Costela-de-adão (monstera): como cuidar, do furo na folha ao tutor
Como cuidar da costela-de-adão em vaso: onde colocar, quando regar, por que a folha não abre furos, como montar o tutor de musgo e o que fazer com a raiz aérea e a planta que tombou.
Para cuidar da costela-de-adão (Monstera deliciosa), dê a ela luz clara perto de uma janela, sem sol forte batendo na folha. Regue só quando a parte de cima da terra secar. Use vaso com furo no fundo. Dê a ela um apoio firme para subir, porque na natureza ela é uma trepadeira que escala árvores.
A costela-de-adão que não abre furos, estica ou tomba costuma ter pouca luz, falta de apoio ou pouca idade. A planta jovem tem folhas inteiras, e os furos aparecem quando ela amadurece. A planta também é tóxica para gato e cachorro.
Cuidado | O que fazer |
|---|---|
Luz | Clara, perto da janela; sol direto só o fraco da manhã |
Rega | Quando o quarto de cima da terra estiver seco |
Temperatura | Entre 16 °C e 29 °C; abaixo de 10 °C ela para de crescer |
Umidade do ar | Acima de 50% |
Porte em vaso | 1,8 a 2,4 m de altura, com apoio |
Gato e cachorro | Tóxica: não deixe ao alcance |
Sua planta é mesmo uma costela-de-adão?
Três plantas parecidas são vendidas ou chamadas de costela-de-adão, e cada uma tem cuidados próprios. A NC State Extension registra que a Monstera deliciosa é muito confundida com as duas primeiras da lista.
Monstera adansonii: folhas bem menores, com furos ovais, segundo a Penn State Extension.
Mini monstera (Rhaphidophora tetrasperma): folha pequena e recortada. A NC State lembra que ela não é uma monstera e que os recortes aparecem mais cedo.
Guaimbê (Thaumatophyllum bipinnatifidum): folha grande e recortada, sem furos, com caule curto e grosso. É planta brasileira: a Flora e Funga do Brasil registra o guaimbê como nativo em 13 estados. O guia do filodendro cobre o guaimbê.
A costela-de-adão, ao contrário, não é nativa do Brasil. Ela vem da mata do sul do México ao Panamá. A Flora e Funga do Brasil registra a espécie como cultivada no país.
Se a planta chegou sem etiqueta, confirme a espécie antes de mudar os cuidados. O app Bloom identifica a planta por uma foto da folha.
Por que a folha da costela-de-adão não abre furos
A folha sem furos tem três causas possíveis: a planta ainda é jovem, falta luz ou falta um apoio para subir. Os furos e recortes da folha têm um nome técnico, fenestração. Eles só aparecem na folha adulta.
Planta jovem. Segundo a NC State, só as folhas maduras têm furos. A planta pequena, recém-comprada, tem folha inteira em forma de coração. Isso é normal e não pede nenhuma mudança no cuidado. O guia de como identificar planta de interior explica por que a costela-de-adão jovem parece outra planta.
Falta de luz. A Extensão da Universidade de Wisconsin diz que a costela-de-adão não forma os furos quando a luz é insuficiente. Se a sua planta já é grande e as folhas novas continuam saindo inteiras, mude o vaso para mais perto da janela.
Falta de apoio. Na mata, a costela-de-adão sobe nos troncos das árvores, e a folha muda de forma durante a subida. A UConn registra que, depois que a planta se prende a um tutor de musgo, o tamanho da folha costuma aumentar muito. A Penn State descreve o mesmo efeito numa espécie parente, a Monstera siltepecana: conduzida para cima num apoio, ela produz folhas maiores e com recortes.
Os furos se formam enquanto a folha cresce, segundo a NC State. Por isso a folha que já nasceu sem furos continua sem furos, e a mudança aparece nas folhas novas.
Costela-de-adão esticada ou tombando
A costela-de-adão fica esticada quando falta luz. A Penn State avisa que ela cresce comprida e espaçada em luz fraca. O caule se alonga, o espaço entre uma folha e outra aumenta e as folhas novas saem pequenas. O caule também se curva em direção à janela.
A costela-de-adão tomba quando falta apoio. O caule é grosso e pesado, e a planta não se sustenta em pé sozinha depois de certa altura. A NC State diz que um suporte firme é necessário para os caules não quebrarem. Sem ele, ela cresce de lado e acaba deitada sobre a borda do vaso.

Corrija as duas causas ao mesmo tempo: leve o vaso para mais perto da luz e dê um tutor para a planta subir. Se o caule deitado ficou comprido demais para caber no tutor, a ponta pode ser cortada e virar muda (veja a seção de poda).
