa, a Iowa State diz que a maioria das ervas precisa de cerca de 8 horas de luz direta. No Brasil, a janela que recebe mais sol ao longo do ano é a voltada para o norte. Se nenhuma janela da casa recebe 6 horas de sol direto, use uma luz de cultivo (lâmpada própria para plantas). A Iowa State indica a lâmpada a 15–30 cm das folhas.
Murcha de repente ou bichinhos na folha: fusário e pragas
A murcha de fusário amarela e murcha o manjericão de repente e não tem tratamento. Ela é causada pelo fungo Fusarium oxysporum, que vive na terra. A NC State diz que a planta cresce normal até 15 a 30 cm de altura, para de crescer e murcha de repente. Os primeiros sinais são estrias marrons no caule e queda súbita das folhas. A Universidade de Illinois cita também o amarelo das folhas e o crescimento desigual entre os lados da planta.
A Clemson manda retirar e descartar logo a planta com fusário. Descarte também a terra do vaso: a NC State diz que o fungo pode durar de 8 a 12 anos no solo. A página da murcha de fusário no manjericão mostra as fotos do sintoma.
Pulgões e moscas-brancas também amarelam as folhas quando são muitos, segundo o UC IPM, programa de pragas da Universidade da Califórnia. O pulgão é um inseto de corpo mole em forma de pera, que vive em grupos. A mosca-branca é um inseto branco minúsculo que voa quando você mexe na planta. Comece com um jato forte de água na face de baixo das folhas. Segundo o UC IPM, o jato derruba os pulgões e os adultos da mosca-branca. A página de pragas do manjericão ajuda a identificar cada uma.
Folha amarela do manjericão: tirar, comer ou jogar o vaso fora
Tire as folhas amarelas depois de achar a causa. Arrancar as folhas sem mudar a rega, a luz ou o vaso não impede que as próximas amarelem. No míldio, a Cornell lembra que tirar folhas avulsas não para a doença. As folhas novas do topo mostram se a causa foi corrigida: se elas nascem verdes, a planta está se recuperando.
Coma só as folhas verdes e firmes. No caso do míldio, a UConn e a Universidade de Maryland dizem que as folhas da planta doente são seguras para pessoas. As folhas amarelas ou com penugem vão para o lixo.
Jogue o vaso fora em três casos. O primeiro é a penugem cinza-arroxeada na face de baixo das folhas (míldio). Os outros são estrias marrons no caule com murcha súbita (fusário) e raiz quase toda escura e mole. Nos outros casos, a planta costuma ter salvação se você corrigir a causa. A página de folhas amarelas no manjericão reúne as doenças e pragas que causam o sintoma. O guia geral de folhas amarelas em plantas explica como cada padrão de amarelo aparece em outras espécies.
Quando a folha não mostra penugem, a terra está boa e nenhuma descrição encaixa, uma foto ajuda. O diagnóstico do Bloom (disponível para iOS) compara a foto da folha com doenças e pragas conhecidas, no plano Premium.
Perguntas frequentes sobre manjericão com folhas amarelas
Como salvar um manjericão com excesso de água?
Pare de regar e tire o torrão do vaso para ver a raiz. Raiz branca e firme só precisa que a terra seque: regue de novo quando os 2,5 cm de cima estiverem secos. Corte a raiz marrom e mole com tesoura limpa e replante em terra nova, num vaso com furo e sem água parada no prato.
Folha amarela no manjericão é sempre excesso de água?
Não. O excesso de água é a causa mais comum em planta de vaso, segundo a Clemson, mas não a única. Penugem cinza-arroxeada embaixo da folha indica míldio. Folhas de baixo amarelas, sem murcha e com a terra secando entre as regas, indicam falta de nitrogênio. Folhas escuras depois de noite abaixo de 10 °C indicam frio.
Borra de café ajuda o manjericão com folhas amarelas?
Não há prova de que ajude o manjericão. Um resumo da pesquisadora Linda Chalker-Scott, publicado pela extensão da Universidade do Arizona, mostra os dois lados. A borra tem nitrogênio e, em testes, freou fungos de raiz como Fusarium e Pythium. Mas o pH dela variou de 4,6 a 8,4, e em camada grossa ela compacta e bloqueia a água e o ar. Ninguém mediu em manjericão: o mais seguro é não usar.
Dá para comer manjericão com folhas amarelas?
Coma só as folhas verdes e firmes. Se a causa for míldio, a UConn e a Universidade de Maryland dizem que as folhas da planta doente são seguras para pessoas. A UConn sugere colher as folhas sãs logo. As folhas amarelas ou com penugem vão para o lixo, e não para a composteira.
Manjericão com folhas amarelas se resolve na ordem certa: vire a folha, aperte a terra, olhe a raiz e só então pense em adubo. Corrija a causa e acompanhe as folhas novas do topo nas 2 semanas seguintes.
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