Tutor de musgo: como montar e prender a costela-de-adão
O tutor de musgo é uma estaca coberta de musgo, fincada no vaso ao lado do caule. A Penn State lista as opções que funcionam: estaca de musgo, treliça, bambu e tábua coberta de musgo esfagno (um musgo que segura muita água). O musgo imita o tronco da árvore, e a raiz aérea (a raiz que nasce no caule, fora da terra) se agarra nele.
Para montar e prender, segundo a Extensão da Universidade de Wisconsin e a UF/IFAS:
Enrole musgo esfagno em volta de uma tábua ou estaca de madeira e prenda o musgo com linha de nylon.
Enterre a estaca no vaso, rente ao caule, até ela ficar firme em pé. Coloque o tutor na hora do replante, para não cortar as raízes.
Encoste o caule na estaca e amarre com barbante de algodão ou outra fibra natural. A UF/IFAS desaconselha arame e corda de nylon no caule, porque com o tempo eles machucam a planta.
Vire as raízes aéreas para o musgo.
Na rega, molhe também o musgo do tutor. A Wisconsin recomenda molhar o musgo para que as raízes aéreas recebam água e nutrientes.
Uma planta alta num tutor fica pesada no topo. Use um vaso largo e pesado, como terracota ou cerâmica, para o conjunto não tombar.
Raiz aérea da costela-de-adão: guiar, enterrar ou cortar?
Guie a raiz aérea para o tutor ou enterre a ponta dela na terra do vaso. As extensões que falam da raiz aérea da costela-de-adão (Penn State, Wisconsin e UConn) mandam prender a raiz no apoio. A UF/IFAS registra que a raiz aérea enraíza quando toca o chão. Nenhuma das extensões consultadas manda cortar.
Nenhuma delas mediu o efeito do corte na costela-de-adão, então não há como dizer quanto ele atrapalha. Na dúvida, a opção mais segura para a planta é guiar. Se uma raiz aérea atrapalha a passagem e não alcança nem o tutor nem a terra, corte só ela, rente ao caule, com tesoura limpa.
A raiz aérea é o jeito da costela-de-adão de se prender e de buscar água fora do vaso, e não um sinal de doença.
Poda para controlar o tamanho da costela-de-adão
A costela-de-adão fica entre 1,8 e 2,4 m de altura dentro de casa, segundo a NC State. Na natureza, o caule chega a 21 m. O guia de plantas grandes para dentro de casa compara esse porte com o de outras plantas de sala.
A NC State indica podar na primavera, e a UF/IFAS, na época quente do ano, para a planta ter tempo de brotar de novo. No Brasil, a primavera e o verão vão de setembro a março. Para diminuir a altura, corte o caule logo abaixo de uma raiz aérea. A Extensão da Universidade de Wisconsin descreve esse mesmo corte para fazer muda: a ponta cortada vai para um vaso e enraíza.
Use luvas na poda. A Penn State avisa que a seiva pode irritar a pele. Para tirar só uma folha velha ou feia, corte o cabinho rente ao caule.
Onde colocar a costela-de-adão: luz
Coloque a costela-de-adão perto de uma janela clara, onde ela receba luz forte e, de sol direto, só o da manhã. A Penn State recomenda luz forte, mas não sol direto. A UConn aceita de 3 a 6 horas de sol direto por dia, desde que a planta se acostume aos poucos. Segundo a UConn, a folha grande queima fácil. Este guia segue a opção mais segura e indica só o sol direto da manhã.
No Brasil, a janela voltada para o leste recebe sol só de manhã e é a escolha mais segura. A janela voltada para o norte recebe sol quase o dia todo no inverno. Nela, deixe o vaso fora da faixa de sol que entra pelo vidro, ou atrás de uma cortina fina.
A costela-de-adão aguenta luz média, longe da janela, e por isso aparece na lista de plantas para pouca luz. Nessa luz ela sobrevive, mas produz folhas menores e sem furos. A NC State acrescenta que a costela-de-adão variegada (com manchas brancas ou creme) precisa de mais luz que a verde.
Costela-de-adão no quintal ou na varanda
A costela-de-adão pode ficar ao ar livre onde não há geada. A UF/IFAS, que estuda a planta no jardim da Flórida, diz que ela cresce melhor na sombra leve, como a de uma árvore grande. Sob sol pleno, a planta dá mais frutos, mas as folhas ficam verde-claras e podem queimar.
Se for levar o vaso de dentro de casa para a varanda ou o quintal, faça a mudança aos poucos. A Extensão da Universidade de Wisconsin avisa que a planta queima se passar de uma vez para um lugar muito mais claro. Comece pela sombra e aumente o tempo de sol aos poucos.
O frio decide onde ela pode ficar ao ar livre. A RHS, sociedade britânica de horticultura, indica ar livre só acima de 18 °C. Este guia segue as extensões universitárias, que são a fonte de mais peso: recolha o vaso antes de a temperatura chegar a 10 °C. Segundo a Wisconsin, a costela-de-adão não cresce abaixo de 10 °C (50 °F), e a geada mata a planta. A UF/IFAS registra que as folhas morrem entre −1 °C e 0 °C. Onde há geada, como em partes do Sul do Brasil, deixe a planta coberta ou dentro de casa de junho a agosto.
Como regar a costela-de-adão
Regue a costela-de-adão quando o quarto de cima da terra estiver seco. A NC State recomenda regar bem e esperar secar de um quarto a um terço da terra do vaso. Num vaso pequeno, essa faixa equivale a 2,5 a 5 cm (1 a 2 polegadas) de terra seca, a medida que indica a Penn State. Enfie o dedo ou um palito de madeira na terra para conferir.
O intervalo entre as regas depende do vaso, da luz e da estação, por isso não existe um número fixo de dias. No inverno, de junho a agosto, a terra demora mais para secar e as regas ficam mais espaçadas.
Gotas de água na ponta e na borda das folhas pela manhã indicam terra úmida demais. A Wisconsin diz que a costela-de-adão "sua" nessa condição. Espace as regas até o quarto de cima da terra secar, para evitar a podridão da raiz.
Terra, vaso e replante da costela-de-adão
Use terra que drena rápido e vaso com furo no fundo. A Penn State recomenda uma mistura para vaso rica em matéria orgânica (restos de planta decompostos). Para a água escorrer, acrescente casca de pinus, perlita (grãos brancos e leves) ou carvão. O pH indicado vai de 6,0 a 8,0, em torno do neutro (7,0).
A costela-de-adão cresce rápido, e a Wisconsin avisa que ela precisa de replante frequente para a raiz caber no vaso. A NC State indica fazer o replante na primavera, de setembro a novembro no Brasil. Aproveite o replante para colocar o tutor.
Adubo para costela-de-adão: quanto e quando
Adube a costela-de-adão uma vez por mês enquanto ela produz folhas novas, da primavera ao outono (de setembro a maio no Brasil). No inverno, pare. As fontes divergem sobre a frequência: a Penn State indica adubo a cada 2 semanas na fase de crescimento e uma vez por mês no inverno. A RHS, sociedade britânica de horticultura, indica adubo líquido equilibrado uma vez por mês, só na fase de crescimento.
Este guia segue a RHS e a Wisconsin, que também manda adubar só da primavera ao outono. A UConn explica o cuidado: o excesso de sais do adubo na terra queima a planta com facilidade.
Temperatura e umidade para a costela-de-adão
A costela-de-adão gosta de temperatura entre 16 °C e 29 °C (60 °F a 85 °F), segundo a Penn State e a NC State. A Penn State também diz que ela detesta vento frio. Não deixe o vaso na frente da saída do ar-condicionado nem perto de porta que abre para o frio.
A umidade do ar ideal fica acima de 50%. Em ambiente muito seco, a Penn State sugere um umidificador perto da planta. A NC State sugere apoiar o vaso numa bandeja com pedras e água, sem o fundo do vaso encostar na água. Com o ar seco demais, segundo a Wisconsin, a borda da folha fica marrom.
Folhas amarelas e pontas marrons na costela-de-adão
Para achar a causa da folha amarela na costela-de-adão, veja primeiro onde ela aparece. Uma folha velha de baixo que amarela de vez em quando pode ser só a troca natural. Várias folhas amarelas com a terra sempre úmida apontam para rega demais. O guia de folhas amarelas ensina a separar as causas em qualquer planta.
Ponta e borda marrons na costela-de-adão têm duas causas registradas pelas extensões: ar seco (Wisconsin) e excesso de sais de adubo (UConn). Confira primeiro a umidade do ar e a frequência do adubo. Para qualquer outro sintoma, o guia o que minha planta tem começa pelas três perguntas que dão o diagnóstico.
Pragas da costela-de-adão: tripes, ácaro e cochonilha
A Penn State lista as pragas da costela-de-adão: cochonilha-de-escama, pulgão, cochonilha-farinhenta, ácaro, tripes e mosquito-do-fungo. Olhe o verso da folha com luz boa, porque cada praga deixa um sinal diferente.
Tripes. Manchas prateadas na folha com pontinhos pretos no meio são sinal de tripes. A Extensão da Universidade de Maryland descreve o dano assim: a folha fica pálida e prateada onde o inseto se alimentou. O excremento aparece como pontinhos escuros colados na folha. O tripes é um inseto de até 2 mm, com formato de grão de arroz. Para tirar sem produto químico, a mesma extensão indica um jato forte de água da pia ou do chuveiro e o corte das folhas deformadas.
Ácaro. A folha fica pontilhada de amarelo-claro, e com muitos ácaros aparece uma teia fina. O guia do ácaro-aranha mostra como confirmar e tratar.
Cochonilha-farinhenta. Tufos brancos de algodão na axila da folha (o ponto onde a folha sai do caule). O guia da cochonilha mostra como tirar os tufos de uma planta de folha grande.
Com gato ou cachorro em casa, pergunte ao veterinário antes de usar qualquer produto na planta, mesmo os vendidos como naturais. A Maryland recomenda descartar a planta muito infestada por tripes, por ser mais simples e barato que tratar. Numa costela-de-adão grande com poucas folhas atingidas, comece pelo jato de água e pelo corte das folhas deformadas, que não usam produto. Descarte a planta só se a infestação for muito grande. O guia de pragas de plantas de interior cobre as outras pragas.
Como fazer muda de costela-de-adão
A muda de costela-de-adão sai de um pedaço do caule com raiz aérea. A Extensão da Universidade de Wisconsin indica cortar a ponta do caule logo abaixo de uma raiz aérea e plantar o pedaço num vaso. A mesma extensão diz que isso pode ser feito em qualquer época do ano.
A costela-de-adão é tóxica para gato e cachorro?
Sim. A ASPCA, centro de controle de intoxicação animal dos Estados Unidos, lista a costela-de-adão como tóxica para cães e gatos. O princípio tóxico é o oxalato de cálcio insolúvel, um cristal em forma de agulha.
A ASPCA descreve irritação e queimação na boca, na língua e nos lábios, baba em excesso, vômito e dificuldade para engolir. Se o seu animal mastigou uma folha, ligue para o veterinário. A planta não precisa ir para o lixo: deixe o vaso fora do alcance e recolha as folhas que caírem. O guia de plantas tóxicas para pets mostra as outras plantas com o mesmo cristal.
A Penn State diz que todas as partes da planta são tóxicas para pessoas e animais, menos o fruto totalmente maduro. A Wisconsin avisa que o fruto verde tem cristais suficientes para causar dor imediata na garganta.
Perguntas frequentes
O que não fazer com a costela-de-adão?
Não regue por calendário: regue quando o quarto de cima da terra secar. Não use vaso sem furo. Não passe a planta da sala direto para o sol pleno, porque a folha queima. Não amarre o caule com arame. E não deixe o vaso onde gato ou cachorro alcançam, porque a planta é tóxica para os dois.
A costela-de-adão purifica o ar?
Não de um jeito que faça diferença numa casa. A ideia vem de testes em câmaras pequenas. Uma revisão de pesquisadores da Universidade Drexel fez a conta para uma casa. Um prédio comum renova o ar de dentro cerca de uma vez por hora. Seriam necessárias de 10 a 1.000 plantas por metro quadrado de piso para igualar essa renovação. O guia de plantas que purificam o ar traz a conta.
Para que servem os furos da folha da costela-de-adão?
Ninguém sabe ao certo. As explicações mais citadas são deixar o vento passar sem rasgar a folha e deixar a luz chegar às folhas de baixo. Um estudo de 2013 no The American Naturalist propôs outra explicação. Os furos deixariam o crescimento da planta mais regular, já que a luz chega à mata em manchas soltas. As três ainda são hipóteses.
A costela-de-adão dá fruto em vaso?
Raramente. A NC State diz que a costela-de-adão quase nunca dá fruto como planta de interior. No jardim, a UF/IFAS registra de 12 a 14 meses entre a flor e o fruto maduro. A NC State diz que o fruto está maduro quando as escamas da casca caem sozinhas. Antes disso, ele irrita a boca e a garganta.
Conclusão
Olhe a sua costela-de-adão e responda três perguntas. Ela recebe luz clara perto da janela? Tem um tutor firme para subir? Já é grande o bastante para fazer folha adulta? A resposta que falta explica a folha sem furos, o caule esticado e a planta tombada.
Depois, enfie o dedo na terra antes de cada rega. Se o quarto de cima estiver seco, regue até a água escorrer pelo furo. Se estiver úmido, espere.
Para confirmar se a sua planta é mesmo uma costela-de-adão, o Bloom identifica a espécie pela foto da folha e monta o lembrete de rega. O app está disponível para iOS.
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